O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou atrás e remarcou para este domingo comícios consecutivos em Iowa e Kansas, após ter cancelado os planos de visitar esses estados no fim de semana e sinalizado que faria mais comícios virtuais na reta final da campanha para as eleições legislativas.
"Pensei que esse seria o último", disse Trump na sexta-feira ao participar de comício na Flórida. "Pensei que finalmente poderia relaxar.
Vinte e oito dias seguidos dessa coisa é muito. É muita coisa mesmo", afirmou.
Trump disse, no entanto, que recebeu ligações desses estados pedindo que ele fosse presencialmente. “Eles disseram: 'Se você pudesse ir, seria melhor do que um comício por teleconferência', e eu tentei convencê-los do contrário”, contou Trump a repórteres na sexta-feira à tarde no Salão Oval, antes mesmo de embarcar para a Flórida.
“Eu disse: 'Que tal um comício por teleconferência?' Mas eles insistiram", afirmou, sem identificar de quem se tratava. "Eu perguntei: 'Isso faz diferença?' Eles responderam: 'Só queremos garantir que vamos vencer'".
Trump chegou a dizer na quinta-feira que não iria ao Kansas, por exemplo, porque o candidato republicano ao Senado no Estado "está muito bem". A disputa, no entanto, é considerada um empate pelo Cook Political Report.
O Kansas não elege um senador democrata desde 1932. "Não sinto que preciso ir", afirmou Trump, reforçando que a decisão não tinha a ver com questões pessoais sobre sua saúde.
A mudança de planos ocorre em um momento em que os votos antecipados crescem por todo o país. O dia oficial da eleição é 3 de novembro, mas mais de 52 milhões de pessoas já tinham votado antecipadamente até o início da noite de sábado (31), de acordo com o Election Lab, da Universidade da Flórida.
A maior parte (43,1%) era democrata, mas no Kansas, por exemplo, a maior parte era republicana (43,6%). No Iowa, a maior parte também era democrata (47,1%).
Trump já esteve em Iowa e Kansas nesta campanha. Os dois fazem parte de um grupo de Estados republicanos que enfrentam disputas surpreendentemente acirradas contra os democratas e que se tornaram essenciais se o partido do presidente não quiser perder a maioria do Senado também -- a derrota na Câmara dos Deputados é praticamente dada como certa.
O presidente Donald Trump e seu vice, J.D. Vance, concentraram a reta final da campanha em estados tradicionalmente republicanos ou em que Trump venceu com folga em 2024.
Nas últimas semanas, Trump esteve em Mississippi, Carolina do Sul, Flórida e Iowa. Já Vance foi a Montana, e ambos estiveram em Kansas, Texas e Ohio.
Em todos esses estados, Trump ganhou em 2024 com uma diferença de mais de dois dígitos. Muitos desses Estados - notadamente Iowa, Kansas, Texas e Ohio - apresentam disputas surpreendentemente acirradas para a Câmara e, especialmente, o Senado neste ano.
Vance também foi à Carolina do Norte e ao Michigan, onde Trump ganhou por uma margem bem mais apertada, inferior a quatro pontos. E o vice-presidente deve ir ainda a Nova York nesta segunda-feira (2), onde Trump, por outro lado, perdeu por dois dígitos para os democratas.
Ele deve ser acompanhado do filho do presidente Donald Trump Jr. O comparecimento dos republicanos às urnas pode se mostrar decisivo em muitos desses locais.
Mas a necessidade de mobilização da base é também um desafio para os republicanos, já que, para isso, eles estão sacrificando mensagens aos eleitores independentes, aponta Colin Seeberger, diretor de estratégia do Center for American Progress Action Fund e assessor sênior do Center for American Progress (CAP).
"Eles deixaram isso de lado. E em um momento em que uma em cada quatro pessoas que votou em Trump em 2024 diz se arrepender.
O eleitorado hispânico, por exemplo, está se voltando em grande número contra o presidente e a favor dos democratas. É uma aposta arriscada e acredito que se arrependerão dela", afirma.
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