O ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), deu 12 horas para que a Meta explique o alcance do perfil do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) no Instagram. A ordem busca saber se a empresa deu tratamento diferenciado ao perfil nas recomendações da plataforma.
Cueva estabeleceu multa diária de R$ 100 mil se os dados não forem enviados. Ele afirmou que já havia cobrado os dados, mas que a empresa não cumpriu a ordem.
“As informações requisitadas são particularmente relevantes para essa análise, pois permitem identificar a proporção de visualizações provenientes de seguidores e não seguidores dos perfis investigados, bem como as principais superfícies responsáveis pela distribuição dos conteúdos político-eleitorais”, disse na decisão.
“É necessário compreender as métricas de distribuição do alcance, especialmente a origem das visualizações, a participação de seguidores e não seguidores e as superfícies pelas quais os conteúdos foram disponibilizados aos usuários, de modo a distinguir, na medida tecnicamente possível, a circulação decorrente de recomendações daquela resultante de outras formas de acesso e compartilhamento”, prossegue o ministro.
A decisão é tomada no momento em que o TSE se vê às voltas de um forte debate sobre interferência das big techs nas eleições de 2026. A campanha do candidato à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT) alega que as empresas teriam atuado para reduzir o alcance de suas publicações e inflar as de Flávio e de seu grupo político.
Segundo levantamento do jornal Folha de S. Paulo, um vídeo recente de Nikolas teve mais visualização que publicações de jogadores de futebol como Cristiano Ronaldo e Neymar, que tem número consideravelmente maior de seguidores.
O Valor entrou em contato com a Meta e com a assessoria de Nikolas Ferreira, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.
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