Valor 1000: Menos carbono e foco no pré-sal: as prioridades da Shell para 2026

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Fonte da notícia: Epoca Negócios Epoca Negócios

Flavio Rodrigues, vice-presidente de Relações Corporativas da Shell Divulgação A Shell, que no ano passado fortaleceu seu portfólio e avançou em empreendimentos estratégicos ̶ como a decisão de investimento no Projeto Orca (ex-Gato do Mato) ̶ , chegou em março de 2026 produzindo mais de 500 mil barris de óleo equivalente (boe, que considera gás natural) por dia. No ano passado, a empresa investiu R$ 12,5 bilhões em território brasileiro.

Primeira no ranking do setor de petróleo e gás do anuário Valor 1000, parceria entre o Valor e a Época NEGÓCIOS, a petroleira anotou, em 2025, R$ 54,29 bilhões de receita líquida, exibindo uma evolução média nesse quesito, nos últimos cinco anos, de 15,8% ao ano. O Ebitda (Lucro antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) sobre a receita líquida, ou margem Ebitda, indicador que mede o lucro operacional, ficou em 43,5% e a rentabilidade (lucro líquido sobre patrimônio líquido médio), em 25,2%. “Hoje, somos a maior produtora de petróleo do grupo Shell e segunda maior produtora do país, atrás apenas da Petrobras”, diz o vice-presidente de Relações Corporativas, Flavio Rodrigues.

Os investimentos tiveram como destino, principalmente, projetos do pré-sal, como Tupi, Lapa e Orca. Cerca de R$ 500 milhões foram para atender a regra da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) determinando que um percentual sobre a receita bruta de campos de grande volume de produção seja aplicado em pesquisa, desenvolvimento e inovação. O volume produzido vem majoritariamente de campos da Bacia de Santos, onde a Shell integra os consórcios: Tupi ̶ operado pela Petrobras e que ainda tem a Petrogal Brasil e a Pré-Sal Petróleo S.A (PPSA), representante da União, como sócias; Lapa, operado pela TotalEnergies e com a Repsol Sinopec como a outra parceira; e, especialmente, Mero.

Este último é operado pela Petrobras e ainda tem a TotalEnergies, as chinesas CNPC e CNOOC a PPSA. O bloco BC-10 (conhecido como Parque das Conchas), na bacia de Campos, este sim operado pela Shell, também contribuiu para a expansão da produção da petroleira.

Como exemplo desse apetite pelo Brasil, a empresa adquiriu, em 2025, quatro novos blocos na região de Sul de Santos, com 100% de participação e como operadora. Também ampliou suas participações em Mero e Atapu – este último também no pré-sal da Bacia de Santos e operado pela Petrobras. Atualmente, a Shell exibe mais de 70 contratos em diferentes estágios ̶ exploração, produção e descomissionamento ̶ nas Bacias de Campos, Santos, Pelotas, Barreirinhas e Potiguar. Os esforços concentrados na produção e exploração de petróleo e gás no Brasil contam com apoio estratégico da tecnologia e da inovação. O Projeto Orca, na Bacia de Santos, é um dos focos para os próximos anos, e contará com uma sonda projetada para operar nas águas ultraprofundas do Brasil, podendo ser atualizada para cerca de 3.658 metros. O Orca, que tem como parceiros a colombiana Ecopetrol e a Kufpec, do Kuwait, é o primeiro empreendimento do pré-sal operado pela Shell. Tem o primeiro óleo previsto para 2029. O FPSO (espécie de navio-plataforma) do projeto já tem metade de sua construção concluída e, na fase de desenvolvimento, espera-se uma capacidade de produção de até 120 mil barris de petróleo por dia.

Enquanto o Orca não começa, a Shell vê outros ativos iniciarem produção em 2026. É o caso de Lapa Sudoeste, a terceira fase de desenvolvimento do campo de Lapa, no pré-sal da Bacia de Santos. A expectativa é que essa fase eleve em cerca de 25 mil barris a produção de petróleo por dia no pico de produção, aumentando o volume total do campo para cerca de 60 mil barris diários.

No campo da sustentabilidade, a empresa desenvolveu, em parceria com Petrobras, Welltec e Halliburton um sistema de completação inteligente e totalmente elétrico que reduz a complexidade da construção de poços de petróleo. Além de trazer uma economia entre US$ 10 milhões e US$ 15 milhões por poço, ajuda a reduzir a pegada de carbono. A Shell vem usando inteligência artificial (IA) em iniciativas voltadas à descarbonização e desenvolvimento de soluções sustentáveis.

A petroleira também aposta em energia de baixo carbono por meio do programa Brave, que pesquisa o uso do agave (planta originária de regiões quentes e secas da América, especialmente do México) para produzir etanol de primeira e segunda geração, biogás e outros coprodutos no sertão do Nordeste. O projeto, feito em parceria com a Unicamp e o Senai Cimatec e com R$ 100 milhões em investimentos, envolve melhoramento genético, mecanização do cultivo e desenvolvimento de rotas para o processamento da planta. A Shell, diz Rodrigues, avalia continuamente as oportunidades disponíveis no Brasil, considerando a atratividade técnica e econômica e a competitividade em relação ao portfólio global. Ele não quis antecipar novos passos, como a eventual participação da empresa no próximo ciclo de Oferta Pública Permanente, a ser realizado pela ANP, em 7 de outubro.

Segundo dados da ANP, a Shell é uma das inscritas, o que permite que participe do certame. Mas isso não quer dizer, necessariamente, que participará ou fará ofertas.

“O que podemos dizer é que o Brasil segue sendo um mercado estratégico para a Shell e continuamos atentos a oportunidades que possam gerar valor no longo prazo”, destaca o executivo.

Atualmente, o setor global de óleo e gás passa por volatilidade e incertezas geopolíticas que reforçam a necessidade de segurança energética. Ao mesmo tempo, o mundo sente a demanda elevada por energia. “A Shell acredita que petróleo e gás continuarão a ter relevância no sistema energético global. Por isso, novos investimentos serão necessários para compensar o declínio natural dos campos existentes”, diz Rodrigues. O Brasil, aponta ele, está em boa posição nesse cenário. O executivo lembra que o país construiu uma indústria offshore de classe mundial, tem recursos competitivos, produção no pré-sal com menor intensidade de carbono em comparação com a média global e um histórico de fornecedor confiável.

“Em um ambiente internacional mais volátil, essas características podem tornar o Brasil ainda mais atrativo para investimentos de longo prazo”, salienta.

No entanto, Rodrigues acrescenta que essa oportunidade não está garantida, uma vez que projetos de óleo e gás são intensivos em capital e têm horizontes de décadas. “O investimento compete globalmente. Para que o Brasil continue atraindo capital, é fundamental preservar estabilidade regulatória, competitividade fiscal e celeridade nos processos de licenciamento ambiental”, afirma.

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