'Vamos te matar': Cartaz em velório de Ali Khamenei ameaça Trump

Fonte: Bandeira



O antigo líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, está sendo sepultado nesta quinta-feira (9) em Mashhad, no Irã.

Ele foi morto em 28 de fevereiro, no primeiro ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel que deu início à guerra.

Um grande número de pessoas compareceu ao funeral.

Clérigos que acompanhavam o caixão atiravam lenços aos guardas para que os tocassem e os devolvessem, desesperados para levar para casa um pedaço de algo sagrado.

Muitos carregam bandeiras iranianas, enquanto outros exibem fotos e faixas com ameaças à vida de Donald Trump.

Em uma delas, há o escrito: 'Ei Trump nós vamos te matar'.

Nessa quarta (8), Trump afirmou que é o principal alvo da 'lista de alvos' iranianos.

Apesar das imagens de multidões crescentes e pessoas em luto chorando, elas não refletem um país unido em apoio ao regime.


Apenas no início deste ano houve protestos generalizados e descontentamento com as condições econômicas e a forma como o governo lidou com os assuntos internos, com Teerã reprimindo violentamente os protestos, matando milhares.

Cartaz escrito 'Mate Trump' durante o funeral de Ali Khamenei.

ATTA KENARE / AFP

Embora algumas das figuras mais importantes do Irã tenham comparecido ao funeral, há outras ausências notáveis, incluindo o próprio filho de Khamenei, Mojtaba Khamenei, o atual líder supremo.

Alguns acreditavam que esta seria a primeira aparição pública de Motjaba, que teria ficado gravemente ferido no mesmo ataque que matou seu pai.

Sua ausência aumenta as especulações de que seu estado é pior do que o relatado.

Autoridade afirma que EUA atingiu área próxima de usina nuclear no Irã

Usina nuclear de Bushehr, no Irã.

Planet Labs PBC/Divulgação

Um ataque dos Estados Unidos nesta quinta-feira (9) atingiu uma área ao redor e próximo a uma usina nuclear no Irã.

O caso ocorreu em Bushehr, alvo de bombardeios nesta quinta.

O caso foi relatado pelo vice-governador da província à mídia estatal.

Segundo ele, outros locais em Bushehr, entre eles a área do perímetro da usina, foram acertados.

Apesar disso, ainda não há nenhuma informação sobre possível vazamento nuclear ou que o local tenha sido acertado.

Diversas explosões foram ouvidas na província de Bushehr, no Irã, nesta quinta-feira (9) informou a agência de notícias estatal iraniana Mehr.

O local é onde tem uma das poucas usinas nucleares do país.

Fontes locais disseram ao veículo de notícias que as explosões foram ouvidas antes das 12h, horário local.

A Guarda Revolucionária do Irã afirmou que vários locais na cidade de Bushehr foram atacados na noite passada.

Os militares dos EUA disseram ter concluído sua mais recente rodada de ataques contra o Irã nas primeiras horas desta manhã.

A nova operação militar atingiu cerca de 90 alvos estratégicos do Irã com o objetivo de tentar minar a capacidade de Teerã de atacar navios e tripulações civis no Estreito de Ormuz.

Bombardeios dos Estados Unidos contra o Irã.

Divulgação/Comando Central dos EUA

O relatório oficial americano aponta que as ações destruíram sistemas de defesa aérea; ativos de vigilância na costa; capacidades navais e centros de armazenamento de mísseis e drones.

A ofensiva dá sequência a uma primeira onda de bombardeios, que havia atingido 80 instalações e 60 pequenas embarcações.

Segundo relatos da mídia estatal do Irã, as incursões dos Estados Unidos mataram 14 pessoas e feriram 78 nos dois dias.

Em retaliação, o regime persa atacou bases e centros estratégicos americanos no Bahrein, no Catar e no Kuwait.

A crise diplomática ganhou contornos definitivos com as declarações do presidente Donald Trump na cúpula da Otan, em Ancara, na Turquia.

Ao lado do secretário-geral Mark Rutte, Trump decretou oficialmente o fim da trégua com Teerã.

Na viagem de volta para os Estados Unidos, a bordo do avião presidencial, Trump declarou que os líderes iranianos estão fora de controle.

No cenário econômico, o preço do barril de petróleo Brent disparou mais de sete por cento no mercado internacional, ultrapassando a marca dos setenta e nove dólares devido ao temor de fechamento definitivo do Estreito de Ormuz.

O reflexo global gerou perdas nas principais bolsas da Europa e da Ásia, além de provocar o recuo de quase 1% na Bolsa de Valores brasileira.

Apesar do cenário de guerra aberta, as fontes oficiais indicam que a ofensiva militar não interrompeu o cronograma das cerimônias fúnebres do líder supremo, Ali Khamenei, que chegam ao fim nesta quinta-feira (9).

Mas o enterro do aiatolá foi adiado em algumas horas por causa da grande aglomeração durante as cerimônias no Iraque.