Um doce para quem adivinhar o destinatário do pedido de Fachin

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Recado do ministro Edson Fachin teria sido endereçado a Lula, que já disputou 7 eleições presidenciais e se submeteu a 4 derrotas ou a Flávio Bolsonaro, cujo pai, como mau perdedor, tentou dar um golpe de Estado? Valter Campanato/Agência Brasil O ministro Edson Fachin, presidente do STF e do CNJ, aproveitando que o país está a poucas horas das eleições, decidiu mandar um recado aos candidatos afirmando o óbvio: que o Estado Democrático de Direito exige “lealdade às regras do jogo, inclusive por parte de quem perde”.Trocando em miúdos: aquele candidato que perder nas urnas deve, de maneira simples e democrática, aceitar o resultado da eleição, enfiar a sua viola no saco e ir para casa, a fim de se preparar para exercer o relevante papel que o espera na oposição, que numa democracia verdadeira deve ser fiscalizadora, propositiva e leal às regras do jogo institucional.Fachin não disse a quem se referia, mas, dado o atual contexto eleitoral, não é difícil inferir o destinatário do seu recado.Ele transmitiu sua mensagem durante um seminário sobre o papel dos tribunais constitucionais, realizado nesta semana no STF.O ministro certamente tinha em mente, o lamentável espetáculo protagonizado pelo então presidente Jair Bolsonaro (e seus adeptos), que ao ser derrotado por Lula e pela vontade da maioria dos eleitores em 2022, não aceitou o resultado e tentou dar um golpe de Estado para se manter na Presidência.O destinatário obviamente não foi o ex-presidente, que não está no páreo, pois cumpre 27 anos e três meses de prisão (em regime domiciliar) por arquitetar a trama golpista de 8 de janeiro de 2023.Se não foi para Jair, então para quem Fachin mandou o recado?Para Lula também não foiPara o presidente Lula, indubitavelmente, também não foi.Lula tenta se reeleger para o seu quarto mandato, nesta que é a sua sétima eleição para a Presidência da República.A sua primeira candidatura foi em 1989, quatro anos após o fim da ditadura militar, quando os brasileiros reconquistaram o direito de votar diretamente para presidente.Naquela eleição, Lula perdeu para Fernando Collor, e não questionou o resultado.Ele voltou a disputar o cargo, sem sucesso, nas duas eleições seguintes, em 1994 e 1998.Em ambas, foi superado por Fernando Henrique Cardoso, e, de novo, tanto em uma, como na outra, se submeteu democraticamente à vontade expressada pelas urnas.Na sua quarta tentativa, em 2002, aconteceu a virada, quando venceu José Serra no segundo turno.Em 2006, Lula repetiu a dose, conquistando a reeleição, desta vez, contra Geraldo Alckmin (seu atual candidato a vice-presidente).Nas eleições seguintes, Lula apoiou Dilma Rousseff, que conquistou a Presidência duas vezes, derrotando José Serra (em 2010), e Aécio Neves (em 2014).Após um intervalo de 16 anos sem disputar a Presidência, Lula retornou em 2022 e derrotou Jair Bolsonaro no segundo turno, chegando ao seu terceiro mandato.Em 37 anos apenas 2 candidatos não aceitaram Em todas as eleições presidenciais ocorridas ao longos dos últimos 37 anos, apenas dois perdedores não aceitaram os resultados - Aécio Neves e Jair Bolsonaro.Aécio não engoliu a derrota para Dilma.Tão logo saiu o resultado ele passou a criticar as urnas eletrônicas para, em seguida, se entrincheirar na oposição conspirando e ajudando a sabotar o governo de Dilma, até levá-la ao impeachment.O outro mau perdedor (como mencionado acima) foi Jair Bolsonaro, que tratou logo de virar a mesa e tentar emplacar o golpe de Estado.Agora, em 2026, Lula busca a sua quarta vitória para a Presidência, tendo pela frente Flávio Bolsonaro num segundo turno apertado, marcado para este final de semana, no domingo (25).A história demonstra que Lula, pela sua trajetória política, não pode ser acusado de ser antidemocrático.Então não faria o menor sentido se o presidente do STF estivesse se dirigindo a ele.Sobra, portanto, o seu adversário, Flávio Bolsonaro.Ele mesmo, o filho de Jair, que tendo o pai que tem, não causaria surpresa alguma, se resolvesse mirar no (péssimo) exemplo paterno para tentar alguma saída antidemocrática para ocupar o poder.Afinal, como diz o ditado popular "o fruto não cai longe da árvore".   

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