Trump considera ocupar ou bloquear ilha iraniana de Kharg para reabertura de Ormuz, diz site
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está considerando planos para ocupar ou bloquear a ilha iraniana de Kharg para pressionar o Irã a reabrir o Estreito de Ormuz. Essa informação foi revelado pelo site de notícias Axios, citando quatro fontes envolvidas diretamente ao assunto.
A ilha, um centro que responde por cerca de 90% das exportações de petróleo bruto do Irã, localizada a aproximadamente 30 quilômetros da costa iraniana, foi duramente atingida por ataques aéreos dos EUA no último final de semana.
O local é considerado um ponto estratégico em Ormuz, visto que serve como ponto de observação também para as embarcações que passam no estreito.
Em declarações recentes à France 24, Farzin Nadimi, pesquisador sênior do Instituto de Washington para Política do Oriente Próximo, afirmou que Washington poderia tomar a ilha quando as hostilidades terminassem, mas que enviar tropas terrestres 'não seria uma decisão sábia' durante o combate, acrescentando que Kharg é 'quase uma ilha inteira de instalações petrolíferas, oleodutos e parques de tanques'.
Israel pretende atacar infraestrutura energética no Golfo e culpar Irã, defende país persa
Destruição no Irã após ataques dos Estados Unidos e de Israel.
Iranian Red Crescent / AFP
O governo de Israel está pretendendo atacar instalações de energia no Golfo, de países da região, e culpar o Irã. Ao menos essa é a afirmação do porta-voz da sede central do Khatam al-Anbiya, o quartel-general da Guarda Revolucionária iraniana, Ebrahim Zolfaqari.
Citado pela TV estatal, ele defendeu que esses dados foram levantados pelo setor de inteligência da guarda. Entre os locais possíveis, está a sede da Aramco, na Arábia Saudita.
O porta-voz defende que o 'histórico de sabotagem com o objetivo de culpar o Irã e semear discórdia entre os países da região confirma essa intenção maliciosa'.
Em uma conversa nesta sexta-feira (20) com a chanceler do Reino Unido, Yvette Cooper, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, pressionou e fez ameaças contra o país liberar o uso de suas bases militares no Oriente Médio para os Estados Unidos.
Segundo o dito no telefonema, Araghchi afirmou que a decisão de permitir uso de 'suas bases militares é certamente considerada cumplicidade na agressão israelo-americana, e o Irã reserva o direito de defender sua soberania e independência'.
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, alertou nesta sexta-feira (20) que poderão haver 'consequências devastadoras' para o mundo se a comunidade internacional não responder ao 'terrorismo de Estado' que 'caracteriza' Israel e os Estados Unidos.
Em um texto publicado nas redes sociais, ele declarou que a 'agressão dos EUA contra o Irã e o assassinato do líder mártir criam um precedente em disputas internacionais que destruirá as normas jurídicas globais', se referindo a morte do líder supremo Ali Khamenei.
'Se o mundo não se mantiver firme, as consequências serão devastadoras, completou no texto.
Em meio a isso, o Irã expandiu os ataques contra instalações de petróleo e gás em todo o Golfo Pérsico. O governo de Teerã afirmou que o objetivo é atingir a infraestrutura de países que possuem ligação com os Estados Unidos e Israel.
A ação ocorre em resposta ao bombardeio israelense contra o maior campo de produção de gás do mundo, que o Irã compartilha com o Catar.
Diante da ofensiva, a Arábia Saudita afirmou que tem o direito de revidar as ações iranianas, e não apenas de se defender. Segundo o ministro das Relações Exteriores saudita, o Irã não aceita diálogo e tenta pressionar vizinhos.
Estreito de Ormuz é uma região entre Irã e Omã.
Reprodução/Nasa
O aumento da tensão no Oriente Médio provocou a alta nos preços do petróleo. O barril do tipo Brent superou os 115 dólares nessa quinta (19), o maior valor em mais de uma semana.
Sobre o ataque ao campo de gás iraniano, o presidente Donald Trump afirmou que pediu ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu que não realizasse a operação.
Segundo a agência Reuters, no entanto, há informações de que o bombardeio foi coordenado com os Estados Unidos.
Em pronunciamento, Netanyahu declarou que Israel agiu sozinho e confirmou o pedido de Trump para evitar novos ataques a estruturas de energia.
O conflito completa três semanas neste sábado (21) e o Pentágono vai pedir ao Congresso americano duzentos bilhões de dólares para continuar na guerra, segundo o jornal The Washington Post.
Enquanto isso, em reunião na Arábia Saudita, doze países árabes e islâmicos condenaram as ações do Irã e exigiram o fim do apoio a milícias na região.
Na Europa e no Japão, governos disseram que estão prontos para atuar na liberação do Estreito de Ormuz, via por onde passa 20% do petróleo mundial.
Ainda nessa quinta-feira (19), Donald Trump causou mal-estar diplomático ao mencionar o ataque a Pearl Harbor durante encontro com a primeira-ministra do Japão. A fala ocorreu após ele ser questionado sobre a falta de aviso prévio aos aliados sobre as operações militares.
O episódio de Pearl Harbor, citado pelo presidente, ocorreu na Segunda Guerra Mundial e deixou 2,4 mil americanos mortos. O ataque foi uma ofensiva surpresa realizada pelo Japão contra a base naval americana que afundou navios de guerra e destruiu aviões.
