Fui convocado, e agora? Com receio da polarização, jovens relatam expectativa para primeira vez como mesários

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Quando o período eleitoral se aproxima, um receio comum toma conta de boa parte da juventude: ser convocado para trabalhar como mesário. No entanto, se para os mais novos a função pode não estar entre as mais desejadas, para alguns mais experientes ela é motivo de satisfação. Por isso, O GLOBO conversou com jovens que vão estrear na função e também com Francisco Carlos Pereira, de 58 anos, que atua como mesário há mais de uma década, para entender as expectativas de cada um deles para o dia da eleição. — Eu não estou animado. Fiquei meio bravo na hora que recebi a convocação, porque eu não queria ter sido convocado. A eleição é das 8h às 17h, só que eu tenho que chegar às 7h, porque preciso votar antes de todo mundo. E é a minha primeira vez, né? Então, eu estou bem nervoso — diz Davi Sadcovitz, de 22 anos. Francisco entende a preocupação e a frustração inicial do estudante, mas o tranquiliza e garante: é só manter a calma. — Ele não precisa se preocupar. Primeiro, ele não precisa saber tudo, ainda mais sendo a primeira vez. Vai ter gente lá, com certeza, que já participou de outras eleições e vai poder tirar as dúvidas dele na hora. A principal recomendação é ficar tranquilo e saber que vai ter sempre alguém ao lado dele para ajudá-lo. Qualquer dúvida, não é para ele ficar com essa pressão toda, porque isso acaba atrapalhando. É manter a tranquilidade, que vai dar tudo certo — afirma o engenheiro. Francisco Carlos, durante o trabalho como mesário nas eleições de 2024, quando auxiliou o político Cyro Garcia a votar Reprodução Apesar do descontentamento inicial, Davi reconhece a importância do trabalho que fará e é justamente nisso que se apega: — No fundo, eu acho que vai ser interessante. Querendo ou não, vou estar trabalhando em prol de uma coisa essencial, que são as eleições. É sempre importante. Antes do dia da eleição, os mesários passam por uma capacitação, que pode ser feita presencialmente, conforme orientação do cartório eleitoral, ou on-line. Pelo aplicativo "Mesário", os convocados têm acesso a conteúdos, orientações e recursos para se preparar para o trabalho nas seções eleitorais.

O curso de mesário para as eleições 2026 Divulgação TSE — Sendo bem sincera, eu não fiquei feliz quando recebi a convocação. A primeira coisa que me veio à cabeça foi: "Meu Deus, perdi os meus domingos". Mas o que me deixa mais aflita é lidar com o público. Isso nunca foi uma coisa simples, ainda mais na situação em que estaremos. Estou bem preocupada por conta da polarização que a gente tem. Espero que ninguém arrume problema — diz Isabelle Rosa, de 23 anos, recém-formada em letras. A jovem, entretanto, também valoriza os benefícios oferecidos aos mesários e elogia os materiais do curso preparatório, que define como "intuitivos, muito bem explicados e diretos ao ponto". Veja os benefícios garantidos aos mesários pelos dias trabalhados A cada dia trabalhado, o mesário tem direito a dois dias de folga, sem prejuízo do salário. A conclusão do treinamento também garante dois dias de descanso. Há ainda um auxílio-alimentação de R$ 65 reais por turno e a possibilidade de usar a atuação como critério de desempate em concursos públicos, quando previsto no edital. Para os estudantes, a participação também pode ser aproveitada como atividade acadêmica, de acordo com as regras da instituição de ensino e eventuais convênios com a Justiça Eleitoral. Nesta eleição, um levantamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aponta que o país terá cerca de dois milhões de mesários. Depois de tantas eleições trabalhadas, Francisco Carlos não enxerga mais os benefícios como sua principal motivação. O que mais o inspira, segundo ele, é "fazer a diferença na festa da democracia". No entanto, o engenheiro compreende a insatisfação dos jovens e afirma que, quando mais novo, também tinha receio de trabalhar como mesário. — Eu sempre tinha aquele negócio: "Não, isso aí deve ser ruim. Trabalhar na eleição, nossa, deve ser um sacrifício". Então, eu não queria mudar o local do título, pelo medo de ser convocado. Ou seja, eu pegava trânsito, engarrafamento, no dia da eleição as ruas ficam cheias, só para não correr o risco. Hoje, tudo mudou: — A verdade é que não é nenhum sacrifício. Acordo no domingo e vou animado para trabalhar. Sei que, às vezes, depende da sessão em que você vai estar e das pessoas que estarão ali com você, o que deixa o clima mais ameno. Na minha sessão eleitoral é bem tranquilo, super agradável. É uma experiência que eu acho que todo cidadão deveria passar, de participar. Se Francisco acredita que, ao menos uma vez, o eleitor deveria ser mesário, a estudante de medicina Juliana Quaresma, de 22 anos, já superou as expectativas. Diferentemente de Davi e Isabelle, a jovem vai para a sua terceira eleição na função. Apesar de não considerar a tarefa das mais agradáveis, garante estar tranquila e bem mais preparada do que na primeira vez, há quatro anos. — A minha primeira vez sendo mesária foi em 2022. Eu tinha acabado de fazer 18 anos e lembro de ter ficado bem apreensiva, porque não sabia o que esperar, né? Mas, dessa vez, estou muito mais tranquila, porque já é a terceira. Eu vou mais, como eu disse, pela democracia, porque não tem muito o que fazer. Mas, assim, não é nenhum bicho de sete cabeças também, não — confessa. *Estagiário sob supervisão de Luã Marinatto

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