Valor 1000: da faculdade ao consultório, como a Afya quer chegar a 40% dos médicos do país

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Fonte da notícia: Epoca Negócios Epoca Negócios

Mais madura e com uma estratégia cada vez mais concentrada em ampliar sua presença no ecossistema de saúde, a Afya entra em uma nova fase de crescimento. Depois de anos de forte expansão, impulsionada por aquisições e pelo avanço da educação médica, o grupo agora busca aumentar a abrangência de sua marca, diversificar o portfólio de cursos e aprofundar a relação com médicos por meio de soluções digitais, inteligência artificial (IA) e serviços voltados à prática profissional. A Afya é a campeã do setor de Educação do Valor 1000, prêmio realizado em parceria entre o Valor Econômico e Época NEGÓCIOS. A mudança de fase não significa uma redução da ambição de crescimento. A graduação em medicina continua sendo o principal negócio da companhia e ainda oferece oportunidades de expansão orgânica e por meio de aquisições, assim como o relacionamento com os profissionais de saúde tem espaço para avançar.

“A Afya está atingindo a maioridade com a consolidação do negócio de graduação”, afirma o CEO Virgílio Gibbon. Segundo ele, a nova etapa exige também maior atenção à diferenciação, ao reconhecimento da marca e à disciplina na utilização do capital. No primeiro semestre de 2026, a receita do negócio de graduação chegou a R$ 1,76 bilhão, alta de 7,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. A base de estudantes de medicina cresceu 2,7%, para 26.421 alunos. O curso de medicina está no centro da estratégia. A companhia segue avaliando aquisições de escolas médicas. Segundo Gibbon, os planos são de criar cerca de 200 vagas por ano. Ele considera que a vantagem competitiva da Afya é relevante, especialmente se for levado em conta que esse mercado atravessou um período de forte incerteza regulatória: “Poucos players no mercado mantêm salas cheias, rentabilidade e crescimento orgânico”. Virgilio Gibbon, CEO da Afya: vantagem competitiva relevante Divulgação Um dos desafios no último ano foi regulatório. O programa Mais Médicos 3 previa a criação de 95 cursos de medicina, com abertura de 5,9 mil vagas. No entanto, a abertura de vagas por meio de decisões judiciais, segundo Gibbon, criou incerteza regulatória e levou ao cancelamento do edital. A questão chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF), que definiu a necessidade de se seguir as regras do Mais Médicos – via chamamento público, que define em quais cidades as vagas podem ser criadas e que elas devem ter infraestrutura para o aprendizado prático – para a expansão de escolas médicas. A Afya, diz o executivo, não recorreu a liminares. A companhia agora espera que a decisão da Suprema Corte crie um ambiente mais previsível. Para Gibbon, a expansão da formação médica deve continuar direcionada a regiões com menor densidade de profissionais e infraestrutura mínima para a prática dos estudantes, de forma a ampliar a oferta de médicos onde há maior necessidade. Apesar da centralidade do curso de medicina, a Afya também vem buscando diversificar a oferta – a maioria de suas 34 faculdades oferece quatro ou cinco cursos na área de saúde. “O objetivo é fazer com que as unidades deixem de ser associadas exclusivamente à formação médica e passem a abrigar um portfólio mais amplo”, afirma Gibbon. A atuação em áreas como enfermagem e fisioterapia reforça a posição da companhia como uma plataforma de educação em saúde. O crescimento dos outros cursos da área de saúde foi de 18% do primeiro semestre do ano passado para este. No total, são 30.350 estudantes de outros cursos da área de saúde (sem contar com os alunos de medicina). Enquanto a graduação amadurece, a empresa também amplia sua atuação em educação continuada. A receita da área chegou a R$ 143,9 milhões no primeiro semestre, alta de 4,6%, enquanto a base de alunos cresceu 23,6%, para 56.237 estudantes. O resultado foi impulsionado principalmente pela maior captação em programas de curta duração. Alguns dos cursos são complementares à formação técnica, trabalhando competências que acompanhem as mudanças no exercício da profissão. Desde 2022, o portfólio inclui cursos de soft skills como gestão de clínicas, marketing pessoal e comunicação, entre outras áreas. Agora, segundo o CEO, a IA adiciona uma nova camada a esse processo. “O objetivo da companhia é construir um ecossistema no qual o médico possa encontrar, em uma única plataforma, ferramentas para atualização, produtividade, tomada de decisão e acompanhamento de pacientes”, explica Gibbon.

A companhia pretende ampliar a penetração de seus serviços entre os médicos brasileiros. Atualmente, a Afya alcança cerca de 300 mil profissionais e trabalha para aumentar essa participação de aproximadamente um terço para 40% dos médicos do país. A estratégia passa principalmente pelas soluções digitais, mas também envolve atualização profissional, protocolos, preparatórios e ferramentas para a rotina clínica. A IA é uma das apostas para acelerar essa frente. Para tanto, a companhia incorporou recursos de IA à sua plataforma, incluindo transcrição de consultas e apoio à tomada de decisão clínica. A prescrição digital e a solicitação de exames também estão integradas às soluções, com curadoria médica. A ambição é que a tecnologia acompanhe o profissional desde a formação. Hoje, 80% da base de médicos da companhia é formada por profissionais com até dez anos de carreira, um perfil que, segundo o CEO, tende a acelerar a adoção de novas tecnologias. “O médico que hoje é considerado quase nativo digital deverá tornar-se nativo em inteligência artificial nos próximos anos”, diz Gibbon. A estratégia de crescimento da Afya também incorpora uma dimensão de inclusão social, ao ampliar o acesso tanto à formação médica quanto aos serviços de saúde em regiões historicamente menos atendidas. Na graduação, cerca de 10% da base de alunos recebe bolsas integrais por meio do ProUni, mecanismo que amplia as oportunidades de acesso ao ensino superior e, ao mesmo tempo, integra a agenda de responsabilidade social do negócio.

A atuação em municípios com menor densidade de médicos também contribui para reduzir desigualdades regionais na oferta de profissionais de saúde. Ao instalar escolas e oferecer formação nessas localidades, a Afya ajuda a criar uma estrutura para que novos médicos sejam formados onde a demanda é maior. Como parte dos estudantes tende a permanecer na região depois de graduado, aumenta a oferta de atendimento à população. Nesse sentido, a expansão da companhia combina crescimento da base de alunos com um impacto potencial de longo prazo sobre o acesso à saúde em áreas mais carentes de profissionais e infraestrutura. Mais Lidas

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