O pequeno laboratório de análises clínicas fundado em 1926 pelos médicos Gastão Fleury e Walter Leser no centro de São Paulo chegou aos 100 anos como o segundo maior grupo de medicina diagnóstica do país. Com 584 unidades instaladas em 14 estados, 77 milhões de atendimentos e 368 milhões de exames realizados em 2025, o Grupo Fleury lidera o ranking do setor de serviços médicos desta edição do Valor 1000, parceria entre Valor Econômico e Época NEGÓCIOS. Encerrou 2025 com receita líquida de R$ 8,29 bilhões, avanço anual de 7,9%, e segue com a meta de expansão que combina crescimento orgânico com aquisições.
A comemoração do centenário em 2026 foi marcada pela inauguração da unidade Marco 100, em São Paulo. Foram investidos R$ 35 milhões no complexo, que oferece um portfólio completo de medicina diagnóstica e um centro para pessoas acima de 35 anos de idade que querem longevidade com saúde (Fleury Lifecare). “Queremos nos fortalecer como um dos líderes em saúde no Brasil, por meio da inovação e de uma medicina cada vez mais integrada. Além da medicina diagnóstica, o Marco 100 funciona como um centro de prevenção, com foco em longevidade saudável e ativa, que é uma das tendências para o futuro”, diz Jeane Tsutsui, CEO do Grupo Fleury. A receita bruta do grupo atingiu recorde de R$ 9 bilhões no ano passado, crescimento de 8,2% sobre 2024. O atendimento direto ao consumidor (B2C) representou 69% da receita total; o B2B, unidade de negócios que reúne 9.300 laboratórios em 2.200 municípios, 22%; e 9% foi a participação da vertical Novos Elos, que reúne 15 clínicas de infusão de medicamentos e serviços de ortopedia, oftalmologia, medicina reprodutiva, oncologia e plataformas digitais para integração entre marcas e laboratórios. A CEO destaca que a empresa terminou o ano com uma forte geração de caixa, com uma margem Ebitda de 25,6% e um lucro de R$ 613 milhões. “Tivemos um crescimento de market share nas principais praças onde atuamos, São Paulo, Rio e Minas, e fizemos a aquisição de três empresas de medicina diagnóstica em regiões diferentes, mesmo enfrentando um momento macroeconômico de juros elevados”, comenta. Apesar do peso do crescimento orgânico na marca Fleury, as aquisições a partir dos anos 2000 foram relevantes para a consolidação da companhia. Foram 49 aquisições, a maior delas a do Instituto Hermes Pardini, finalizada em 2003, por cerca de R$ 2,4 bilhões. No ano passado, o Fleury concluiu a compra do Confiance, com unidades em Campinas (SP) e região, do laboratório Hemolab, rede com 15 unidades em Minas Gerais, e da rede LSL, sediada em Rio Claro (SP). Em novembro, anunciou a compra do Femme, rede de referência no atendimento ao público feminino na cidade de São Paulo, que aguarda aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). “A estratégia do Grupo Fleury, executada em 2025 e planejada para os próximos anos, combina crescimento orgânico, com ganho de market share, aumentando a competitividade dos negócios, e inorgânico, principalmente em medicina diagnóstica, onde conseguimos integrar rapidamente e capturar sinergias”, afirma Tsutsui. Ao longo da sua trajetória, o Fleury adotou novas tecnologias aplicadas à precisão diagnóstica e a inovação nos serviços. Em 1998, foi a primeira empresa do mundo a disponibilizar resultados de exames na internet. Desenvolveu os primeiros testes nacionais para a detecção do vírus H1N1, em 2009, e, em 2023, trouxe para o Brasil exames como o Precivit AD2, para o diagnóstico de Alzheimer a partir de amostras de sangue. “Toda a trajetória do Fleury foi muito pautada no que a ciência nos traz de embasamento, seja na inovação, na prática médica ou na qualidade técnica”, resume a CEO. Em 2025, o grupo investiu R$ 506 milhões, principalmente na área de tecnologia e digitalização de dados. “Investimos em sistemas de agendamento digital, em áreas técnicas, produtos e serviços, aumentando a capacidade produtiva”, diz. Cita como exemplo a nova tecnologia de automação, que aumenta a capacidade de processamento para 84 milhões de exames por ano na unidade Lab to Lab.
A inteligência artificial (IA) ganha cada vez mais espaço na marca Fleury. A companhia já emprega 50 tipos de ferramentas baseadas em IA para ganho de produtividade, eficiência operacional e para melhorar a jornada do cliente. As aplicações vão do agendamento digital ao uso nos exames de imagem, como ressonância magnética, com redução de 50% no tempo de captura dos exames, e em tomografia computadorizada para aumentar a detecção de casos de doenças mais graves. A próxima etapa é o uso de agentes de IA – softwares capazes de executar tarefas sem intervenção humana – para ganhar mais produtividade e eficiência, em um modelo escalável.
Na visão da executiva, o futuro está sendo moldado pelas novas tecnologias. Ela dá como exemplo a joint venture com o Hospital Israelita Albert Einstein focada em pesquisa, desenvolvimento e oferta de exames avançados na área de genômica e medicina de precisão, em operação desde 2024. Os critérios ambientais, sociais e de governança (ESG) fazem parte da estratégia de negócios e metas financeiras há 20 anos. “Começamos com qualidade, mas ao longo do tempo a visão de sustentabilidade passou por várias frentes. O principal para uma empresa de saúde é o aspecto social e, nesse ponto de vista, a gente olha muito para a ampliação de acesso e para a questão de diversidade, equidade e inclusão”, resume Tsutsui. As primeiras iniciativas do programa de diversidade e inclusão foram em 2011. Hoje, quase 80% dos 23 mil colaboradores são mulheres, 70% ocupando cargos de liderança. Em 2013, o grupo Fleury entrou para o Índice de Sustentabilidade Empresarial da B3 (a abertura de capital na bolsa foi em 2009) e, em 2020, passou a integrar o Índice Dow Jones Best-in-Class Index (DJSI) na categoria global de Mercados Emergentes da Bolsa de Nova York. No social, a CEO destaca o apoio para laboratórios com “exames de alta qualidade para pessoas que antes precisavam se deslocar para ter acesso (ao diagnóstico)” e a emissão de R$ 1 bilhão em debêntures atrelada a métricas ESG, em 2021. Um dos compromissos era atender pessoas das classes C, D e E, sem plano de saúde. “Em 2025, atingimos 1,8 milhão de pacientes atendidos pelos nossos serviços”, relata. No ambiental, as iniciativas incluem geração de resíduos biológicos e instalação de usinas fotovoltaicas que fornecem a energia consumida pelo Grupo Fleury. “Nossa visão de sustentabilidade é muito voltada para a geração de valor e promoção da saúde”, enfatiza.O pequeno laboratório de análises clínicas fundado em 1926 pelos médicos Gastão Fleury e Walter Leser no centro de São Paulo chegou aos 100 anos como o segundo maior grupo de medicina diagnóstica do país. Com 584 unidades instaladas em 14 estados, 77 milhões de atendimentos e 368 milhões de exames realizados em 2025, o Grupo Fleury lidera o ranking do setor de serviços médicos desta edição do Valor 1000. Encerrou 2025 com receita líquida de R$ 8,29 bilhões, avanço anual de 7,9%, e segue com a meta de expansão que combina crescimento orgânico com aquisições.
A comemoração do centenário em 2026 foi marcada pela inauguração da unidade Marco 100, em São Paulo. Foram investidos R$ 35 milhões no complexo, que oferece um portfólio completo de medicina diagnóstica e um centro para pessoas acima de 35 anos de idade que querem longevidade com saúde (Fleury Lifecare). “Queremos nos fortalecer como um dos líderes em saúde no Brasil, por meio da inovação e de uma medicina cada vez mais integrada. Além da medicina diagnóstica, o Marco 100 funciona como um centro de prevenção, com foco em longevidade saudável e ativa, que é uma das tendências para o futuro”, diz Jeane Tsutsui, CEO do Grupo Fleury. A receita bruta do grupo atingiu recorde de R$ 9 bilhões no ano passado, crescimento de 8,2% sobre 2024. O atendimento direto ao consumidor (B2C) representou 69% da receita total; o B2B, unidade de negócios que reúne 9.300 laboratórios em 2.200 municípios, 22%; e 9% foi a participação da vertical Novos Elos, que reúne 15 clínicas de infusão de medicamentos e serviços de ortopedia, oftalmologia, medicina reprodutiva, oncologia e plataformas digitais para integração entre marcas e laboratórios. A CEO destaca que a empresa terminou o ano com uma forte geração de caixa, com uma margem Ebitda de 25,6% e um lucro de R$ 613 milhões. “Tivemos um crescimento de market share nas principais praças onde atuamos, São Paulo, Rio e Minas, e fizemos a aquisição de três empresas de medicina diagnóstica em regiões diferentes, mesmo enfrentando um momento macroeconômico de juros elevados”, comenta. Apesar do peso do crescimento orgânico na marca Fleury, as aquisições a partir dos anos 2000 foram relevantes para a consolidação da companhia. Foram 49 aquisições, a maior delas a do Instituto Hermes Pardini, finalizada em 2003, por cerca de R$ 2,4 bilhões. No ano passado, o Fleury concluiu a compra do Confiance, com unidades em Campinas (SP) e região, do laboratório Hemolab, rede com 15 unidades em Minas Gerais, e da rede LSL, sediada em Rio Claro (SP). Em novembro, anunciou a compra do Femme, rede de referência no atendimento ao público feminino na cidade de São Paulo, que aguarda aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). “A estratégia do Grupo Fleury, executada em 2025 e planejada para os próximos anos, combina crescimento orgânico, com ganho de market share, aumentando a competitividade dos negócios, e inorgânico, principalmente em medicina diagnóstica, onde conseguimos integrar rapidamente e capturar sinergias”, afirma Tsutsui. Ao longo da sua trajetória, o Fleury adotou novas tecnologias aplicadas à precisão diagnóstica e a inovação nos serviços. Em 1998, foi a primeira empresa do mundo a disponibilizar resultados de exames na internet. Desenvolveu os primeiros testes nacionais para a detecção do vírus H1N1, em 2009, e, em 2023, trouxe para o Brasil exames como o Precivit AD2, para o diagnóstico de Alzheimer a partir de amostras de sangue. “Toda a trajetória do Fleury foi muito pautada no que a ciência nos traz de embasamento, seja na inovação, na prática médica ou na qualidade técnica”, resume a CEO. Em 2025, o grupo investiu R$ 506 milhões, principalmente na área de tecnologia e digitalização de dados. “Investimos em sistemas de agendamento digital, em áreas técnicas, produtos e serviços, aumentando a capacidade produtiva”, diz. Cita como exemplo a nova tecnologia de automação, que aumenta a capacidade de processamento para 84 milhões de exames por ano na unidade Lab to Lab.
A inteligência artificial (IA) ganha cada vez mais espaço na marca Fleury. A companhia já emprega 50 tipos de ferramentas baseadas em IA para ganho de produtividade, eficiência operacional e para melhorar a jornada do cliente. As aplicações vão do agendamento digital ao uso nos exames de imagem, como ressonância magnética, com redução de 50% no tempo de captura dos exames, e em tomografia computadorizada para aumentar a detecção de casos de doenças mais graves. A próxima etapa é o uso de agentes de IA – softwares capazes de executar tarefas sem intervenção humana – para ganhar mais produtividade e eficiência, em um modelo escalável.
Na visão da executiva, o futuro está sendo moldado pelas novas tecnologias. Ela dá como exemplo a joint venture com o Hospital Israelita Albert Einstein focada em pesquisa, desenvolvimento e oferta de exames avançados na área de genômica e medicina de precisão, em operação desde 2024. Os critérios ambientais, sociais e de governança (ESG) fazem parte da estratégia de negócios e metas financeiras há 20 anos. “Começamos com qualidade, mas ao longo do tempo a visão de sustentabilidade passou por várias frentes. O principal para uma empresa de saúde é o aspecto social e, nesse ponto de vista, a gente olha muito para a ampliação de acesso e para a questão de diversidade, equidade e inclusão”, resume Tsutsui. As primeiras iniciativas do programa de diversidade e inclusão foram em 2011. Hoje, quase 80% dos 23 mil colaboradores são mulheres, 70% ocupando cargos de liderança. Em 2013, o grupo Fleury entrou para o Índice de Sustentabilidade Empresarial da B3 (a abertura de capital na bolsa foi em 2009) e, em 2020, passou a integrar o Índice Dow Jones Best-in-Class Index (DJSI) na categoria global de Mercados Emergentes da Bolsa de Nova York. No social, a CEO destaca o apoio para laboratórios com “exames de alta qualidade para pessoas que antes precisavam se deslocar para ter acesso (ao diagnóstico)” e a emissão de R$ 1 bilhão em debêntures atrelada a métricas ESG, em 2021. Um dos compromissos era atender pessoas das classes C, D e E, sem plano de saúde. “Em 2025, atingimos 1,8 milhão de pacientes atendidos pelos nossos serviços”, relata. No ambiental, as iniciativas incluem geração de resíduos biológicos e instalação de usinas fotovoltaicas que fornecem a energia consumida pelo Grupo Fleury. “Nossa visão de sustentabilidade é muito voltada para a geração de valor e promoção da saúde”, enfatiza.
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