Um chute despretensioso de Leandro Paredes aos 43 minutos do segundo tempo terminou em uma falha clamorosa de Léo Jardim. O momento já entra para a lista dos maiores traumas da história recente do Vasco. Com esse gol, o Boca Juniors selou uma grande remontada no Maracanã — uma vitória por 3 a 1 que o classificou para a final da Copa Sul-Americana. Fim de trajetória para o cruz-maltino no torneio de uma maneira amarga. Di Lollo, Merentiel e Pumita Rodríguez fizeram os outros gols da partida desta noite, que terminou com um balde de água gelada na maioria dos 66 mil presentes nas arquibancadas. Os argentinos disputarão o título do torneio contra Atlético ou Montevideo City Torque no dia 21 de novembro, em Barranquilla (Colômbia) — o Galo venceu o jogo de ida contra os uruguaios por 3 a 0. No âmbito jurídico, o cruz-maltino havia vencido uma arrastada batalha jurídica contra o Consórcio Fla-Flu e teve um Maracanã com ingressos esgotados pela sua torcida, na expectativa de chegar à primeira final continental em 26 anos. Porém, uma festa que parecia muito próxima após o clube ter vencido por 1 a 0 em La Bombonera tinha se transformado e vaias e incredulidade já no primeiro tempo. Torcida do Vasco em jogo contra o Boca Juniors Marcelo Theobald/Agência O Globo Com apenas três minutos de jogo, Blanco cobrou escanteio pela esquerda e o zagueiro Di Lollo cabeceou para baixo após vencer Sosa no alto. O gol repentino do Boca evidenciou a pane inicial, zerou a eliminatória e mudou todo o cenário. Ficou clara a ansiedade generalizada, com ambos os times se lançando à frente e permitindo diversas escapadas em contra-ataques. Por parte do Vasco, isso ficou claro quando Adson e Bruno Duarte se embolaram e tentaram finalizar a mesma bola com o gol adversário aberto. Thiago Mendes também cabeceou com perigo ao lado em um escanteio, mas era o Boca que tinha chances melhores. Após algumas tentativas da equipe argentina de explorar as costas da defesa cruz-maltina, finalmente conseguiu aos 33 minutos. Villa ficou com a bola após erro de saída de Saldivia, e lançou para Merentiel, que saiu de cara para Léo Jardim e não perdoou, batendo rasteiro na saída do goleiro. Os xeneizes passaram a ter a vaga na mão e choveram vaias sobre o zagueiro. Após um primeiro tempo desastroso do Vasco, o treinador Pedro Emanuel voltou do intervalo com Marino e Brenner para tentar chacoalhar o time. O Boca adotou a cautela defensiva e Leandro Paredes, craque do elenco e que teve uma recuperação relâmpago para estar à disposição, entrou em campo na marca dos dez minutos. Pumita Rodríguez comemora gol em Vasco x Boca Juniors Marcelo Theobald/Agência O Globo Ao mesmo tempo, Pumita Rodríguez também foi lançado em um jogo que ganhava cada vez mais cara de ataque contra defesa. O cruz-maltino arriscava diversas chutes de longa distância, e o uruguaio acabou sendo responsável por mudar os rumos da noite.
Em jogada iniciada em um bote de Robert Renan, Cuiabano cruzou uma bola que desviou no meio do caminho e ficou a caráter para Pumita. Ele bateu de trivela no contra-pé do goleiro Montero para igualar a eliminatória e explodir o Maracanã. Paredes faz gol para o Boca e elimina Vasco na Sul-Americana Marcelo Theobald/Agência O Globo Porém, o que tinha virado esperança no chamado "time da virada", ou mesmo parecia se encaminhar para uma disputa de pênaltis, mudou drasticamente na reta final. Foi quando Paredes arriscou de longe na marca dos 43 e Léo Jardim aceitou, rebatendo a bola para dentro do próprio gol. A torcida incrédula vaiou o goleiro, mas nada mais havia a se fazer. O Vasco volta a campo contra o Corinthians, pelo Brasileirão, às 18h30 do sábado, em São Januário. A equipe está em 15º na tabela e faz confronto direto pelo rebaixamento, contra o 16º colocado.
O Globo