Turistas brasileiros vivem momentos de terror como reféns durante ataque a tiros no México; vídeo

 

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Uma mulher canadense foi morta a tiros nesta segunda-feira no sítio arqueológico das pirâmides de Teotihuacán, no centro do México, por um homem que depois cometeu suicídio, informaram as autoridades. Outras quatro pessoas ficaram feridas por disparos no ataque em um dos sítios arqueológicos mais emblemáticos do país, disse Cristóbal Castañeda, secretário de Segurança do Estado do México, onde as pirâmides estão localizadas. O casal de cariocas Henrique Reis e Marina Beta estava curtindo o último dia de férias no país quando foi surpreendido pelo ataque e acabou sendo feito refém pelo atirador.

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O secretário de Segurança acrescentou que entre os feridos estão dois colombianos, uma mulher russa e outra canadense. Além disso, duas pessoas ficaram feridas em quedas, detalhou a secretaria de Segurança local em um comunicado. Teotihuacán está localizada a 50 quilômetros da Cidade do México, de onde são oferecidos passeios diários para turistas nacionais e estrangeiros.

Em entrevista ao GLOBO, Henrique relatou que ele e a namorada tiravam fotos numa parte média de uma das pirâmides do local, a Pirâmide da Lua, num ponto até onde turistas podem subir, quando ouviram os primeiros disparos. Apesar do barulho, os dois não chegaram a se assustar, contou o rapaz. Como o local é conhecido por ter uma acústica especial, "é comum que haja barulhos o tempo todo", principalmente de guias e turistas fazendo experimentações com a característica peculiar do sítio arqueológico.

Na sequência, conforme os visitantes no local começaram a correr, Henrique e Marina fizeram a mesma coisa. Como o casal de brasileiros estava mais distante da escada, que é bastante íngreme, não conseguiu descer antes que o atirador os ameaçasse no local. Segundo Henrique, cerca de 20 pessoas ficaram presas como reféns neste ponto da pirâmide.

— Por um tempo eu demorei para entender o que que era. Ele tinha uma bolsa. Eu achei que ele ia roubar a gente. Achei que era um ladrão e que ele ia pegar nossos pertences — relatou o carioca.

Segundo o relato de Henrique, durante os cerca de 15 minutos que passaram sob poder do atirador, o homem disparava na direção dos reféns e chegou a atingir alguns deles. Durante esse tempo, o homem repetia frases um pouco desconexas, xingava os turistas e dizia que eles não deveriam estar ali num local "que deveria ser sagrado".

— Os tiros passavam voando por cima da gente. A maioria dos que ele deu. Ele dava alguns para baixo também, para a parte onde é a cidade arqueológica. Onde estava todo mundo que conseguiu descer e quem já estava lá embaixo — detalhou.

Vídeos compartilhados nas redes sociais mostram registros do momento do ataque. Nas imagens é possível ver várias pessoas abaixadas num ponto médio da pirâmide enquanto um homem armado vestido de camisa xadrez e máscara no rosto anda de um lado para o outro.

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Ao longo dos minutos que passaram ali, Henrique e Marina chegaram a ser ameaçados diretamente pelo atirador. O saco que o homem carregava, segundo o brasileiro, estava repleto de munições. Num dado momento, ele exigiu que um dos reféns cortasse uma cerca de plástico que impede a passagem para pontos mais altos da pirâmide. Nessa hora, contou Henrique, ele pediu a Marina que cortasse a estrutura e arremessou a faca no chão na direção dela. Na sequência, ele disse que se ela colaborasse, seria liberada. Marina então seguiu as orientações do atirador e foi liberada para descer as escadas.

— Meu maior medo nessa hora era que ele desse um tiro nela pelas costas — disse Henrique. — Graças a Deus ele não fez isso.

Pouco tempo depois, a polícia chegou ao local. Henrique relatou que o atirador começou a falar com ele dizendo que o brasileiro o estava deixando nervoso. Ele assume que a razão era por Henrique encará-lo sem parar. Diante disso, o homem o escolheu para descer da pirâmide e avisar aos policiais que havia muitos reféns lá em cima, a fim de convencer os agentes a não subirem e nem atirarem.

— Eu fui fazer o que ele mandou. Que era avisar para a polícia. Então eu quis deixar bem claro. E como o lugar é grande, eu gritei lá de cima. Mas mesmo quando eu cheguei perto dos policiais fiquei de mão levantada avisando: "tem refém lá em cima. Tem muitos reféns" — disse o brasileiro, que conseguiu ir embora do local com a namorada após os dois serem liberados.

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"O que aconteceu hoje em Teotihuacán nos causa profunda tristeza. Expresso minha mais sincera solidariedade às pessoas afetadas e suas famílias. Estamos em contato com a embaixada canadense", publicou a presidente Claudia Sheinbaum nas redes sociais.

As autoridades federais encontraram "uma arma de fogo, uma arma branca (faca) e munição" no local, que permanece sob a proteção da polícia estadual e da Guarda Nacional, segundo um comunicado do Gabinete de Segurança Federal.