F1 no Día de Muertos: o México pode coroar o campeão mais jovem da história, e a corrida das Américas vale bilhões

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No GP do México, no Día de Muertos, Antonelli pode ser campeão aos 20 anos. A corrida movimenta cerca de 21 a 22 bilhões de pesos e integra quatro etapas nas Américas em cinco semanas.

Resumo e áudio gerados por inteligência artificial a partir do texto desta matéria. Hoje, às 17h de Brasília, em Cidade do México, a 2.240 metros de altitude e no Día de Muertos, um italiano de 20 anos pode virar o campeão mais jovem da história da Fórmula 1.

Kimi Antonelli, da Mercedes, chegou ao México com 365 pontos, 123 à frente do companheiro George Russell, depois de vencer em Austin, sua nona vitória em 2026. Hamilton (Ferrari) tem 241, Verstappen (Red Bull) 236 e Leclerc (Ferrari) 232.

Com cinco corridas ainda por disputar, segundo a imprensa especializada, Antonelli precisa terminar em nono ou melhor para ser campeão hoje, e o recorde anterior, de Vettel em 2010, era de 23 anos. Se não for hoje, o título pode vir em Interlagos, no domingo que vem.

Mercedes lidera os construtores com 607 pontos, contra 474 da Ferrari. Há um personagem trágico na festa.

Sergio Pérez corre pela Cadillac, a equipe americana da GM que estreou como 11ª do grid, e está sem pontos em 2026, em 23º no campeonato. Ele chegou a terminar em décimo em Mônaco, mas uma punição de 10 segundos o jogou para 15º e tirou da Cadillac o primeiro ponto de sua história.

Pérez diz que este é “um dos melhores anos” de sua carreira, e os ingressos do GP, mesmo assim, estão esgotados, segundo a imprensa mexicana. A comparação com a Audi, a outra estreante, ajuda a ver a diferença.

Em 17 classificações, a Audi ficou em média a 0,88% da melhor volta do Q1, e a Cadillac, a 2,66%. A Audi tem 23 pontos e é a oitava entre os construtores, com o brasileiro Gabriel Bortoleto em 15º entre os pilotos (10 pontos).

A Cadillac tem zero e é a 11ª. México.

A Canaco da capital estima uma derrama de 22,2 bilhões de pesos (6,5% acima de 2025), e a Concanaco, de 21 bilhões. Em 2025, foram 19,8 bilhões, mais de 10 mil empregos e 314 mil turistas, 88 mil estrangeiros.

Só a venda de ingressos responde por 8,4 bilhões. A secretaria de turismo local espera 465 mil visitantes.

O Día de Muertos ajuda: as câmaras de comércio esperam estadias mais longas, e a Concanaco calcula 53 bilhões de pesos para a festa em todo o país, de 25 de outubro a 2 de novembro. As estimativas são de entidades de comércio, que tendem a ser generosas.

Brasil. O estudo da FGV mostra que o GP de São Paulo de 2025 movimentou R$ 2,3 bilhões (R$ 1,4 bilhão diretos e R$ 894 milhões indiretos), alta real de 9,7%, com 303.627 pessoas em três dias.

Cada R$ 1 investido retornou R$ 7,14 para a economia local, segundo o índice do estudo. A prefeitura investiu cerca de R$ 500 milhões no autódromo, o contrato vai até 2030 e, em 2026, novas arquibancadas permanentes elevam a capacidade diária a 120 mil.

Um dado curioso: a idade média do público caiu de 44 para 35 anos entre 2021 e 2024. Uma autoridade municipal comparou, no ano passado, a F1 (R$ 2 bilhões em três dias) ao Carnaval de rua (mais de R$ 3 bilhões em oito).

Estados Unidos. Em Las Vegas, o dono da F1, a Liberty Media, gastou US$ 240 milhões em terrenos e quase US$ 1 bilhão em construções permanentes.

O estudo da estreia, em 2023, calculou um impacto próximo de US$ 1,5 bilhão (com US$ 884 milhões de gasto de visitantes), números que críticos locais contestaram. Em Austin, o circuito diz que a corrida gera US$ 900 milhões.

A diferença é de quem paga e de quem mede. Cidade do México e São Paulo calculam o que ganham, e Las Vegas é um negócio do dono do esporte.

Neste ano, o GP coincide com o Día de Muertos, 1º de novembro. A festa, que o México transformou em marca mundial, celebra os mortos com ofrendas, flores de cempasúchil e açúcar em forma de caveira, e, aqui, divide a cidade com uma corrida.

No Brasil, o 2 de novembro é Finados, e a única fila é a do cemitério. O México fez da morte um destino turístico, e a F1 chegou para ficar com a vizinhança.

Austin (25/10), México (1/11), São Paulo (8/11) e Las Vegas (21/11) formam quatro etapas em cinco semanas. A F1 foi buscar o dinheiro e os fãs, nos EUA, onde a Liberty e a série da Netflix ampliaram a audiência, e na América Latina, onde há paixão e público.

A GM entrou com a Cadillac, a Audi alemã corre com um brasileiro, e Antonelli, italiano, dirige um carro da Mercedes, alemã. A F1 é, hoje, uma diplomacia por calendário: o esporte que mais atravessa fronteiras, com cada país contando o que ganha.

Hoje, às 17h, ou um menino de 20 anos vira campeão, ou o título vai a Interlagos. Do lado de Checo, a promessa é outra: um ponto, o primeiro da Cadillac, num dia em que a cidade inteira lembra quem se foi, e que ele se lembre de quem chega.

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