Ucrânia teme dezenas de mortos sob escombros após um dos piores bombardeios da guerra

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Fonte da notícia: Folha de Pernambuco Folha de Pernambuco

O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, afirmou nesta terça-feira (3) que teme que mais de 50 pessoas ainda estejam sob os escombros após um ataque russo que deixou pelo menos 33 mortos na véspera, na região de Zaporizhzhia (sudeste). Na segunda-feira, a Rússia lançou um ataque contra uma escola na localidade de Komishuvakha, perto da linha de frente, que, segundo a Ucrânia, era utilizada para distribuir ajuda humanitária.

Na madrugada desta terça-feira, novos ataques russos foram registrados em várias partes do país, incluindo um contra um hospital em Kharkiv, que deixou dezenas de feridos. Em outras regiões da Ucrânia, quatro pessoas morreram.

Os bombardeios reduziram as esperanças de avanços nas negociações mediadas pelos Estados Unidos, previstas para a próxima semana em Abu Dhabi. Em Komishuvakha, as operações de resgate continuavam nesta terça-feira.

"Um único ataque matou 33 pessoas. Cinco pessoas foram resgatadas e mais de 50 podem continuar presas sob os escombros", declarou Zelensky em Berlim, classificando o bombardeio como "um dos maiores massacres cometidos pela Rússia nesta guerra".

O ataque aconteceu poucas horas após o fim de um cessar-fogo de vários dias na região de Kherson, que havia permitido a realização de uma missão humanitária. Zelensky, o Kremlin e Washington confirmaram que seus negociadores se reunirão em Abu Dhabi nos dias 10 e 11 de novembro para tentar encerrar a prolongada guerra, iniciada em fevereiro de 2022.

A missão de monitoramento dos direitos humanos da ONU na Ucrânia acusou nesta terça-feira o Exército russo de negligência grave pelo ataque em Komishuvakha. "As Forças Armadas russas sabiam que estava sendo realizada uma distribuição de ajuda humanitária ou não tomaram as medidas mais básicas para verificar isso", afirmou em um comunicado Danielle Bell, chefe da missão.

Os repetidos ataques russos contra a infraestrutura energética da Ucrânia nas últimas semanas aumentaram os temores de outro inverno difícil. Nesta terça-feira, o prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, afirmou que a situação do fornecimento de energia elétrica na capital era "extremamente difícil".

@@NOTICIAS_RELACIONADAS@@ Na Rússia, o prefeito de Moscou, Sergei Sobyanin, afirmou que cerca de 500 drones que se dirigiam à região da capital foram destruídos.

Envolver-se nos esforços de paz Durante uma visita a Berlim nesta terça-feira, Zelensky afirmou que espera que os contatos diplomáticos abram caminho para uma reunião com o presidente russo, Vladimir Putin.

"Contamos com o trabalho neste formato e com nossos outros passos diplomáticos para abrir caminho para um encontro trilateral em nível de líderes", declarou a jornalistas. O presidente ucraniano tem insistido em se reunir com Putin, que enviou tropas russas através da fronteira em 2022, desencadeando o pior conflito armado na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

O mandatário russo rejeitou até agora manter conversas presenciais com Zelensky. Em uma declaração ao lado do presidente ucraniano, o chanceler alemão, Friedrich Merz, afirmou que não vê sinais de que a Rússia esteja disposta a participar dos esforços de paz.

"Não vejo que isso esteja acontecendo até agora", afirmou. Kiev e seus aliados europeus temem que o presidente americano, Donald Trump, que assinou recentemente um acordo sobre diesel com Putin e criticou Zelensky, esteja se alinhando ao Kremlin.

O cessar-fogo da semana passada em Kherson, negociado por Melania Trump, alimentou as esperanças de que uma solução negociada para o conflito pudesse estar próxima. A equipe da primeira-dama dos Estados Unidos também anunciou nesta terça-feira que iria "reunir pessoalmente representantes da Rússia e da Ucrânia na Casa Branca".

Putin afirmou repetidamente que a Rússia não quer um cessar-fogo, mas um acordo sobre a Ucrânia, e que Moscou pretende conquistar pela força o restante do leste do país que ainda não controla.

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