A reeleição do presidente Lula de virada foi mais um evento impressionante da vida de Lula. Deu certo a aposta no segundo turno em uma forte mobilização para que o comparecimento eleitoral aumentasse, em uma presença intensa nas redes sociais, a ocupação das ruas do país inteiro.
As três milhões de pessoas a mais que foram votar fizeram a diferença. Esta foi uma eleição bem diferente de todas as outras.
A campanha do primeiro turno foi fria, sem mobilização, e o assunto que roubava toda a atenção era a crise do Supremo Tribunal Federal. No segundo turno a temperatura aumentou bruscamente e a eleição ganhou as redes e as ruas, de forma contagiante.
Os dois lados encheram as ruas, mas era visível que a mobilização petista era maior e mais espalhada pelo Brasil. — O Brasil mudou muito nesta eleição.
Temos agora uma assombrosa ágora digital. A rua de esquerda voltou.
O eleitorado de direita acolheu Flávio de uma maneira que ninguém imaginava. A abstenção caiu.
Isso mudou a eleição — afirmou o cientista político Jairo Nicolau, estudioso do movimento que levou a extrema direita ao poder, e que desde as 19:30 acreditava na vitória de Lula. O desafio do dia seguinte será enorme.
Lula vai governar neste quarto mandato um país ainda mais dividido, com uma parte raivosa e que já tinha cantado vitória de véspera. Flávio Bolsonaro chegou a escolher ministros e até os indicados para o Supremo.
Falou e mudar a Constituição para redemocratizar o Brasil, como se isso fosse necessário, e que ampliaria o mandato. Lula enfrentará muitas dificuldades na economia e na política.
Mas como tudo em sua vida é desafiador, que ele se jogue agora nessa tarefa. O primeiro passo é montar um governo realmente de frente ampla, abrir espaços para outros grupos políticos, construir uma coalizão de governo para enfrentar a forte oposição da extrema direita.
O Globo