Valor 1000: Stone quer se posicionar como banco e ecossistema de soluções para PMEs

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Fonte da notícia: Epoca Negócios Epoca Negócios

Mateus Scherer Schwening, CEO da Stone Divulgação A popular maquininha verde da Stone – chamada de “verdinha” pela companhia – se tornou a porta de entrada dos clientes em um ecossistema de soluções financeiras para pequenas e médias empresas. No último trimestre, a Stone, que atuava com foco no negócio de meios de pagamento, se posicionou no mercado como um banco voltado ao pequeno e médio empresário. Na verdade, a estratégia de partir da máquina que recebe pagamentos para avançar com outras soluções já vinha sendo planejada desde antes da pandemia, conta o CEO Mateus Scherer Schwening – que assumiu a principal posição da empresa no início deste ano. A Stone, campeã do setor de Serviços Financeiros do Valor 1000 - parceria entre o Valor e a Época NEGÓCIOS - está registrada no Banco Central como instituição de pagamento (IP), sociedade de crédito direto (SCD) e sociedade de crédito, financiamento e investimento (SFI). Ela já vinha possibilitando aos clientes algumas transações financeiras, mas o anúncio de mudança de posicionamento veio apenas recentemente, em encontro com investidores realizado no último trimestre.

O novo modelo foi bem recebido pelo mercado – analistas avaliam que ele poderá reter mais o pequeno empreendedor e reduzir o churn (taxa de cancelamento ou perda de clientes). Com o slogan “O banco para quem empreende”, a empresa criou um ecossistema que inclui as soluções habituais no uso de cartões e Pix para recebimentos, mas agora também emite boletos e links para que o cliente receba seus pagamentos. Oferece ainda linhas de crédito aos pequenos e médios empresários, cofrinhos CDI para que eles façam seus investimentos, auxilia no fluxo de caixa desses empreendedores, entre outras diversas soluções que incluiu em seu portfólio. Uma das inovações para esse público é um produto que facilita aos empresários a tarefa de investir. O empreendedor pode definir um percentual de suas vendas e, de forma automática, a Stone reserva esse valor diretamente ao cofrinho, explica Schwening.

Além das soluções financeiras, a companhia oferece ferramentas de gestão para os empreendedores – atualmente, são cerca de 4,8 milhões de clientes ativos, localizados em mais de 5.500 cidades brasileiras. Uma novidade pensada para ajudá-los a gerenciar os negócios no dia a dia é a seção Minhas Finanças, no aplicativo da Stone, voltado ao acompanhamento do fluxo de caixa, que facilita o planejamento e permite a visualização das entradas e saídas de recursos, a comparação do desempenho ao longo do tempo e a identificação de oportunidades de melhoria.

Outra entrega pensada para impulsionar os negócios dos clientes é a recém-lançada ferramenta para “turbinar” fotos de produtos por meio de um editor que usa inteligência artificial (IA) para o desenvolvimento de catálogos mais profissionalizados – a ideia é que o empreendedor possa aprimorar a divulgação de seu portfólio. Entender as dores dos pequenos e médios empresários é, na verdade, o primeiro passo para criar soluções que os ajudem. Na própria Stone, o empreendedorismo é valorizado por meio de uma cultura que abraça a tomada de riscos e a correção rápida de erros. Outros valores da companhia são a valorização das equipes, a assertividade, a crítica a ideias e não a pessoas, a mentalidade de “dono” dos colaboradores e a orientação ao cliente. Toda essa receita vem dando certo, a se levar em conta a rápida expansão dos negócios. Nos últimos cinco anos, a receita líquida da companhia avançou, na média, 52,8% ao ano. No ano passado, o indicador ficou em R$ 13,3 bilhões. A margem Ebitda, por sua vez, foi de 55,8%. A participação da Stone no competitivo mercado de meios de pagamento se manteve ao redor de 12%. Mas o market share sobe para 20% se for considerado apenas o segmento foco, que são as pequenas e médias empresas.

A Stone reportou, no segundo trimestre, contar com mais de R$ 14 bilhões em depósitos de clientes. Sua carteira de crédito superou a marca de R$ 3 bilhões. No primeiro semestre, a companhia distribuiu mais de R$ 4,3 bilhões a seus acionistas, sendo R$ 3,1 bilhões em dividendos e cerca de R$ 1,2 bilhão em recompra de ações (buyback). Schwening diz que esta é a forma preferida de remuneração do investidor americano. Trata-se de um público importante para a companhia, que é listada na Nasdaq desde 2018.

Como uma empresa que impulsiona o empreendedorismo no Brasil, nas palavras do CEO, sua atuação na seara socioambiental é direcionada para auxiliar o micro, pequeno e médio empreendedor a fazer seu próprio negócio deslanchar. “Uma das linhas de nosso escopo, no âmbito do Instituto Stone, é focada na capacitação, gestão, acesso a crédito com taxas mais competitivas, redes de apoio e mentorias para o empreendedor, que já impactaram mais de 10 mil deles”, diz Schwening. Os treinamentos ou desenvolvimento em gestão de negócios, conhecidos como Mentoria Empreendedora, são realizados por meio de parcerias com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), que dá acesso a interação com mentores e conteúdos, via plataformas digitais. Além disso, o direcionamento do crédito a parcelas da sociedade menos atendidas também pode ter impacto positivo. A Stone Instituição Pagamento recebeu US$ 50 milhões do BID Invest, em agosto do ano passado, para direcionar o crédito para micro, pequenas e médias empresas no Brasil, com foco em mulheres empreendedoras na Amazônia Legal – região que conta com acesso mais limitado aos serviços bancários e a recursos.

Outra frente de atuação é o apoio a jovens talentos, com bolsas, coaching e programas de desenvolvimento acadêmico. O próprio CEO, hoje com 30 anos de idade, foi um dos beneficiados pelo apoio da Fundação Estudar, entidade ligada ao empresário Jorge Paulo Lemann, mas que teve André Street, o sócio-fundador da Stone, como um dos patrocinadores dos cursos de Schwening, inclusive a graduação.

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