O presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) aproveitou o cancelamento do debate da Globo, do qual havia desistido de participar pouco antes, para reforçar a tentativa de atrair o "voto útil" na reta final da eleição. Em live no YouTube, ao alegar que o Judiciário está impondo "a censura no seu mais alto grau, transparente e sem vergonha que vocês já viram nos últimos tempos", pediu para os eleitores dos demais adversários do presidente Lula (PT) repensarem a escolha. — Vamos resolver essa eleição neste domingo. Se você estava pensando em não votar, que essa eleição não é tão importante, olha a gravidade do que está acontecendo. A única chance de o Brasil voltar a ter uma democracia é com Flávio Bolsonaro presidente, e não vamos parcelar o voto em duas vezes — pediu. — Vamos votar de uma vez só, vamos dar um voto inteligente neste domingo. Com todo respeito aos outros concorrentes na disputa presidencial, somente Flávio Bolsonaro tem condições de vencer o Lula já no primeiro turno. Depois de incluir na transmissão os candidatos que representam o palanque do PL no Rio, o candidato ao governo Douglas Ruas e os postulantes ao Senado Carlos Jordy e Carlos Portinho, Flávio voltou a apelar para o que chama de "voto inteligente". — Me dê o seu voto de revolta. O momento é esse de mostrar indignação — disse ainda. É comum que os principais opositores de candidatos do PT em eleições presidenciais cresçam nos últimos dias antes do voto. Flávio tenta se beneficiar dessa tradição. Pesa contra ele, no entanto, a alta rejeição, que na Quaest é de 56%; no Datafolha, 45%.
O cancelamento do debate da Globo se deu depois de uma série de desistências e decisões judiciais. Lula informou na véspera que não iria. Já nesta quinta-feira, a ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), proibiu a emissora de exibir o púlpito do petista vazio. Depois, Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a participação do candidato Renan Santos (Missão). Na sequência, Flávio desistiu. Durante a live, o presidenciável inseriu uma série de aliados. Além dos candidatos apoiados por ele no Rio e em outros estados, participaram nomes como o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), o empresário Pablo Marçal, inelegível após condenações por irregularidades na campanha municipal de 2024 em São Paulo, e a coordenadora econômica da campanha, Daniella Marques.
Amigo de Augusto Cury (Avante), Marçal disse que "respeita" o escritor, mas pregou voto em Flávio.
— Se a gente não criar uma força maior e não criar uma unidade, a gente não consegue “despetizar” o país — alegou.
O Globo