'Martirizado': entenda por que regime iraniano usa expressão por mortos na guerra com EUA e Israel
Desde o início da guerra no Oriente Médio, no final de fevereiro, diversas autoridades do alto escalão do regime do Irã foram mortos após ataques de Israel e dos Estados Unidos. O caso mais emblemático foi do líder supremo, Ali Khamenei, um dos primeiros alvos dos bombardeios.
Entre as mortes mais recentes estão do chefe do Conselho de Segurança, Ali Larijani, e do ministro da Inteligência, Esmail Khatib.
O comunicado do governo iraniano possui algo em comum com todas as mortes. Não revelar a palavra 'morte' ou qualquer derivação, e sim dizer que esses membros foram 'maritirizados'.
Esse termo é utilizado dessa forma para trazer a ideia de uma pessoa que morta por conta da defesa da sua fé, sendo atingindo por conta disso.
Contudo, é possível pensar que a guerra não tem nenhuma relação religiosa diretamente. Porém, se trata de uma forma ideológica de defender que o regime dos aiatolás está intriscamente conectado com a religiosidade islâmica. E isso foi um dos fatores determinantes para a revolução iraniana de 1979.
Ao mesmo tempo, se torna uma ferramenta contra o regime de Israel, que é pautado pelo judaísmo e constantemente esteve em confronto com outros países no Oriente Médio por conta da religiosidade, visto que grande parte da região é muçulmana.
Líder supremo do Irã pede retirada de segurança de inimigos após morte do ministro da Inteligência
Novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei.
HAMED JAFARNEJAD/INSA/AFP
O novo líder supremo do Irã, o aiatolá Mojtaba Khamenei, pediu que os inimigos de sua nação tenham a segurança deles retirada. A mensagem mais recente ao público foi feita nesta sexta-feira (20) após Israel matar o ministro da Inteligência, Esmail Khatib.
Khamenei emitiu um comunicado escrito em nome dele, assim como os anteriores, e foi enviado ao presidente do Irã, Masoud Pezeshkian.
Mojtaba Khamenei não é visto desde que foi nomeado para liderar o país sucedendo o próprio pai, o aiatolá Ali Khamenei, que foi morto em um ataque aéreo israelense no primeiro dia da guerra, em 28 de fevereiro.
A guerra no Oriente Médio entra na terceira semana com ataques em infraestruturas energéticas do Golfo, com novos ataques tanto por parte de Israel como do Irã.
Israel afirmou ter matado Ali Mohammad Naini, porta-voz e chefe do departamento de relações públicas da Guarda Revolucionária Islâmica.
Israel e Irã lançaram novos ataques um contra o outro na sexta-feira, um dia depois de Teerã ter atingido uma refinaria de petróleo israelense e após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter alertado Israel contra novos ataques a um campo de gás offshore iraniano compartilhado com o Catar.
Nesta manhã, a infraestrutura elétrica em Haifa, em Israel, foi alvo de um ataque. As operações foram suspensas, mas devem ser retomadas em poucos dias.
O Ministério do Interior do Bahrein informou que as equipes da defesa civil já extinguiram um incêndio em um armazém de uma empresa, causado por estilhaços de um ataque iraniano.
O barril do Petróleo tipo Brent continua em alta, cotado em cerca de 110 dólares.
Presidente Donald Trump em discurso no Congresso dos EUA.
Kenny HOLSTON / POOL / AFP
