Trump não nomeou nenhum “xerife anticorrupção” para investigar o governo Lula ou o ministro Alexandre de Moraes. Nenhuma fonte oficial encontrada registra essa nomeação, e não há notícia de um servidor chamado Robert Mueller Júnior com esse cargo.
O vídeo que circula nas redes é boato, e a apuração não localizou o anúncio original em nenhum canal oficial dos Estados Unidos. O conteúdo descreve o suposto nomeado como um especialista com quatro décadas de carreira, com acesso aos serviços de inteligência americanos e poder para impor sanções e congelar bens.
Segundo a peça, a primeira missão dele seria investigar especificamente o Brasil. Até esta checagem, nenhum comunicado da Casa Branca, do Departamento de Estado ou ordem executiva com esse teor foi localizado.
Quando um governo nomeia um responsável por investigar outro país, a decisão costuma aparecer em canais oficiais, com cargo, data e atribuição clara. Nada disso apareceu na pesquisa.
O vídeo apresenta Robert Mueller Júnior como filho do ex-diretor do FBI Robert Mueller, que comandou a investigação sobre a interferência russa na eleição de 2016. As biografias públicas do ex-diretor, porém, listam duas filhas, Melissa e Cynthia, e nenhum filho.
O pai dele, Robert Swan Mueller Jr., foi executivo da DuPont, serviu na Marinha durante a Segunda Guerra e morreu em 2007, segundo um banco de dados de pessoas e entidades ligadas a sanções. Ou seja, o “Júnior” pertence à geração anterior, e o nome usado no vídeo mistura duas pessoas reais sem qualquer cargo público atual.
O ex-diretor morreu em março de 2026, aos 81 anos, segundo a imprensa brasileira, o que não tem relação com a suposta nomeação, mas reforça que o nome usado é de figuras públicas conhecidas. O ministro do STF entrou na Lei Magnitsky em julho de 2025, depois de conduzir o processo que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.
Em dezembro de 2025, o governo americano retirou as sanções contra ele e a mulher, num período de reaproximação entre Trump e Lula. Uma reportagem publicada em 2 de outubro de 2026 relatou que Washington estuda impor novas sanções ao ministro.
Esse dado é real e público, mas não confirma a nomeação de nenhum investigador. Até esta checagem, nenhuma decisão oficial sobre novas sanções foi localizada na pesquisa.
Versões parecidas do boato de intervenção americana contra a corrupção brasileira circulam desde 2015, quando sites repetiram uma carta atribuída a um suposto senador que nunca existiu. Em maio de 2026, um vídeo gerado por inteligência artificial atribuiu a Trump uma “Operação Limpa Brasil”, com legendas em português e uma data impressa na tela.
A Secretaria de Comunicação da Presidência negou a alegação, e o registro federal dos Estados Unidos não trazia o decreto citado pelas peças. O vídeo sobre o “xerife” segue o mesmo padrão: imagem sintética, autoridade americana sem registro e um nome que soa oficial.
Até esta checagem, nenhum comunicado oficial dos Estados Unidos ou do Brasil confirmou a nomeação descrita no vídeo.
Mixvale