UE adia decisão sobre sanções contra Rússia após divergência sobre bilionário

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Fonte da notícia: Valor Valor

Representantes da União Europeia adiaram em sete dias, até 22 de setembro, o vencimento das sanções do bloco contra pessoas e empresas russas, disse nesta segunda-feira um porta-voz da presidência irlandesa da UE. A prorrogação ocorreu depois que os países não chegaram a um acordo sobre a renovação das medidas por seis meses. Leia também: Trump diz que Ucrânia e Rússia concordaram em interromper ataques contra alvos de energia Ucrânia está pronta a interromper ações desde que Moscou suspenda ataques à infraestrutura, diz Zelensky

O impasse gira em torno da possibilidade de retirar da lista de sanções o bilionário russo-uzbeque Alisher Usmanov. A França se juntou à Eslováquia no pedido para retirar Usmanov da lista, alegando uma questão de segurança nacional. Segundo o “Financial Times”, Paris busca a medida em meio a negociações pela libertação de cidadãos franceses detidos no Azerbaijão.

“A França é um dos países mais comprometidos em aumentar a pressão — por todos os meios — sobre a máquina de guerra russa, assim como em apoiar a Ucrânia”, disse uma fonte diplomática francesa. “Enfrentamos uma questão específica de segurança nacional e desejamos responder positivamente a parceiros internacionais que nos procuraram em relação ao sr. Usmanov.”

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da França não quis comentar.

As sanções, que atingem quase 3 mil empresas e indivíduos com congelamento de ativos e proibições de viagem, deveriam expirar em 15 de setembro.

“Para dar aos Estados-membros mais tempo para analisar de forma abrangente as propostas de renovação, o Coreper concordou em prorrogar o regime por um período de sete dias, até a meia-noite de terça-feira, 22 de setembro”, disse o porta-voz, referindo-se ao Comitê de Representantes Permanentes, órgão formado pelos embaixadores dos países da UE que prepara os trabalhos para os líderes dos 27 Estados-membros.

As sanções da UE exigem aprovação unânime dos 27 países do bloco e precisam ser renovadas a cada seis meses.

Usmanov tinha patrimônio líquido de US$ 18,8 bilhões no início de 2026, segundo o Bloomberg Billionaires Index, e está sujeito a sanções da UE e dos Estados Unidos, além de uma proibição de viagem.

Usmanov, magnata dos setores de metais e mineração, entrou com diversas ações judiciais na Europa com o objetivo final de conseguir a suspensão das sanções. Em alguns desses processos, seus advogados contestaram declarações publicadas pela imprensa que haviam sido usadas como justificativa para as medidas.

O bilionário também possui ativos nos setores de telecomunicações, internet e mídia e é proprietário do jornal econômico russo Kommersant.

Os países da UE frequentemente discutem a renovação das sanções contra a Rússia até o último momento. No passado, isso ocorreu em grande parte devido a exigências do ex-líder da Hungria Viktor Orbán e da Eslováquia, que mantêm relações melhores com Moscou do que a maioria dos outros países do bloco.

Em junho, os países da UE concordaram, pela primeira vez, em renovar por um ano as sanções setoriais do bloco, como as relacionadas à energia, para reduzir as oportunidades para esse tipo de impasse.

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