Trump diz que intervenção dos EUA na Venezuela pode durar anos: 'Vamos reconstruir de forma muito lucrativa'
Em entrevista de quase duas horas ao The New York Times publicada nesta quinta-feira (08), o presidente americano Donald Trump afirmou que o controle dos Estados Unidos sobre a Venezuela, após seu governo atacar o país e capturar o presidente Nicolás Maduro, pode durar anos.
“Vamos reconstruí-la de uma forma muito lucrativa”, disse ao jornal. “Vamos usar petróleo e vamos importar petróleo. Vamos baixar os preços do petróleo e vamos dar dinheiro à Venezuela, que precisa desesperadamente disso.”
De acordo com o veículo, as declarações ocorreram nesta quarta (7), horas depois de autoridades do governo americano afirmarem que os Estados Unidos planejam assumir o controle efetivo da venda de petróleo da Venezuela por tempo indeterminado, como parte de um plano de três fases apresentado pelo Secretário de Estado Marco Rubio aos membros do Congresso.
Trump não especificou um prazo para a duração da intervenção dos Estados Unidos na Venezuela.
O New York Times destaca que Trump não respondeu às perguntas sobre por que reconheceu a vice-presidente de Maduro, Delcy Rodríguez, como a nova líder da Venezuela, em vez de apoiar María Corina Machado, a líder da oposição que ganhou o Prêmio Nobel da Paz e cujo partido liderou uma campanha eleitoral vitoriosa contra Maduro em 2024.
Trump também não se comprometeu com uma data para a realização de eleições na Venezuela.
O presidente americano reiterou ao New York Times que os aliados de Maduro "estão cooperando com os Estados Unidos", apesar de declarações públicas hostis. “Eles estão nos dando tudo o que consideramos necessário”, disse ele. “Não se esqueçam, eles nos tiraram o petróleo anos atrás.”
Sobre as perguntas do jornalista se Trump enviaria tropas americanas se o governo venezuelano o impedisse de acessar o petróleo do país e se a Venezuela "se recusasse a expulsar o pessoal russo e chinês", Trump respondeu: “Não posso responder isso”. “Eu realmente não gostaria de responder isso, mas eles estão nos tratando com muito respeito. Como você sabe, estamos nos dando muito bem com o governo atual.”
Ele ainda disse que gostaria de viajar para a Venezuela no futuro, pois acha “que em algum momento será seguro”.
O jornal destaca que Trump interrompeu a entrevista com quatro jornalistas (David E. Sanger, Tyler Pager, Katie Rogers e Zolan Kanno-Youngs) para atender a uma ligação do presidente Gustavo Petro, da Colômbia, que veio após o americano ter ameaçado atacar o país. "A ligação do Sr. Petro — que durou cerca de uma hora — pareceu dissipar qualquer ameaça imediata de ação militar dos EUA", diz o texto.
A entrevista, definida como "abrangente" pelo New York Times, ainda abordou o tiroteio fatal de agentes do ICE em Minneapolis, imigração, a guerra entre Rússia e Ucrânia, Groenlândia e a OTAN, sua saúde e seus planos para novas reformas na Casa Branca.
