UE denuncia 'retrocesso da democracia' na Rússia após eleições parlamentares

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A chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Kaja Kallas, denunciou nesta segunda-feira um "retrocesso da democracia" na Rússia após as eleições parlamentares realizadas no país. Ela afirmou que vai propor sanções contra pessoas que contribuíram para organizar o pleito em territórios ucranianos ocupados pela Rússia na Ucrânia. O GLOBO no Mundo: Receba as notícias internacionais direto no seu celular Quer morar fora? Ferramenta do GLOBO reúne informações sobre custo e qualidade de vida, salários, vistos, oportunidades e características de 36 países O partido governista Rússia Unida, do presidente Vladimir Putin, conquistou uma ampla maioria na Duma, a Câmara Baixa do Parlamento, em eleições marcadas por uma oposição limitada. — As chamadas eleições para a Duma marcaram outro importante retrocesso para a democracia russa. Seu resultado nunca esteve em dúvida — escreveu Kallas na rede social X. Segundo resultados preliminares, correspondentes a mais de 95% das seções eleitorais, o Rússia Unida conquistou 355 das 450 cadeiras da Duma. O resultado garante ao partido uma supermaioria de pelo menos dois terços dos assentos, suficiente para aprovar reformas constitucionais sem o apoio de outras legendas.

O Partido Comunista da Rússia conquistou 40 cadeiras, enquanto o partido nacionalista LDPR ficou com 25 e a legenda Gente Nova, com 20. Todos apoiam a ofensiva na Ucrânia e a maioria das políticas de Putin. O único partido registrado abertamente contrário à guerra na Ucrânia, o Yabloko, foi excluído do pleito por decisão judicial. As eleições também foram realizadas em territórios ucranianos controlados e anexados pela Rússia. Contexto: Putin aperta cerco antes das primeiras parlamentares desde o início da guerra — O Kremlin silenciou a dissidência, excluiu o único partido registrado que se opunha à sua guerra na Ucrânia e deixou de fora os observadores eleitorais internacionais. Na Rússia, resta apenas a aparência de democracia — acrescentou Kallas. A diplomata afirmou ainda que propôs medidas contra pessoas que "facilitaram essas falsas eleições" nos territórios ucranianos ocupados. A União Europeia já sancionou cerca de 3 mil pessoas e entidades por causa da guerra na Ucrânia, incluindo Putin. Eleições na Rússia: Ucrânia denuncia inclusão de regiões anexadas na votação parlamentar Já o Kremlin celebrou o resultado nesta segunda-feira e afirmou que ele reflete “um nível excepcional de coesão da sociedade russa em torno do chefe de Estado”, que está no poder desde 1999. Dmitri Medvedev, ex-presidente e atual líder do Rússia Unida, comemorou o resultado como uma demonstração de confiança no governo e prometeu "respaldar a linha traçada pelo presidente" e "aproximar o país da vitória". A presidente da Comissão Eleitoral, Ella Pamfilova, também comemorou uma participação que, oficialmente, superou 59%. — É a maior taxa de participação já registrada em eleições deste nível — disse. Os resultados definitivos devem ser anunciados na sexta-feira. Laboratório de guerra: Crise demográfica acelera uso de IA por Ucrânia e Rússia no conflito no Leste Europeu Estas foram as primeiras eleições legislativas organizadas desde o início da ofensiva russa contra a Ucrânia, em fevereiro de 2022. O conflito se intensificou nos últimos meses com ataques das duas partes e, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), o número de vítimas civis atingiu um nível que não era registrado desde os primeiros meses da guerra. Ataques durante a votação O último dos três dias de votação foi marcado por um ataque ucraniano durante a madrugada de domingo, com mais de mil drones. Duas pessoas morreram na periferia de Moscou, segundo as autoridades russas. Na capital, uma importante refinaria foi danificada, segundo o prefeito Sergei Sobyanin, que denunciou um ataque "claramente planejado com o objetivo de perturbar as eleições". Nos arredores de Moscou, um drone atingiu um prédio de apartamentos, deixando a fachada queimada e vários andares destruídos AFP O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que os ataques tiveram "um impacto muito importante na região de Moscou". O presidente ucraniano conversou por telefone com presidente dos EUA, Donald Trump, que nos últimos dias pediu a Kiev que interrompesse os ataques contra as refinarias russas. Zelensky também anunciou uma reunião na terça-feira em Nova York com o presidente americano, com quem, no telefonema, abordou "ideias para medidas de desescalada". No começo do mês, Dmitri Peskov, porta-voz do Kremlin, afirmou que as negociações trilaterais para uma solução na guerra na Ucrânia, com mediação dos Estados Unidos, podem ser retomadas em outubro. Washington tenta reativar os esforços diplomáticos paralisados, na esperança de pôr fim à guerra. Como parte desse esforço, negociadores americanos visitaram Kiev e Moscou, mas saíram sem avanços concretos. Até então, os esforços diplomáticos estavam estagnados, em parte devido ao envolvimento de Washington no conflito com o Irã, enquanto Moscou e Kiev intensificaram os ataques de longo alcance. O fato é que, quase 1.700 dias depois de invadir a Ucrânia, Putin segue irredutível em suas exigências para encerrar o conflito que decidiu lançar em fevereiro de 2022.

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