Valor 1000: Intelbras, vencedora do setor de eletroeletrônica, integra segurança, energia e conectividade

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Intelbras investe e se prepara para um novo ciclo de expansão Julio Bittencourt/Valor Com uma estratégia baseada em rentabilidade, eficiência e disciplina financeira, a Intelbras vem preservando a competitividade mesmo diante de um ambiente macroeconômico mais desafiador. Em 2025, a companhia, líder do setor de eletroeletrônica nesta edição do Valor 1000, alcançou receita operacional líquida de R$ 4,4 bilhões. Neste ano, os resultados mantêm a trajetória de crescimento. No segundo trimestre, o lucro líquido chegou a R$ 158,3 milhões, alta de 16,1% em relação ao mesmo período do ano passado, com margem líquida de 13,8%. A receita operacional somou R$ 1,149 bilhão no segundo trimestre. O desempenho foi sustentado por escolhas criteriosas na alocação de capital, otimização de despesas e gestão do capital de giro, com redução dos estoques e fortalecimento da geração de caixa, tendo como principal indicador o Retorno Sobre o Capital Investido (Roic). “É a bússola das nossas decisões”, afirma Henrique Fernandez, CEO da Intelbras. A cautela, porém, não significou colocar os planos de longo prazo em espera. O executivo explica que os projetos estruturantes foram mantidos por terem sido dimensionados para gerar valor em diferentes cenários. Já para novos aportes, a empresa elevou o rigor, priorizando iniciativas de maior retorno. A lógica é não deixar que as oscilações do ciclo econômico ditem os rumos da operação. “Um ajuste fiscal sólido seria bom para o país e para todos os negócios, por exemplo, mas nossa estratégia não depende dele.” Fernandez: retorno é a bússola das decisões Guilherme Goes/Divulgação Foi com essa visão que a corporação manteve investimentos em diferentes áreas ao longo de 2025 — do portfólio à inovação, passando por pessoas, produtividade e sustentabilidade. Entre os principais movimentos está a conclusão da implantação de um novo Enterprise Resource Planning (ERP), considerado o maior projeto de transformação de sistemas de sua história recente e destinado a preparar a organização para um novo ciclo de expansão. No desenvolvimento de produtos, categorias como câmeras IP e fechaduras digitais ganharam relevância e participação de mercado. Além disso, a gigante do setor eletroeletrônico treinou mais de 250 mil profissionais em todo o país, mantendo próximos quem especifica, instala e utiliza suas soluções. “É essa rede capacitada que nos permite acompanhar as mudanças e tendências do mercado e responder rapidamente às novas demandas.” A agenda de sustentabilidade também avançou no período. Na economia circular, a Intelbras reaproveitou 299 toneladas de resina ABS no processo de injeção plástica, reinserindo o material no ciclo produtivo. Outros 24 mil equipamentos provenientes de trocas e devoluções foram recuperados e retornaram ao setor de remanufaturados, após triagem, reparos e testes de qualidade. Na matriz energética, aproximadamente 90% do consumo veio de fontes renováveis, por meio de aquisição no mercado livre e geração própria por sistemas fotovoltaicos, que alcançou 7.996 GJ no período. Fernandez ressalta que é a combinação de eficiência, inovação e responsabilidade que sustenta um avanço consistente no longo prazo. “A sustentabilidade orienta nossas decisões desde o desenvolvimento de produtos até a escolha de fornecedores. As mesmas iniciativas que reduzem o impacto ambiental tornam a operação mais eficiente e mais competitiva”, afirma o CEO.

Arte/Valor Essa mesma diretriz orientou os rumos da unidade de energia em 2025. Criada em 2018 e fortalecida com a aquisição da Renovigi em 2022, a área passou por um reposicionamento. A medida, de acordo com Fernandez, responde à desorganização do setor de energia solar no Brasil nos últimos anos, marcada por excesso de players, competição predatória de preços e margens insustentáveis, especialmente no segmento de usinas. A fabricante saiu do segmento de usinas e concentrou a atuação em telhados residenciais e empresariais. “Optamos por ter um negócio do tamanho certo para a Intelbras, construído tijolo a tijolo, com a estrutura adequada, vendendo ao preço certo e priorizando rentabilidade em vez de volume a qualquer custo.” Segundo ele, essa escolha tem uma lógica que vai além da disciplina financeira, já que é no telhado que a energia se conecta às demais soluções da marca. Somada às outras unidades, a área permite reunir segurança, conectividade e energia em uma mesma oferta ao consumidor final. O avanço de novas tecnologias e a demanda por soluções mais sofisticadas abrem oportunidades para a indústria eletroeletrônica. Entre os vetores de expansão identificados pela Intelbras está a integração de tecnologias. “Os clientes não buscam mais soluções isoladas; procuram sistemas que conectem diferentes aplicações, sejam fáceis de gerenciar e atendam à necessidade de cada projeto”, diz Fernandez. O foco está em combinar segurança, conectividade e energia em aplicações que vão de residências a empresas e projetos de infraestrutura. Outra frente é a inteligência artificial (IA) embarcada nos produtos. Câmeras com análise inteligente de vídeo, por exemplo, já classificam eventos e reconhecem padrões. Internamente, a IA vem sendo usada para analisar informações comerciais, logísticas e financeiras e apoiar diretrizes sobre demanda, estoques, preços e portfólio. O CEO reforça, no entanto, que não se trata apenas de um projeto tecnológico, mas de gestão. “O mais difícil é mudar a forma como as pessoas trabalham e decidem”, diz. Por isso, o primeiro passo foi a organização dos dados, revisão de processos e capacitação das equipes para utilizar as ferramentas com senso crítico. “Queremos uma organização ‘data driven’ de ponta a ponta, em que as decisões sejam sustentadas por evidências.” Para 2026 e 2027, embora não detalhe novos projetos, a Intelbras pretende priorizar um crescimento com qualidade, em vez de volume, e fortalecer sua capilaridade. Segundo Fernandez, quatro fatores serão fundamentais diante das transformações e desafios do setor: escala, para garantir eficiência e alcance; inovação, para ampliar o poder de adaptação; sustentabilidade, para tornar a empresa mais resiliente; e capacidade de execução. “Não basta ter um bom portfólio. É preciso estar próximo do mercado, compreender as diferentes realidades dos clientes e conseguir levar as soluções a todo o país.”

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