O ano de 2025 começou desafiador para a WEG, líder no setor mecânica no Valor 1000, prêmio que é parceria entre Valor Econômico e Época NEGÓCIOS, com a possibilidade de a empresa sofrer taxação por parte do governo de Donald Trump, nos Estados Unidos. Além desse fator, a persistência de guerras no Oriente Médio e na Ucrânia contribuiu para a incerteza no mercado externo, onde a companhia gera mais da metade de sua receita. A saída foi adotar ações para mitigar o efeito das tarifas e reorganizar as rotas de exportação, com a fábrica no México abastecendo os EUA e a linha no Brasil destinando as vendas para outros países. A flexibilidade e a agilidade nas reações se tornaram cruciais para uma companhia que vende para 135 países e tem operação própria em 44 deles, além de parques fabris em 18 – e precisa se mover em um cenário global cada vez mais instável. “Praticamente não tivemos impacto nenhum do aumento das tarifas”, diz Alberto Yoshikazu Kuba, CEO da companhia desde o início de 2024, referindo-se à medida protecionista americana. A fatia da receita gerada no exterior também se beneficiou do bom momento econômico vivido por vários países na Europa e na Ásia. Por isso, mesmo com a barreira comercial nos EUA, o executivo afirma que a empresa sofreu menos com volatilidade em 2025 e seguiu crescendo em ritmo de dois dígitos por ano, em dólar e euro. Esse foi um dos motivos para a WEG se sagrar campeã do setor mecânico pela 12ª vez na pesquisa Valor 1000. Já no mercado interno, a companhia lidou com os juros altos, que reprime o consumo de eletrodomésticos para os quais fornece motores. No segmento de equipamentos de energia, conviveu com o excesso de capacidade no mercado. A ampla linha de produtos – de geradores, turbinas, transformadores e motores de grande porte a pequenos componentes elétricos – permitiu que a empresa se concentrasse naqueles que estavam com a demanda aquecida, como os equipamentos para data centers. Dessa forma, a companhia conseguiu superar a barreira dos R$ 40 bilhões de faturamento e manteve os patamares históricos de margem de rentabilidade. Em 2025, foram R$ 40,8 bilhões de receita operacional líquida, com alta de 7,4% sobre o ano anterior, além de 22,1% de margem Ebitda e 32,5% de retorno sobre o capital investido. O lucro líquido foi de R$ 6,38 bilhões, avanço de 5,5% sobre 2024. Para 2027, o principal projeto da WEG é completar o plano de dobrar sua capacidade fabril, iniciado em 2023, em todas as operações ao redor do mundo. Para isso, o programa de investimentos deste ano cresceu 32% em relação ao ano passado, para R$ 3,6 bilhões. O plano aprovado pela fabricante catarinense prevê 46% dos aportes no Brasil e 54% no exterior. O Bradesco BBI calcula que a expansão de capacidade poderá gerar aproximadamente R$ 7,5 bilhões em receita anual incremental, tornando-se o principal vetor de crescimento da companhia nos próximos anos, de acordo com relatório do final de julho. A companhia incluiu, nos cenários, a nova gestão presidencial em 2027. “Todo início de governo gera uma certa turbulência”, diz Kuba. Seja qual for o vencedor, a companhia espera uma evolução mais consistente no trato das contas públicas. “Se não houver ajuste fiscal, a percepção de risco sobre o país vai continuar alta”, afirma o CEO da WEG. Para ele, o assunto merece prioridade, seja qual for o governo vencedor, porque já afeta o consumo de curto prazo dos brasileiros. Ele nega, entretanto, planos de mudança de rumo na WEG caso o ajuste fiscal demore a acontecer. “Não vamos mudar nenhuma estratégia, porque olhamos a longo prazo”, diz. Segundo ele, nenhum projeto da WEG tem ciclo de vida curto e os gestores são estimulados a pensar anos à frente. “Meu objetivo não é preparar a WEG para 2027, mas para daqui a 10 anos”, diz. Ele acredita que, independentemente do resultado das urnas, passado o pleito, a situação no mercado deve se tranquilizar. “Após as eleições, o mercado sempre melhora, porque acaba a incerteza”, diz Kuba. Os bancos que acompanham o desempenho da WEG estão otimistas com suas perspectivas. O Bradesco BBI vê a companhia como uma das principais beneficiárias do primeiro leilão brasileiro de sistemas de armazenamento por baterias (BESS), previsto para dezembro. A instituição financeira estima que a WEG possa capturar cerca de R$ 2 bilhões em receitas apenas com essa primeira rodada de projetos, o que vai se refletir em seu desempenho de 2027. O banco também aponta que o avanço dos data centers, a modernização das redes elétricas e os investimentos globais em geração renovável criam um cenário favorável para diversas linhas de produtos da companhia, segundo relatório publicado em julho. O JPMorgan cita transformadores, o leilão de sistemas BESS e motores síncronos entre as principais frentes de crescimento estrutural da empresa, beneficiadas pela tendência global de eletrificação, segundo relatório divulgado em junho. Conforme cresce a produção, aumenta o potencial impacto ambiental das operações da WEG. As frentes de atuação da companhia para lidar com o tema incluem uma vertente interna, relacionada ao funcionamento de suas instalações, e uma externa, relacionada ao uso de seus produtos. A empresa se comprometeu, em 2021, a reduzir 52% de suas emissões até 2030. Até o ano passado, conseguiu reduzir 31,9%, uma trajetória que Kuba considera boa. Da energia que a companhia consome no Brasil, 92% tem origem na autoprodução a partir de parques eólicos. No mundo, esse índice é superior a 70%. A WEG também trabalha para desenvolver uma linha completa de produtos para a descarbonização.
Em termos de pessoal, a companhia une uma ação que envolve formação de mão-de-obra e inclusão de pessoas carentes da região onde atua. Desde 1968 o projeto CentroWEG, também conhecido como “Escolinha da WEG”, seleciona menores aprendizes com idade em torno de 16 anos para fazer cursos profissionalizantes na companhia.
Depois de dois anos de curso, 100% deles têm emprego garantido na WEG. Os alunos com as melhores notas ganham também bolsa integral para custear a universidade. A empresa forma 32 turmas por ano e a procura, segundo Kuba, é de 10 alunos por vaga, com grande impacto social na cidade-sede da companhia, Jaraguá do Sul (SC). Para os funcionários, a WEG afirma ter políticas definidas de diversidade, equidade e inclusão, com abrangência global, a fim de promover um ambiente seguro, respeitoso e de valorização das pessoas. As diretrizes da política envolvem garantir um espaço de trabalho livre de preconceitos, valorizar a diversidade cultural em todos os níveis hierárquicos, respeitar as particularidades individuais, e assegurar o cumprimento de acordos internacionais de respeito ao ser humano e inclusão.
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