A Basf avançou na transformação de seu modelo de gestão simplificando estruturas. Em 2025, ampliou responsabilidades locais, aproximou as decisões dos clientes e investiu em operações mais eficientes, digitais e sustentáveis. No ano passado, o Brasil permaneceu como o principal mercado da companhia na América do Sul, com vendas de 2,83 bilhões de euros – o total na região foi de 3,67 bilhões de euros. A receita líquida, nos últimos dois anos, manteve-se estável: R$ 18,32 bilhões em 2025 contra R$ 18,31 bilhões em 2024. A Basf é a campeã do setor de Química e Petroquímica do Valor 1000, prêmio realizado em parceria entre o Valor Econômico e Época NEGÓCIOS. O setor químico, marcado no ano passado pela forte concorrência com as importações, segue diante de forte pressão competitiva, condições financeiras restritivas e volatilidade externa. “Ao mesmo tempo, o Brasil continua apresentando oportunidades importantes em diferentes cadeias nas quais a Basf atua”, destaca a vice-presidente sênior da Basf no Brasil, Priscila Camara.
A empresa vem acompanhando a evolução das condições de financiamento, da demanda industrial, da implementação da reforma tributária e o ambiente internacional. “Adotamos um planejamento por cenários, que nos permite reagir com agilidade às mudanças do mercado”, acrescenta a executiva. Um dos eixos estratégicos da Basf é a sustentabilidade, que é apoiada por tecnologia e inovação. Tem ações concentradas em descarbonização, eficiência energética, gestão de água e resíduos, além de conservação da biodiversidade, com foco no desenvolvimento de soluções que combinem desempenho técnico, benefício ambiental e viabilidade econômica. “Isso é essencial porque a transformação sustentável só ganha escala quando também gera valor e competitividade para os clientes”, afirma Priscila.
Priscila Camara, vice-presidente sênior da Basf no Brasil: oportunidades no país Divulgação Entre os investimentos associados ao ciclo 2025/2026, duas iniciativas demonstram essas prioridades. Uma delas está no Complexo Químico Industrial de Guaratinguetá (SP) – onde a empresa produz produtos químicos destinados a setores diversos, incluindo automotivo, agronegócio, tintas e resinas.
Trata-se de um projeto de descarbonização, com a eletrificação de uma caldeira, que exigiu R$ 41 milhões em investimentos. Entra em operação até o final do ano e permitirá significativa redução do consumo de gás natural e das emissões da geração de vapor.
A segunda iniciativa terá vez nos próximos meses, na unidade de São Bernardo do Campo (SP), onde ocorre a fabricação de plásticos de engenharia, como poliamida e poliuretano. Lá, haverá a ampliação da capacidade de criar, testar e desenvolver protótipos de soluções em parceria com os clientes.
No Brasil, além de Guaratinguetá e São Bernardo do Campo, a Basf concentra sua produção em outras duas grandes unidades: Camaçari (BA) e Jacareí (SP), contando com eletricidade de fontes renováveis em suas operações. Seu programa Triple E reúne iniciativas de eficiência energética. A empresa também está aumentando a circularidade e o uso eficiente dos recursos.
“Priorizamos reciclagem, reuso e outras aplicações para os resíduos industriais”, aponta Priscila. Ela dá um exemplo. Em Guaratinguetá, projetos de eficiência não só reduziram a captação do Rio Paraíba do Sul como a estação de tratamento consegue recuperar cerca de 900 mil metros cúbicos de água por ano. Segundo a executiva, no ano passado, as Sustainable-Future Solutions (soluções sustentáveis para o futuro) representaram 48,5% das vendas globais elegíveis – produtos integrantes de uma metodologia que considera seu desempenho ambiental e social, aplicações e seus mercados. A intenção é superar 50% até 2030.
No mesmo período, as Loop Solutions, voltadas à circularidade, alcançaram 5,8 bilhões de euros em vendas, com a meta de chegar a 10 bilhões de euros até 2030. “Sustentabilidade não é apenas redução de impacto. É também uma fonte de inovação, diferenciação e crescimento”, frisa Priscila. Ela conta que, no Brasil, a empresa já aplica inteligência artificial, visão computacional, drones e suporte remoto no apoio à segurança, manutenção, gestão de estoques e tratamento de efluentes. O maior ganho está em melhorar a qualidade e a velocidade da decisão humana.
“Por isso, combinamos tecnologia com capacitação, governança e conhecimento técnico. A IA funciona como um copiloto das pessoas, liberando tempo de atividades repetitivas”, afirma. Para 2027 a prioridade da empresa será fortalecer a estrutura local e regional dentro da lógica Local for Local. “É desenvolver e produzir mais próximo dos clientes, reduzir vulnerabilidades de abastecimento e responder com maior velocidade às necessidades da indústria brasileira”, salienta a vice-presidente.
Essa estratégia vem ganhando relevância diante de um cenário global como o atual, marcado por tensões geopolíticas e conflitos armados, entre eles a guerra na Ucrânia e no Irã. Este último criou dificuldades logísticas e elevação de preços de insumos por conta do fechamento do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas do comércio mundial, por onde passam cerca de 20% do petróleo consumidos no planeta.
Essas tensões e conflitos podem afetar a indústria química por seus impactos sobre energia, matérias-primas, logística, câmbio e fluxos comerciais internacionais. “Em uma indústria altamente integrada globalmente, mudanças nessas variáveis podem influenciar custos, disponibilidade de insumos e competitividade entre diferentes regiões”, destaca Priscila.
Para a executiva, produzir e desenvolver soluções de forma mais próxima dos clientes ajuda a reduzir vulnerabilidades e aumentar a capacidade de resposta. “Além disso, torna as cadeias de abastecimento mais resilientes em um ambiente global cada vez mais volátil”, diz.
Nos últimos três anos, a Basf ampliou a capacidade de produção de vários produtos no país. Um deles foi o metilado de sódio (catalisador usado para fazer biodiesel), para 90 mil toneladas anuais em seu Complexo Químico de Guaratinguetá.
Outra expansão, a partir de um aporte de R$ 20 milhões, ocorreu no Complexo Acrílico de Camaçari (BA) para produzir mais polímeros superabsorventes (SAP, usados na fabricação de fraldas, por exemplo), que faz parte de um programa mais amplo, de R$ 350 milhões, entre 2022 e 2032, visando a modernização das instalações. Também nacionalizou uma etapa estratégica da produção de poliamida – um plástico de engenharia – em sua unidade de São Bernardo do Campo, reduzindo a dependência de fornecedores externos. A Basf, diz Priscila, vê, para os próximos anos, oportunidades de negócios no Brasil especialmente em setores como higiene e cuidados pessoais, biocombustíveis, infraestrutura, mobilidade, modernização industrial e agricultura. Mais Lidas
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