Valor 1000: Com receita recorde, Embraer chega ao topo do setor de veículos e peças

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O negócio de aviação executiva cresce e gera demanda por prestação de serviços da Embraer Julio Bittencourt/Valor Expansão dos negócios e evolução do desempenho financeiro marcaram 2025 para a Embraer. A companhia atingiu receita de US$ 7,6 bilhões, maior patamar da sua história, e margem Ebit ajustada de 8,6%. O fluxo de caixa livre superou US$ 490 milhões — valor gerado após o pagamento de despesas e investimentos (resultados sem considerar a Eve, subsidiária dedicada à inovação em mobilidade aérea urbana). “Nossa estratégia, pautada em eficiência e inovação, sustenta o crescimento e os resultados positivos”, destaca Francisco Gomes Neto, CEO da Embraer. De acordo com o executivo, no ano passado, houve avanço nas vendas em todas as unidades de negócios, com alta de 18% nas entregas totais, chegando a 244 aeronaves. A robustez da operação levou a companhia à liderança do setor de veículos e peças no anuário Valor 1000 em 2026. Na aviação executiva, o Phenom 300 foi líder de vendas e os jatos Praetor 500 e 600 aumentaram suas participações no mercado. Essa demanda levou à aceleração da expansão industrial em Gavião Peixoto (SP) e em Melbourne, na Flórida (Estados Unidos), comenta Gomes Neto. Nessa área, a Embraer vem ampliando a produtividade. Um dos casos emblemáticos é que o tempo de produção dos jatos da família Praetor caiu de 18 meses em 2021 para 8,5 meses atualmente, uma redução de quase 53%. Já no segmento de defesa e segurança, o resultado de 2025 foi puxado principalmente pela demanda internacional pelo cargueiro KC-390 Millennium e pela aeronave leve de ataque Super Tucano. A carteira de pedidos fechou 2025 em US$ 4,6 bilhões, com 10% de crescimento sobre o ano anterior, e chegou a US$ 6,1 bilhões no fim do primeiro semestre de 2026, valor 42% maior do que o registrado um ano antes. Gomes Neto, CEO: projeções em alta Divulgação A trajetória ascendente em 2025 não esteve livre de adversidades, em um cenário marcado pela complexidade de custos decorrente das tarifas de importação dos Estados Unidos e por questões ligadas à gestão da cadeia global de suprimentos. “Enfrentamos esses desafios operacionais por meio de maior colaboração com parceiros, digitalização de processos e ferramentas de inteligência artificial para gerenciar a produção em tempo real”, explica o CEO. As tarifas impostas por Donald Trump foram aplicadas entre abril de 2025 e fevereiro deste ano. Jatos e peças foram submetidos a uma taxa de 10%. O impacto para a Embraer totalizou US$ 75 milhões, sendo que a aviação executiva representou 88% (US$ 66 milhões), seguida pela área de serviços e suporte (US$ 9 milhões). Embora as aeronaves comerciais também estivessem sujeitas à tarifa de importação, o custo foi absorvido pelos clientes, sem efeito negativo para a companhia. Em 20 de fevereiro de 2026, a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou o primeiro tarifaço, ao avaliar que a lei usada por Trump (IEEPA) não concede ao presidente poder de impor tarifas de importação sem a aprovação do Congresso. Depois, no fim de fevereiro, o governo dos Estados Unidos criou uma nova tarifa global de 10% sobre produtos importados. Entretanto, alguns setores, como a aviação, ficaram fora, voltando a ter alíquota zerada. O mercado americano segue relevante para a Embraer. Por isso, além da expansão da produção de jatos executivos em Melbourne, a companhia está investindo US$ 70 milhões no segmento de serviços e suporte na nova unidade de Fort Worth, no Texas, o que aumentará a capacidade de atendimento em 53% até 2027. Na aviação comercial, o E175 segue com ritmo forte de vendas nos Estados Unidos.

Arte/Valor Segundo Gomes Neto, para 2026, as projeções se mantêm positivas. A companhia estima avanço da receita anual para uma faixa entre US$ 8,2 bilhões e US$ 8,5 bilhões, com margem Ebit ajustada entre 10% e 10,6% e fluxo de caixa livre sem Eve de US$ 400 milhões ou maior. A previsão para a aviação comercial é de entregas entre 80 e 85 aeronaves e, na aviação executiva, entre 160 e 170 aeronaves. Após números positivos nos três primeiros meses do ano, dados referentes ao segundo trimestre indicam que a companhia segue caminho promissor. A Embraer registrou o maior número de entregas em um segundo trimestre nos últimos 16 anos, totalizando 65 aeronaves. Na aviação comercial, houve crescimento de 5% nas entregas; na executiva, o salto foi de 18%. A receita líquida foi de US$ 2,24 bilhões, com avanço de 23% na comparação anual, e margem Ebit ajustada de 10,6%. A Embraer encerrou o segundo trimestre com uma carteira de pedidos firmes (backlog) de US$ 34,5 bilhões, alta de 16% em relação ao mesmo período do ano anterior, o sétimo recorde consecutivo. Além da disciplina financeira e gestão operacional, a Embraer precisa sustentar investimento elevado em pesquisa, desenvolvimento e aplicações. A companhia destina, em média, 5% da sua receita anual para inovação. Esse comprometimento contínuo tem gerado resultados: entre 40% e 50% da receita decorre de produtos desenvolvidos nos cinco anos anteriores. Esse esforço se distribui entre diferentes frentes e prazos. No horizonte mais próximo, o foco se mantém no negócio principal e em melhorias para os clientes que vão gerar resultados rápidos. No médio prazo, ganham relevância as oportunidades em novos negócios, como satélites, radares e manutenção de turbinas (a Embraer não produz esses equipamentos, mas presta serviços, por meio da subsidiária OGMA, em Portugal). Já no longo prazo, a empresa trabalha com projetos capazes de romper com modelos de negócios tradicionais, como os veículos aéreos elétricos com sistema de pouso e decolagem vertical, os eVTOL. A subsidiária Eve Air Mobility avança no desenvolvimento de um eVTOL, chamado popularmente de “carro voador”, aeronave compacta, 100% elétrica, e capacidade para piloto e quatro passageiros. O projeto, concebido para mobilidade urbana, começou em 2017. “Tivemos um marco fundamental com o voo inaugural do protótipo do eVTOL no final do ano passado”, afirma Gomes Neto. A produção será em Taubaté, no interior de São Paulo, e a empresa conta com cerca de três mil pedidos de reserva. De acordo com o CEO da Embraer, uma das vertentes de inovação inclui transição energética e adoção de tecnologias limpas. A companhia tem a meta de chegar à neutralidade de carbono nos escopos 1 e 2 até 2040, num esforço que compreende aumento da eficiência das aeronaves, compra de energia de fontes renováveis e uso de painéis solares nas fábricas. O portfólio atual da empresa está apto a voar com a mistura de 50% de SAF, combustível sustentável de aviação, limite hoje permitido por autoridades aeronáuticas no mundo. Mas, como explica Gomes Neto, a Embraer já fez testes bem-sucedidos usando 100% de SAF na aeronave.

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