Loja-conceito RD dedica 65% da área à beleza e inclui mais 33 marcas de alto padrão Julio Bittencourt/Valor A RD Saúde acredita ter entendido a cabeça do consumidor que decide gastar mais na rotina de cuidados com saúde, beleza e bem-estar — e quer se tornar sua prestadora de serviços preferencial. Uma das iniciativas é a Raia Conceito, primeira farmácia do grupo voltada à estética. Esse segmento ocupa 65% da área de 364 metros quadrados da loja, inaugurada no início de agosto, no bairro paulistano do Itaim Bibi. O projeto, feito em parceria com os fornecedores, incorpora ao sortimento 50 novas marcas, das quais 33 do segmento premium, somando 2.500 produtos de beleza ao portfólio. As pesquisas da empresa revelaram um grupo de consumidores que busca “convivência, experimentação e confiança”, na explicação de Renato Raduan, CEO da RD Saúde. “Para responder a esse movimento, criamos um ambiente sofisticado, sensorial e integrado, no qual medicamentos e serviços farmacêuticos convivem com categorias de beleza de maior valor agregado.” De acordo com o executivo, a integração entre físico e digital foi desenhada como uma experiência omnichannel, conectando o aplicativo, o atendimento presencial com vendedoras especializadas e a descoberta de produtos dentro da loja, que conta com 18 telas interativas para apoiar a comunicação com os consumidores. “A farmácia-conceito, com expansão prevista para outras cidades além da capital paulista, nos permite aprender com o consumidor e fazer evoluir a experiência de loja”, diz o CEO. “É importante ter várias unidades para ganhar volume e manter o abastecimento”, diz. Com a nova proposta, a RD Saúde estreia nas categorias fragrâncias e produtos profissionais para cabelos, de olho na expansão do mercado de beleza premium no Brasil. O segmento cresceu 10% no primeiro trimestre de 2026, acima da média global de cerca de 7%, segundo dados da Circana, consultoria especializada em inteligência de mercado. Raduan, CEO: ajuste para crescer mais Jorge Rosenberg/Divulgação Os resultados são positivos e levaram a companhia à liderança do setor de comércio varejista no anuário Valor 1000. Em 2025, a companhia registrou receita bruta de R$ 47,6 bilhões, alta de 13,9% em relação ao ano anterior. Pelas mais de 3.700 farmácias das redes Raia e Drogasil passaram 51,7 milhões de clientes, que realizaram mais de 440 milhões de transações. Foram mais de sete milhões de atendimentos farmacêuticos e 412 mil vacinas aplicadas. Prestes a completar dois anos como CEO, Raduan afirma que o bom desempenho decorre da melhora da qualidade dos serviços e da experiência do cliente. “Tivemos a humildade de reconhecer que algumas frentes precisavam de ajustes se quiséssemos seguir com a meta de crescimento nominal em torno de 12% até 2030”, afirma. “Respondemos por 19,7% de um mercado que tem muito espaço para crescer. Quando falamos de vacinação, nossa participação é de 40%. Criamos musculatura para expandir rápido. Abrimos praticamente uma nova farmácia a cada dia, a maior parte em cidades pequenas e nas franjas e minirregiões das grandes metrópoles. Mesmo diante de taxas elevadas de juros, mantemos a média de 10% de novas lojas por ano.” O executivo destaca fatores que têm contribuído para a prosperidade do segmento de farmácias, entre eles o envelhecimento da população, a maior preocupação com saúde e bem-estar e a difusão de cuidados preventivos. Soma-se a isso o avanço dos medicamentos da categoria agonistas do receptor GLP-1, principalmente as canetas emagrecedoras. “Mas os resultados não seriam positivos se não cultivássemos uma cultura genuína de cuidar das pessoas, que nos mantém há mais de 120 anos no mercado”, afirma. “Somos uma empresa centenária que busca fazer o melhor hoje sem perder os olhos no futuro, a fim de ter relevância também amanhã.” Manter a visão de longo prazo, mesmo com eventuais resultados fora do previsto, é uma tarefa difícil para uma companhia afetada pelo humor e pelas flutuações no poder de consumo da população.
Arte/Valor A RD tem 75 mil colaboradores e está presente em cerca de 700 municípios. Raduan observa que a agenda ESG ajuda a garantir engajamento das equipes e melhora contínua de processos e resultados. “Somos uma plataforma de ascensão social, diversidade, inclusão e capacitação”, afirma. “Aplicamos sete milhões de horas de treinamento, registramos 22 mil promoções, tendo 100% da liderança operacional desenvolvida internamente. Nos cargos de iderança, 52,9% são ocupados por pessoas negras e 63,3% são preenchidos por mulheres.” Na frente ambiental, a RD Saúde antecipou em cinco anos a meta de redução de emissões de carbono prevista para 2030, 29% das entregas de curta distância são feitas por carros elétricos e 100% da energia consumida nas operações é renovável. O uso consciente da tecnologia é, de acordo com Raduan, um dos pilares de sustentação do grupo. São mais de cem casos de uso de ciência de dados e inteligência artificial (IA) em áreas como preços, abastecimento, estoques, atendimento e processos administrativos, com efeitos em receita, custos, produtividade e experiência do cliente. Para organizar essa agenda, a RD Saúde adota duas frentes complementares. Na primeira, concentra o time de ciência de dados nos problemas mais complexos e de maior impacto para o negócio e o cliente. “São iniciativas estruturantes, que exigem maior sofisticação tecnológica e têm potencial relevante de geração de valor”, diz o CEO. “Usamos IA na otimização de preços e promoções, previsão de demanda, abastecimento e gestão de estoques, atendimento e call center.” Como exemplo ele cita a MIA, assistente de IA para farmacêuticos, que em 2025 gerou cinco milhões de interações no chat. A ferramenta leva ao profissional na ponta informação, a fim de tornar o atendimento melhor e mais ágil. “Nosso SAC evoluiu com os agentes. O índice de retenção pelo chatbot, sem necessidade de avançar para outros canais ou atendimento humano, varia entre 75% e 78%, o que é bastante positivo”, diz. A segunda frente visa a difundir o uso de IA na organização, permitindo que as próprias áreas desenvolvam soluções para problemas do dia a dia. “No primeiro ciclo de hackathons, mobilizamos cerca de 500 funcionários de 20 diretorias e recebemos mais de 800 propostas. Em apenas três dias, 44 projetos foram desenvolvidos”, conta Raduan. Foi feita uma segunda rodada voltada a aplicação com vibe coding (desenvolvimento de software feito em linguagem natural, com apoio de IA) e outros 45 projetos ganharam vida, envolvendo monitoramento de preços da concorrência, automação de processos jurídicos, simuladores e gestão de chamados de manutenção, diz. “Para nós, IA é realidade cotidiana.”
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