Talentos e tecnologia contribuem para a Ambev manter liderança no mercado de cervejas Julio Bittencourt/Valor A Ambev opera com a ambição de construir o futuro da categoria cerveja no Brasil. Os números respaldam essa confiança, já que há mais de uma década a empresa lidera o mercado brasileiro em volume, com aproximadamente 60% de participação, segundo estimativa da Moody’s Local Brasil, seguida por Heineken e grupo Petrópolis. “Temos ativos únicos para fazer isso: um portfólio amplo, com marcas fortes do core ao premium e novas propostas em wellness e beyond beer, além de marcas relevantes, capacidade de execução, tecnologia e, principalmente, pessoas talentosas e apaixonadas pelo que fazem”, diz Carlos Lisboa, CEO da Ambev. A subsidiária controlada da Anheuser-Busch InBev (AB InBev) foi a primeira colocada no setor de alimentos e bebidas no anuário Valor 1000. Um indicador importante para a Ambev e significativo para a classificação foi a margem Ebitda ajustada. “Encerramos o ano com R$ 29,5 bilhões, crescimento orgânico de 5,6% versus 2024, lucro líquido ajustado de R$ 15,1 bilhões e expansão da margem Ebitda ajustada pelo terceiro ano consecutivo, alcançando 33,4%”, diz Patrick Conrad, diretor sênior de relações com investidores da Ambev. A receita líquida, segundo o relatório 2025 para investidores, foi de R$ 88,24 bilhões com crescimento orgânico em 2025 de 4% (-1,4% no reportado). O ano, no entanto, fechou com queda de 3,3% no volume, o que foi compensado por uma maior eficiência e rentabilidade operacional, segundo a transnacional. “Em 2025, a força das nossas marcas e a execução consistente da nossa estratégia impulsionaram o crescimento de um dígito médio do Ebitda ajustado, apesar de um ambiente dinâmico no Brasil”, afirma Lisboa, que passou mais de 30 anos na AB InBev, até chegar ao atual posto no ano passado. Revista Valor1000 20260909 Carlos Eduardo Lisboa_Ambev_Foto Germano Luders_Divulgação Ambev/Divulgação A empresa considera que a agenda de otimização e eficiência vem fortalecendo a base do negócio, com mais disciplina na alocação de recursos, mais qualidade na execução e geração de valor sustentável. E identifica resultados em 2026. Em nota, afirma ter entregado um segundo trimestre sólido, com demonstrativo saudável “da primeira à última linha e ganho de participação em todos os segmentos de cerveja”. E computa mais sinais de otimismo. Em volumes de cerveja no Brasil, a Ambev registrou um avanço de 5% no segundo trimestre de 2026 (período que coincidiu com metade da Copa do Mundo), superando a própria indústria, que cresceu perto de 1%. Três frentes contribuíram especialmente para os resultados de 2025. A primeira foi o foco na liderança e expansão da categoria cerveja, que “segue sendo uma categoria amada e culturalmente relevante”, segundo a empresa. O segundo, a decisão de digitalizar e monetizar o ecossistema da Ambev, que conta com o canal B2B, o BEES, como um impulsionador. E, por fim, a otimização do negócio. Neste ano, a companhia continua fortalecendo seu ecossistema digital. “O BEES elevou a qualidade da execução comercial junto aos nossos clientes, enquanto o Zé Delivery, nossa B2C, alcançou em 2025 R$ 4,7 bilhões em GMV [custo de produto vendido], com crescimento de 13% em relação ao ano anterior”, afirma Conrad. De acordo com o CEO da empresa, as transformações do mercado estariam ampliando as possibilidades de escolha, criando novas ocasiões de consumo e abrindo espaço para inovação em uma velocidade sem precedentes para os anos de 2026 e 2027.
Arte/Valor Um dos cases importantes para a Ambev em 2025 foi o da Stella Artois Pure Gold, cerveja com 17% menos calorias, que passou por um longo ciclo de desenvolvimento desde 2019. Houve uma mudança de nome, excluindo o termo “sem glúten” (que poderia induzir a percepção de ser voltado para pessoas com restrições alimentares), e embalagem, com mais dourado, apontando para um produto mais premium. Com isso, cresceu 180% no segundo trimestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano anterior. “O segmento premium continua sendo uma oportunidade relevante de crescimento e foi um dos destaques do ano no Brasil, com a retomada da nossa liderança, após uma década, impulsionada por marcas como a própria Stella Artois, Corona, Original, Spaten e Michelob Ultra”, diz Conrad. A cerveja também serviu para reforçar o portfólio voltado ao consumidor preocupado com saúde e bem-estar, junto com a mencionada Michelob Ultra, uma superior light lager, com poucas calorias e poucos carboidratos, e a Skol Zero Açúcar. “Não vemos essas frentes como escolhas excludentes. A transformação da categoria cervejeira vem acontecendo em múltiplas dimensões, e nossa estratégia é liderar todas as principais avenidas de crescimento. A cerveja é um produto versátil, conectada profundamente com a cultura dos mercados em que atuamos”, diz Conrad. Segundo a Ambev, em 2025 as cervejas zero álcool cresceram 30% em volume de vendas, o que indica que o mercado está diante de uma mudança concreta no comportamento do consumidor. Fora da categoria, outros produtos foram destaque no ano passado, como o Guaraná Antarctica com fibras e a Brutal Fruit, drique alcoólico misto gaseificado trazido da África do Sul. “Acreditamos que ampliar as possibilidades de escolha é a melhor forma de continuarmos construindo e liderando uma categoria que é relevante para milhões de consumidores e consumidoras em todos os nossos mercados”, afirma Conrad. Um fator decisivo para a classificação das companhias no Valor 1000 são as ações ligadas ao ESG (práticas ambiental, social e de governança). O projeto de sustentabilidade da Ambev foi criado em 2018 e encerrou em 2025 um ciclo ambicioso com quatro marcadores voltados para sua cadeia de valor: água, agricultura, clima e energia e embalagem. Na gestão hídrica, a Ambev atingiu a meta estabelecida para as 11 unidades localizadas em áreas de alto estresse hídrico, todas com melhorias mensuráveis na disponibilidade e qualidade da água, informa a empresa. Em agricultura sustentável, alcançou 100% de agricultores diretos treinados, conectados e financeiramente empoderados, diz a Ambev. No contexto de mudanças climáticas, houve redução de 25,8% nas emissões de gases de efeito estufa por hectolitro, alcançando a meta do projeto. A empresa informa ainda ter cumprido o objetivo de ter 100% de seus produtos em embalagens retornáveis ou feitas com conteúdo majoritariamente reciclado no Brasil. Sustentabilidade, segundo a companhia, não é uma agenda paralela, é parte da estratégia e da forma de construir um negócio mais eficiente, resiliente e preparado para o futuro.
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