A Urban, empresa de infraestrutura para ativos virtuais e pagamentos internacionais, e o Grupo Caldeira OTC, mesa de negociação de criptoativos voltada ao mercado institucional, anunciaram nesta segunda-feira (19) a fusão de suas operações. A nova companhia manterá a marca Urban e reunirá um volume transacionado superior a R$ 21 bilhões em 2026, segundo dados fornecidos pelas empresas.
Em entrevista ao Valor, Yago Carvalho, que assume como CEO da nova Urban, afirmou que as operações somam cerca de 500 clientes. A fusão reúne a atuação da Caldeira no fornecimento de liquidez e na execução de operações de grandes volumes com a infraestrutura desenvolvida pela Urban, voltada principalmente a pagamentos e transferências internacionais.
Com a fusão, todos os clientes das duas empresas estão sendo migrados para a estrutura da Urban. Segundo as empresas, a transição está sendo conduzida internamente pelas equipes, sem interrupção das operações e com a continuidade do atendimento.
“Cada uma das empresas desenvolveu uma competência essencial para o mercado institucional. O Grupo Caldeira OTC desenvolveu excelência operacional, comercial e de atendimento; e a Urban construiu tecnologia proprietária e escalável”, afirmou Carvalho.
A companhia terá três frentes de atuação. Além da compra e venda e do fornecimento de liquidez em criptoativos, oferecerá soluções de pagamentos internacionais e Crypto as a Service, modelo no qual disponibiliza sua infraestrutura para que outras empresas ofereçam serviços com ativos digitais aos próprios clientes.
A fusão ocorre em meio à adequação do setor cripto às novas regras do Banco Central. Segundo Rafael Steinfeld, diretor jurídico da nova Urban, as duas empresas já atuavam no mercado de ativos virtuais e estavam no período de transição regulatória. A companhia agora prepara um pedido de autorização para atuar como Sociedade Prestadora de Serviços de Ativos Virtuais (SPSAV), com previsão de protocolo até 30 de outubro.
“A regulamentação representa uma etapa importante de amadurecimento do mercado brasileiro de ativos virtuais. Não se trata apenas de atender a novas exigências formais, mas de construir governança, controles, capital e processos capazes de sustentar operações cada vez mais complexas”, afirmou Steinfeld.
De acordo com as empresas, a decisão de unir as operações não foi motivada exclusivamente pela regulamentação, mas também pela possibilidade de integrar serviços antes oferecidos separadamente.
Valor