Trump apoia rotulagem da origem da carne bovina e simplifica processo para pecuaristas

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

O presidente Donald Trump tomou medidas para exigir a indicação do país de origem na carne bovina importada, na mais recente iniciativa para acalmar os pecuaristas indignados com o plano da Casa Branca de aumentar as importações. Míriam Leitão: Exportação de carne bovina cai 19,7% em agosto após esgotamento de cota chinesa Ovos e mel afetados: Governo diz ter recebido veto à carne brasileira pela UE com 'indignação' e ameaça adotar 'medidas de reciprocidade' Trump também afirmou que criará um programa para ajudar os pecuaristas a processarem sua própria carne, iniciativa que ele já havia antecipado na semana passada, após a reação negativa do setor ao seu plano de permitir a importação de até 300 mil toneladas de carne bovina moída estrangeira com tarifas reduzidas. Há meses, o governo tenta reduzir os preços da carne bovina, que continuam persistentemente elevados às vésperas das eleições legislativas de meio de mandato, em meio à grave escassez de gado nos Estados Unidos.

Análise: Ibama autoriza Petrobras a perfurar mais três poços na Bacia da Foz do Amazonas, no Amapá No entanto, qualquer medida para ampliar a oferta no curto prazo por meio de importações enfrenta oposição de entidades do setor agropecuário, que afirmam que essas importações prejudicam o mercado interno ao pressionarem os preços pagos aos produtores e desestimularem a recomposição do rebanho americano, responsável pela maior parte da carne consumida no país. Essas importações têm vindo principalmente da Argentina e do Brasil, confirmou Trump nesta sexta-feira, durante pronunciamento no Salão Oval. Ao detalhar os planos para flexibilizar as regras de processamento de carne, Trump afirmou estar "criando um programa para que pequenos, médios e grandes pecuaristas possam vender seus produtos diretamente aos consumidores, sem precisar passar pelos quatro grandes frigoríficos e pelos intermediários". Os maiores frigoríficos dos Estados Unidos são Tyson Foods e Cargill, além da JBS, controlada por brasileiros, e da National Beef. A concentração do setor há muito tempo desperta preocupações entre os pecuaristas, que alegam receber preços deprimidos pelos animais.

No entanto, os frigoríficos também vêm enfrentando dificuldades financeiras devido à escassez de gado. O sinal mais recente dessas pressões ocorreu na quinta-feira, quando a Tyson reduziu inesperadamente sua projeção de lucro pela segunda vez em um mês. Nas últimas semanas, o presidente já havia sinalizado que pretendia agir para reduzir regulamentações federais sobre o processamento de carne bovina, atendendo a uma antiga reivindicação dos produtores independentes.

No início desta semana, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos também anunciou uma série de medidas para apoiar os pecuaristas no longo prazo, incluindo um programa de empréstimos para frigoríficos de menor porte e um seguro para produtores que mantiverem animais destinados à reprodução. O Departamento de Agricultura dos EUA também anunciou, no início desta semana, uma série de medidas para apoiar os pecuaristas americanos a longo prazo, incluindo um programa de empréstimos para pequenos processadores e um seguro para a retenção de animais para reprodução. Essas iniciativas foram recebidas com reações mistas no setor. A Associação Nacional de Pecuaristas (NCBA) e o Instituto da Carne (Meat Institute), que representam pecuaristas e processadores, respectivamente, manifestaram preocupações com a segurança alimentar caso as regulamentações de processamento fossem flexibilizadas. A cadeia de produção da carne bovina também é altamente fragmentada, já que os animais frequentemente passam por diversos produtores antes de chegarem ao frigorífico. Isso significa que muitos pecuaristas não possuem a infraestrutura necessária para criar o gado desde o nascimento até o abate. Sobre a questão da rotulagem, Trump afirmou que levará a proposta ao Congresso "imediatamente" e disse acreditar que sua aprovação "não deverá encontrar dificuldades". Os pecuaristas há muito defendem a rotulagem como forma de manter preços mais altos para a carne bovina produzida nos Estados Unidos. A R-Calf USA, juntamente com uma coalizão de outros grupos agrícolas, lançou no início desta semana uma petição solicitando à Casa Branca e ao Congresso que restabeleçam a rotulagem obrigatória do país de origem. A rotulagem obrigatória da origem da carne vigorou nos Estados Unidos entre 2009 e 2015. As etiquetas indicavam se o produto havia sido apenas parcialmente produzido no país — por exemplo, quando o animal era criado no exterior, mas processado nos EUA — ou se era totalmente importado.

O Congresso revogou essa exigência após a Organização Mundial do Comércio concluir que a medida discriminava produtores do Canadá e do México, autorizando esses países a impor pesadas tarifas retaliatórias sobre produtos americanos. Trump também declarou nesta sexta-feira que está autorizando os pecuaristas a protegerem as comunidades rurais e seus rebanhos contra os "lobos-cinzentos mexicanos predadores", os quais, segundo ele, causam prejuízos de dezenas de milhões de dólares e colocam em risco não apenas o gado, mas também as pessoas.

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