A Sabesp superou as metas de expansão de serviços de água, coleta e tratamento de esgoto no biênio 2024-2025 Julio Bittencourt/Valor A Sabesp estima em R$ 70 bilhões o investimento necessário para antecipar a meta de universalização dos serviços de abastecimento de água potável e de coleta e tratamento de esgoto nos 371 municípios paulistas de sua área de concessão. A companhia pretende atingir 99% de cobertura em 2029, quatro anos antes da data prevista pelo Marco Regulatório do Saneamento. A estratégia para alcançar o objetivo se apoia em duas frentes complementares que permitem acelerar os investimentos e ampliar o atendimento com disciplina financeira: a diversificação das fontes de captação de recursos para a execução de obras de longa duração e intensivas em capital, de um lado, e o aumento da eficiência operacional, de outro. Desde a privatização, em julho de 2024, a Sabesp levantou R$ 36,4 bilhões no mercado de capitais, em bancos de desenvolvimento e em organismos multilaterais do Brasil e do exterior. Desse montante, R$ 14,1 bilhões foram captados nos seis primeiros meses deste ano. Com o apoio do BID Invest e participação de investidores internacionais, foi feita no início de 2026 a emissão de blues bonds no valor equivalente a R$ 7,8 bilhões. Os recursos serão destinados a projetos de coleta e tratamento de esgoto. “Também realizamos captações relevantes por meio de debêntures no mercado brasileiro”, acrescenta Carlos Piani, CEO da companhia. Na segunda frente, a Sabesp busca ampliar a geração de caixa por meio de eficiência operacional e rigor na alocação de recursos financeiros. Piani conta, por exemplo, que entre janeiro e junho deste ano as despesas com energia elétrica recuaram 5,6% em relação ao mesmo período do exercício passado, mesmo com a forte expansão das obras de infraestrutura e da operação, reflexo de iniciativas como a migração do consumo para o mercado livre de energia. Piani: segurança hídrica é prioridade Stephanie Veronezzi/Divulgação Como resultado dessa estratégia, a empresa, que atualmente fornece água tratada para 30 milhões de pessoas, cerca de 2 milhões a mais do que no início de 2024, e serviço de esgoto para 27 milhões de pessoas, reportou no exercício 2025 receita operacional líquida de R$ 38,09 bilhões, um crescimento de 5,4% em comparação ao ano anterior, resultado que contribuiu para a liderança da empresa no setor de água, saneamento e serviços ambientais do Valor 1000. O Ebitda ajustado alcançou R$ 13,2 bilhões, alta de 17%, enquanto o lucro líquido ajustado apurado foi de R$ 6,3 bilhões, 22% a mais em relação a 2024. Com os R$ 15,2 bilhões investidos em infraestrutura no decorrer do ano passado, foi possível entregar 32 obras estruturantes, 827 quilômetros de obras lineares, 16 estações de tratamento de esgoto (ETE) e quase 800 quilômetros de grandes tubulações. Segundo Piani, a expansão da coleta e do tratamento de esgoto contribuiu para reduzir em cerca de 22% a carga de poluição orgânica do rio Tietê medida em 2025. A renovação do parque de medição, cujo objetivo é melhorar a precisão e a equidade da cobrança, também avançou no ano passado, quando foram instalados 1,5 milhão de novos hidrômetros. Em 2025, a quantidade de frentes de obras saltou de 200 para 1,5 mil. As obras de infraestrutura no primeiro semestre deste ano absorveram R$ 7,5 bilhões em recursos, 15,6% acima do volume aportado no mesmo período do exercício passado. A companhia encerrou junho com R$ 40,5 bilhões em projetos e obras contratadas para execução até 2029.
Arte/Valor Todas as metas previstas para o biênio 2024/2025 foram superadas. Piani afirma que, entre janeiro e junho deste ano, 634 mil pessoas passaram a contar com abastecimento de água, 623 mil pessoas foram contempladas com a coleta de esgoto e mais de 967 mil pessoas tiveram o esgoto encaminhado para tratamento. Segundo ele, desde o início de 2024, a expansão dos serviços de água, coleta e tratamento de esgoto alcançou, respectivamente, 2,4 milhões, 2,8 milhões e 4,7 milhões de pessoas. “Ao fim de julho de 2026, já havíamos atingido 105% da meta acumulada de abastecimento de água prevista até o encerramento do ano, além de 91% da meta de coleta de esgoto e 82% da meta de tratamento”, reitera. A companhia também está ampliando os canais virtuais e presenciais de atendimento aos clientes, especialmente os de baixa renda contemplados com a tarifa social — um universo de quase dois milhões de pessoas, cujo desconto médio na conta de água gira em torno de 66% da tarifa padrão. Neste ano foram abertas 12 novas lojas físicas, reformadas 34 lojas existentes e instalados 20 novos postos de atendimento no Poupatempo. No segundo trimestre deste ano, o tempo médio de atendimento foi 87% menor, comparado ao de dezembro de 2025, e as reclamações nos principais canais críticos caíram 31% em relação aos primeiros três meses do ano. A tendência a partir do próximo ano é ampliar o atendimento a comunidades informais, regiões rurais, locais de difícil acesso e territórios com restrições ambientais ou urbanísticas — que, segundo Piani, não integravam as obrigações da Sabesp antes da privatização. As atenções estarão voltadas também à questão climática: para 2035, a meta é reduzir em 15% as emissões dos escopos 1, 2 e 3, categorias usadas para organizar e medir as emissões de gases de efeito estufa de uma empresa. No campo da energia de fonte renovável, que no ano passado respondeu por 39% do consumo da companhia, o plano consiste em aumentar de 36 para 44 o parque de usinas solares em operação e de 50 megawatts (MW) para 60 MW de capacidade instalada no próximo ano. O valor do investimento a ser aplicado em 2027 será estabelecido no orçamento anual, mas Piani acredita que “a tendência é manter um patamar elevado dentro do programa de aproximadamente R$ 70 bilhões previsto até 2029”. As prioridades são a expansão dos serviços de água e esgoto, a modernização da infraestrutura existente e o fortalecimento da segurança hídrica. O Integra Tietê — programa de revitalização de rios e saneamento básico — seguirá como uma das principais frentes de universalização, com a expansão das grandes ETEs da região metropolitana de São Paulo e a implantação de redes e estruturas para conduzir mais esgoto às unidades de tratamento. Até 2029 serão destinados R$ 7,8 bilhões em segurança hídrica em projetos como a integração Billings-Taiaçupeba — construção de uma adutora de 38 quilômetros para a transferência de 4 mil litros de água por segundo de água bruta do Rio Pequeno (represa Billings, em São Bernardo do Campo) até a represa Taiaçupeba (que integra o Sistema Alto Tietê, em Suzano) —, a ampliação da Estação de Tratamento de Água (ETA) Baixo Cotia e a construção de novos reservatórios.
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