Valor 1000: CPFL alcança sexto título em energia elétrica e reforça resiliência

Valor 1000: CPFL alcança sexto título em energia elétrica e reforça resiliência - Foto
Fonte da notícia: Valor Valor

Grupo renovou concessões de distribuição por mais 30 anos e aposta no futuro leilão de armazenamento Julio Bittencourt/Valor Quando as águas cobriram bairros inteiros no Rio Grande do Sul em 2024, a CPFL Energia buscou analisar e mapear o que poderia ser feito para reforçar a resiliência dos seus ativos. As enchentes tinham atingido 8% das operações do grupo no país. Mais do que reformas civis, a estratégia representou uma transformação de inteligência. No ano passado, foi elaborado um plano integrado de adaptação climática, abrangendo as operações de geração, transmissão e distribuição. Implantou-se um terceiro centro de operação, fez-se a elevação de equipamentos sensíveis, criou-se estoque estratégico de alguns equipamentos fundamentais para as redes de distribuição, adotou-se reforço de fundações em regiões suscetíveis a alagamentos e até uma nova frota de veículos foi incorporada. Além de modelos de utilitários esportivos, os carros agora adotam snorkels — tubos de respiração adaptados para o sistema de combustão interna do automóvel. A maior resiliência dos ativos se combina a um novo cenário aberto pela renovação dos contratos de distribuição, assinada com o governo federal em maio, pela qual concessionárias da CPFL Energia que atendem a cerca de dez milhões de consumidores em São Paulo e Rio Grande do Sul tiveram os ativos renovados por mais 30 anos. O processo permite, por exemplo, que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) reconheça custos de capital e de operação entre revisões tarifárias, que hoje só ocorrem a cada quatro ou cinco anos, podendo antecipar, portanto, a remuneração das empresas em um prazo mais curto. O detalhamento da regulação ainda será feito pela agência. Isso pode destravar investimentos ainda mais maciços na instalação de medidores inteligentes em todas as categorias de clientes e Estados. “Isso permitiria mais informações e melhores serviços”, diz o presidente da empresa, Gustavo Estrella. Mesmo em meio à discussão regulatória, a CPFL tem investido em mais tecnologia em sua rede. Na distribuição, mais de 80% dos R$ 5 bilhões em investimentos foram direcionados para modernização e resiliência da rede, com foco em automação, digitalização e confiabilidade do fornecimento. O programa de medidores inteligentes conta com investimentos previstos de R$ 1,2 bilhão até 2029. Desde 2015, o grupo investe em religadores automáticos, uma tecnologia que reduz o tempo de interrupção para os clientes e aumenta a eficiência operacional. No fim de 2025, mais de 21 mil religadores já haviam sido instalados. A meta é chegar a 23.900 religadores até 2027. Serão investidos R$ 560 milhões. A digitalização tem melhorado os serviços e reduzido a interrupção de energia elétrica para os clientes. Entre 2023 e 2025, a Duração Equivalente de Interrupção (DEC) caiu 4,12% e a Frequência Equivalente de Interrupção (FEC) diminuiu 4,64%. Estrella: mais tecnologia na rede Bruno Kanashiro/Divulgação Mais eficiência permite à CPFL Energia estar preparada para a abertura do mercado livre de energia elétrica a todos os consumidores a partir de novembro de 2028, conforme decreto assinado pelo governo em agosto. “Isso traz mais competitividade e o desafio é entender o potencial de crescimento com a abertura”, afirma o executivo. A liderança no setor de energia elétrica no anuário Valor 1000, conquistada pela sexta vez e pelo terceiro ano consecutivo, ocorre em um momento em que a empresa avançou na estratégia de descarbonização. Em 2025, a CPFL Energia atingiu uma matriz de geração elétrica 100% renovável, antes da meta estipulada inicialmente para 2030, com a venda da participação que a empresa detinha em duas termelétricas movidas a combustíveis fósseis. Com a venda, a companhia eliminou sua exposição a ativos fósseis de geração, encerrando o ano com 4.072 megawatts de capacidade instalada de fontes limpas, divididas entre hidrelétricas, parques eólicos, usinas solares e biomassa. Como reflexo dessas decisões de portfólio e da melhoria das condições hidrológicas do país, a CPFL alcançou em 2025 uma redução de 62% em suas emissões brutas totais de gases de efeito estufa (GEE) em comparação ao ano-base de 2021 (uma diminuição absoluta de 977,6 mil toneladas de CO2 equivalente). Em 2025, a empresa figurou na sétima posição geral do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE B3), que avalia as 82 maiores carteiras da bolsa de valores do país. A companhia também manteve sua inclusão no Índice Carbono Eficiente (ICO2 B3) e, de forma inédita, alcançou a classificação máxima “Double A” no Carbon Disclosure Project (CDP), obtendo nota máxima simultaneamente em mudanças climáticas e em segurança hídrica. O avanço de fontes renováveis variáveis, como eólicas e solares, além da descentralização da geração com a míni e microgeração distribuída solar, traz desafios para a operação do sistema de distribuição e transmissão. O governo federal realizará em dezembro o primeiro leilão de contratação de sistemas de armazenamento. “Isso inaugura um negócio muito positivo”, diz Estrella. A empresa tem projetos cadastrados no certame e poderá participar desse negócio, que tem crescido com força fora do Brasil.

Arte/Valor Outra frente de expansão é a transmissão, em que detém mais de 6 mil quilômetros de linhas. No ano passado, a empresa conquistou um lote do leilão da Aneel, com investimento estimado em R$ 1,1 bilhão, ampliando a presença no Sul. A tendência é de que leilões com volumes expressivos de recursos continuem sendo feitos pelo governo federal diante da necessidade de reforços de linhas e do fato de que boa parte da geração renovável está no Nordeste enquanto 70% do consumo está na região Sudeste. Isso tem aumentado a concorrência. Em 2021, a empresa assumiu o controle da antiga Companhia Estadual de Transmissão de Energia Elétrica (CEEE-T), após arrematá-la em leilão de privatização na B3 por R$ 2,67 bilhões. O braço de transmissão opera grande parte da rede gaúcha de alta tensão. “Isso nos dá escala e permite sermos competitivos no segmento”, destaca o executivo. Em geração, o curtailment (corte de geração renovável) tem trazido prejuízos. Os cortes são impostos pelo Operador Nacional do Sistema (ONS), em razão da maior complexidade na operação do sistema elétrico com a expansão das fontes intermitentes, como eólicas e solares. O problema aumentou a partir de agosto de 2023, quando um apagão interrompeu a energia em 30% do país. O governo lançou em junho uma portaria para discutir o ressarcimento entre 2023 e novembro de 2025. “É um importante avanço, mas a discussão dos critérios de corte ainda precisa ser regulada e passará por discussão com a Aneel”, diz Estrella.

Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X

Deseja ler a íntegra original na fonte jornalística?

Acessar matéria no site Valor