Além do crescimento das unidades presenciais, a Smart Fit amplia a frente de produtos digitais Julio Bittencourt/Valor A estratégia de Edgard Corona, paulista fundador da Bio Ritmo, funcionou. Em expansão, o grupo Smart Fit continua abrindo academias pelo mundo em ritmo veloz. A meta é inaugurar 350 lojas neste ano — mesmo número alcançado em 2025. Com 2.170 unidades em 16 países, a companhia inaugurou no ano passado as duas primeiras fora do continente americano, em Casablanca, maior cidade do Marrocos. A abertura de lojas na África, comandadas por um sócio baseado na Espanha, representa mais um salto na ambição global. Na visão de Diogo Corona, CEO que assumiu a companhia em março, o Marrocos tem potencial para receber aproximadamente cem unidades. Seu plano é somar mais dez às duas primeiras até meados de 2027. A baixa concorrência do segmento fitness no país africano foi um dos fatores que motivaram o investimento, após a direção descartar a África do Sul como outra possível aposta. “Na verdade, a gente vai testando a assimetria entre risco e retorno. Se as primeiras saírem errado, não precisamos investir mais nada. Se der certo, aceleramos inaugurando algo entre 70 e 100 unidades”, conta o executivo. “Mais de 60% do resultado deve permanecer vindo de fora nos próximos períodos”, projeta o empresário, que é filho do fundador e está na empresa há 16 anos. A rede venceu no setor de serviços especializados do Valor 1000 pela terceira vez consecutiva. Além do crescimento exponencial, a Smart Fit vem se empenhando em alavancar o ecossistema completo do grupo, inclusive os produtos digitais. “A estratégia passou de montar academias para agregar um universo amplo de marcas próprias e terceiras. A mudança foi enorme”, frisa Corona. Uma das alavancas do negócio tem sido a TotalPass, produto corporativo criado em 2016 que disponibiliza desde planos gratuitos com serviços exclusivamente on-line até pacotes ultra-premium. Com dois milhões de usuários, o serviço viu o número de downloads acelerar mês a mês no primeiro semestre. Disponível no Brasil e México, a plataforma soma 45 mil academias. Os planos mais caros incluem consultas semanais com nutricionistas, coaches e psicoterapeutas. Conforme informações da empresa, o crescimento de 70% em usuários finais da TotalPass, no segundo trimestre deste ano, comparado com o mesmo período de 2025, foi fruto de melhorias na identidade visual, branding e na percepção de seu valor pelos colaboradores. Diego Corona: exercício é questão de saúde Divulgação Outros números recentes também chamam atenção. Ainda no segundo trimestre de 2026, a Smart Fit cresceu 24% na margem Ebitda e 22% no lucro bruto, ambos recordes na trajetória da companhia, que fez seu IPO em 2021. A receita líquida no período bateu R$ 2,2 bilhões. No ano passado, a empresa registrou receita líquida de R$ 7,24 bilhões, consolidando um crescimento de 30% em relação a 2024 — nos últimos cinco anos a receita líquida cresceu em média 42% ao ano. Em 2025, a margem Ebitda apurada foi de 47,7%. Ajustado, para exclusão de receita não recorrente, o Ebitda totalizou R$ 2,3 bilhões, o que resultou em uma margem de 31,7%. A empresa prefere não divulgar o faturamento previsto para este ano. De perfil familiar, o braço Beon Studios, comandado por Carolina Corona, irmã de Diogo, também cresce e foi relançado em abril para unificar as marcas de wellness do grupo no ecossistema. A vertical, dona de 300 salas de spinning, hot yoga, pilates, boxe, corrida e treinos intensos, espalha-se pelo país por meio de franquias. O modelo asset light do negócio foca em estrutura enxuta e escalável, sem grandes investimentos em ativos. A intenção é abrir cem salas por ano engajando franqueados com interesse no conceito inovador e serviço de alto padrão, do tipo boutique. Corona acredita que a conscientização do brasileiro em relação à importância do exercício físico aumentou nos últimos anos, o que vem favorecendo o setor. “A academia passou a ser vista como investimento em saúde, além da estética. Quem pagava alto, agora está disposto a comprar até mesmo um plano mais caro. E, na base, quem não pagava, topa contratar. Nossa mensalidade não é mais cortada quando o orçamento doméstico aperta porque virou questão de saúde”, opina. No Brasil, a indústria fitness é considerada robusta. Conforme um estudo do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), existem 64,6 mil estabelecimentos do ramo no país, a maioria formada por pequenos e médios negócios espalhados por mais de quatro mil municípios. São Paulo lidera em número de empresas ativas, seguido por Minas Gerais. O segmento projeta atingir uma movimentação de R$ 34 bilhões em 2028, entre mensalidades, personal training, vestuário, suplementos, aplicativos de monitoramento e outros produtos. Entre os desafios, porém, está a alta taxa de mortalidade dos negócios. A entidade calcula que uma em cada três academias acaba por fechar as portas aos oito anos de vida, na média. A alta carga tributária pesa como entrave à sobrevivência.
Arte/Valor No âmbito da sustentabilidade, um dos objetivos do grupo Smart Fit é otimizar o uso dos recursos. Nos últimos anos, a automação dos sistemas de ar-condicionado de todas as unidades foi uma das principais medidas adotadas. A climatização é a vilã das faturas de energia da empresa. Por meio de controles inteligentes, os aparelhos equalizam a temperatura conforme quantidade de pessoas em cada espaço, calor interno e só ligam no horário efetivo das aulas nas salas. O uso da água segue o mesmo princípio. O sistema de telemetria instalado em duas mil lojas acusa em tempo real quando há vazamentos ou anomalias na rede para evitar desperdícios. Já no campo social, a companhia costuma apoiar comunidades do entorno em situações de emergência. Na Colômbia, por causa do terremoto devastador de agosto, algumas academias foram transformadas em pontos de coleta para todo tipo de doação. Outras 37 tiveram que fechar. “Agimos prontamente para ajudar as pessoas quando elas mais precisam. Fizemos o mesmo quando houve as enchentes no Rio Grande do Sul em 2024”, lembra o executivo. Ainda na frente internacional, a colaboração com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef, na sigla em inglês) é uma das iniciativas mais importantes. Todo ano, Smart Fit e Bio Ritmo abrem suas portas para equipes do órgão conversarem com os alunos em busca de doações mensais. Em 2023, quando a ação começou, todas as unidades receberam o selo Espaço Solidário à Infância e foram conquistados 4,5 mil novos doadores. Em 2025, 4,8 mil novos alunos das duas academias começaram a apoiar a agência de defesa das crianças.
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