Um alerta de especialistas sobre a atuação do chamado Exército do Lula

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Fonte da notícia: Notícias Veja Notícias Veja

A forma como o Planalto pretende utilizar o “Exército do Lula” depois das eleições implica em alguns riscos para o governo, de acordo com especialistas ouvidos por VEJA. A avaliação é de que o canal deve se tornar uma importante ferramenta  para a difusão e defesa de pautas estratégicas do governo, mas também há a possibilidade de o grupo se transformar em um instrumento de  patrulha contra opositores.

O Planalto deu mostras de como quer explorar o canal do WhatsApp que atingiu 10 milhões de seguidores durante a campanha eleitoral. Em uma mensagem publicada na última terça-feira, Lula conclamou os seguidores a acompanharem uma audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF) que discutiria a proibição das bets.

O apelo do petista foi seguido por uma postagem na mesma direção publicado pelo deputado federal André Janones (Rede), criador e coordenador do “Exército do Lula”. Continua após a publicidade

Não demorou muito para que as redes sociais fossem inundadas de manifestações de apoio à proibição das bets. Segundo Victor Piaia, professor da FGV e membro de grupos de estudo sobre sociologia, política e transformações digitais, a mobilização deu certo porque o assunto é pacificado dentro da esquerda.

Isso não significa que será sempre assim. Piaia prevê que o governo pode enfrentar dificuldades para repetir essas ações coordenadas quando os temas eventualmente gerarem divergências num ambiente digital que não permite diálogo entre seus membros.

Continua após a publicidade O professor lembra que, no grupo “Exército do Lula”, não é facultado aos integrantes interagirem entre si.

As “missões” são repassadas de maneira unilateral por Janones, conhecido no canal como “general”, ou por Lula, chamado por lá de “marechal”. No auge do segundo turno, o Exército do Lula atingiu 10 milhões de seguidores.

A mobilização digital impulsionou grandes manifestações em favor da candidatura petista, massificou as boas realizações do governo mas também espalhou mentiras e notícias falsas. Continua após a publicidade

O plano agora é usar essa experiência que deu certo nas eleições para criar correntes de apoio à agenda oficial, divulgar medidas de interesse do Planalto e mobilizar, quando necessário, ações de enfrentamento com a oposição. É sobre esse último quesito que residem dúvidas.

É tênue a linha que separa a patrulha da opinião. “O que vai determinar se essa linha foi ultrapassada é o tipo de orientação que será dada aos apoiadores, especialmente se ela incentivar ataques pessoais, intimidação ou tentativas de silenciar críticas”, ressalta Pedro Bruzzi, sócio da consultoria Arquimedes, especialista em análise de mídias digitais.

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Publicação Original Notícias Veja veja.abril.com.br
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