Com receita de R$ 50,1 bilhões em 2025, 6% a mais que a do ano anterior, a Suzano é, mais uma vez, a campeã do setor de papel e celulose no Valor 1000, prêmio que é uma parceria entre Época NEGÓCIOS e Valor Econômico. As vendas consolidadas de celulose e diferentes tipos de papéis alcançaram 14,2 milhões de toneladas no período, um recorde da companhia. O ano também foi importante para a consolidação de um ciclo de R$ 70 bilhões de investimentos programados para os últimos cinco anos, o que permitiu transformar expansão de capacidade em resultado operacional. Para este ano, as previsões também são otimistas. Desde julho, a Suzano detém 51% da Arbex, empresa resultante da joint venture com a Kimberly-Clark no mercado de tissue (produtos de bens de consumo), um negócio avaliado em US$ 3,7 bilhões. “Em 2026, graças ao fato de consolidarmos 100% do resultado da Arbex, haverá um aumento relevante de receita devido à entrada da joint venture em nosso portfólio”, sinaliza Beto Abreu, presidente da Suzano. O preço da celulose no mercado global e o câmbio também têm impacto sobre as receitas da empresa, que exporta 88% de sua produção. “O faturamento depende do preço da celulose e do câmbio; toda vez que o real se valoriza, como exportamos muito, o faturamento em reais pode cair”, explica o executivo.
No primeiro semestre de 2026, a receita acumulada totalizou R$ 22,5 bilhões, 9% a menos do que R$ 24,8 bilhões no mesmo período de 2025, enquanto o lucro líquido no período totalizou R$R$ 6,119 bilhões, queda de 46% em relação aos R$11,36 bilhões do primeiro semestre de 2025, em razão de efeitos cambiais contábeis. “Apesar da queda na comparação anual do semestre, esse resultado deve se normalizar. Em 2026, tivemos uma redução de volume, mas o principal fator, este ano, é o câmbio, com a depreciação do dólar”, analisa Abreu. Neste ano, as tensões geopolíticas vêm elevando custos, sobretudo de energia. O aumento foi concentrado no segundo trimestre, mas Abreu destaca que, no semestre, os custos de caixa estão menores que no mesmo período do ano passado. “Temos conseguido ser eficientes o suficiente para absorver aumento de custos de gás e diesel. E temos instrumentos derivativos que nos protegem desse aumento de custos”, diz o presidente da companhia. Com 14 fábricas próprias (12 no Brasil e duas nos Estados Unidos) mais as 22 da Arbex, localizadas em14 mercados ao redor do mundo, a Suzano soma uma capacidade instalada de 13,4 milhões de toneladas anuais de celulose e cerca de 2 milhões de toneladas de papel e outros produtos. O acordo com a Kimberly-Clark deverá produzir sinergias de US$ 175 milhões anuais a partir do final do terceiro ano, segundo a informação divulgada no anúncio da transação. A expectativa é que esses ganhos sejam resultado, sobretudo, da melhoria de eficiência nas áreas de suprimentos, industrial, administrativa e logística.
Segundo Abreu, a equipe de gestão da unidade já está 100% alocada, e o conselho de administração, formado por três representantes da Suzano e dois da Kimberly-Clark, já realizou a primeira reunião. “Estamos focados em capturar os ganhos de valor e sinergias que desenhamos no acordo”, diz Abreu. Nos curto e médio prazos, a Suzano não tem intenção de exercer a opção de compra da totalidade do negócio, como previsto no anúncio do acordo.
Após a temporada de grandes aquisições e investimentos, a companhia elevou seu nível de alavancagem, encerrando o segundo trimestre de 2026 em 3,4 vezes, em dólar. A meta é reduzir o indicador para 2,5 vezes. A estratégia inclui geração de caixa, ganhos de eficiência e venda de ativos considerados não estratégicos. “A estratégia é concentrar toda a geração de caixa para a redução dessa alavancagem. À medida em que os investimentos que fizemos amadureçam, teremos essa redução”, projeta o presidente da Suzano. Segundo ele, como a celulose está inserida na lista de exceções, o tarifaço não altera a dinâmica desse mercado. Porém, o mercado de papéis gráficos, de imprimir e escrever e de embalagens está sujeito às tarifas revisadas recentemente, o que reduz a capacidade da indústria brasileira de competir no mercado norte-americano. A Suzano destaca em 2025 o início das operações de uma fábrica de Tissue em Aracruz (ES), onde a Suzano já possuía um complexo para a produção de celulose. A nova unidade é um dos projetos do ciclo de R$ 70 bilhões investidos nos últimos anos. O maior aporte do período foi destinado à construção da maior linha única de celulose do mundo, em Ribas do Rio Pardo (MS), que entrou em operação em julho de 2024, com investimento total de R$ 22,2 bilhões. Entre os movimentos recentes de aquisições, há outros destaques. Em 2024, a Suzano concluiu a aquisição de duas fábricas da Pactiv Evergreen nos Estados Unidos. Os ativos adicionaram cerca de 420 mil toneladas anuais de capacidade integrada de papel cartão e marcaram a entrada da companhia no segmento de embalagens para líquidos e copos de papel na América do Norte. Também em 2024, a Suzano concluiu a compra de uma participação de 15% na austríaca Lenzing, por 230 milhões de euros, ampliando sua exposição no mercado de fibras de celulose para têxteis e não tecidos.
Com modelo de negócio dependente de um meio ambiente equilibrado, a Suzano considera estratégicas frentes como descarbonização, restauração e conservação da biodiversidade. Na descarbonização, a companhia estabeleceu uma meta validada pela Science Based Targets initiative (SBTi) de reduzir em 50,4% as emissões absolutas dos escopos um e dois até 2032. A meta é ter, até 2028, 80% dos fornecedores e 80% dos clientes comprometidos com metas climáticas baseadas na ciência. Entre as iniciativas estão a substituição de óleo combustível por GNL, a gaseificação de biomassa em Ribas do Rio Pardo e projetos de eficiência energética, eletrificação, biocombustíveis, bioinsumos e otimização logística. Na restauração e na biodiversidade, o principal compromisso é conectar 500 mil hectares de áreas prioritárias no Cerrado, na Mata Atlântica e na Amazônia até 2030. Em 2025, foram conectados 55.366 hectares de vegetação nativa, levando o acumulado a 214.368 hectares, equivalente a 43% da meta.
Na frente de restauração, a empresa destaca o financiamento de R$ 250 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com recursos do Fundo Clima, para a restauração de 24 mil hectares de áreas degradadas em regiões de preservação permanente e de reserva legal nos biomas Cerrado, Mata Atlântica e Amazônia. Essa área vai se somar aos cerca de 1,1 milhão de hectares de áreas conservadas detidas pela Suzano.
Epoca Negócios