Triunfo repercute no mundo e barra a extrema-direita na região

Triunfo repercute no mundo e barra a extrema-direita na região - Foto
Fonte da notícia: Correio Braziliense Correio Braziliense

O triunfo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com a quarta vitória nas urnas, interrompeu a hegemonia da extrema-direita na América do Sul, enviou uma mensagem às big techs e aos Estados Unidos, e repercutiu em todo o planeta. Assim que a apuração dos votos foi finalizada, os principais veículos de comunicação do mundo estamparam em seus sites, com destaque, a reeleição de Lula.

O jornal britânico The Guardian trouxe uma foto dos eleitores comemorando nas ruas, com sinalizador e bandeiras, e a manchete "Lula, titular da esquerda, derrotou Bolsonaro, anunciou a Corte Eleitoral".Os primeiros líderes mundiais a parabenizarem Lula pela vitóriaLula conquista 10 milhões de votos com virada em Minas, avanço em SP e reforço da liderança no NordesteO jornal The New York Times publicou o título "O Brasil reelege Lula, rejeitando o filho do antecessor", ao lado de uma foto de Lula, sorridente, usando óculos no formato de estrelas.

O site do espanhol El País trouxe uma foto de Lula apertando a mão de eleitores, durante a passeata em São Paulo, com a manchete "Lula ganha no Brasil". A emissora CNN mostrou a imagem de Lula abraçado com uma bandeira do Brasil, sob o título: "Lula derrota Bolsonaro, aliado de Trump, mantendo o Brasil à esquerda, enquanto a América Latina se muda para a  direita".  O jornal britânico The Guardian destacou a recusa de Flávio Bolsonaro em aceitar a derrota (foto: The Guardian/Reprodução)O norte-americano Anthony W.

Pereira, diretor executivo do Centro para Estudos Latino-Americanos da Universidade de Tulane, em Nova Orleans, declarou ao Correio que a eleição de ontem talvez tenha sido a mais importante, para o restante do mundo, dos últimos tempos. "As táticas de intimidação do governo de Donald Trump e suas tentativas de influenciar eleições ao redor do mundo nem sempre serão bem-sucedidas.

As tarifas, a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho como 'terroristas' e o alerta de Trump no G7 de que a política brasileira é 'perigosa' — todas as tentativas de minar o governo Lula e levar Flávio Bolsonaro ao poder acabaram saindo pela culatra.

Esse resultado dará confiança a governos eleitos na Europa, que Trump também tenta minar, com o objetivo de levar a extrema-direita ao poder", comentou. Segundo Pereira, o fracasso da interferência de Trump nas eleições brasileiras mostram que as pessoas não aceitam ver sua soberania e sua democracia minadas.

"Isso também envia uma mensagem aos americanos nas eleições de meio de mandato de 3 de novembro: a de que a política externa de Trump nem sempre é vitoriosa — por mais que ele e seu secretário de Estado, Marco Rubio, se gabem de uma 'onda laranja' de seguidores de direita de Trump sendo eleitos no Peru, na Colômbia, no Chile, na Costa Rica, em Honduras e em outros lugares da América Latina", comentou. "Foi uma vitória essencial contra a extrema-direita na América Latina; contra Javier Milei, na Argentina; contra Trump, nos EUA; e contra Benjamin Netanyahu, em Israel", avaliou ao Correio o historiador político James Naylor Green, brasilianista da Universidade Brown (em Rhode Island).

O estudioso lembrou que, apesar de todos os desafios de seu governo, Lula conseguiu convencer as pessoas de que era importante conservar as medidas sociais. "Os brasileiros também rejeitaram Flávio Bolsonaro e sua família.

A vitória de Lula ajudará a defender a América Latina dos ataques de Trump e sua tentativa de restabelecer uma dominação regional que não cabe no século 21", observou. O francês Le Monde destacou que Lula teve 51,79% dos votos, e seu rival não reconheceu a derrota (foto: Le Monde/Reprodução)LiderançasPara Green, Lula terá o desafio de não controlar o Congresso.

"A diferença de votos de mais de 4 milhões foi maior do que a Dilma Rousseff conseguiu em 2014. O bolsonarismo não acabou, pois a família conta com um certo apoio popular e funciona como um tipo de seita, mas ficou enfraquecida", disse o professor de Brown.

"Lula precisa incentivar novas gerações e novas lideranças para 2030. O PT aprendeu e mudou a orientação do primeiro para o segundo turno, mobilizou as bases de modo impressionante e dominou as mídias sociais.

De forma espontânea, eleitore se organizaram para ganhar votos, e isso foi a chave da eleição." Professor de história e estudos internacionais na Universidade Estadual de Louisiana e pesquisador associado ao Washington Brasil Office, André Pagliarini explicou ao Correio que a perspectiva de um retorno da família Bolsonaro ao poder "eliminou a complacência e as incertezas de uma coalizão nacional que não tinha levado Flávio a sério como adversário até o primeiro turno". "A extrema-direita é uma força indiscutível, mas os obituários prematuros do PT precisarão ser descartados", advertiu.

Segundo ele, a vitória de Lula é um lembrete dos limites da influência norte-americana. "O governo de Donald Trump jamais escondeu sua preferência nessa disputa.

Como historiador estou muito curioso para ver o que será divulgado sobre os esforços subterrâneos nessa corrida eleitoral. Mesmo assim, não conseguiu emplacar seu candidato preferido", acrescentou.Pagliarini acredita que será necessário compreender o poder decisório americano com as devidas proporções.

"Houve uma tentativa dos EUA de influir, embora tenham abaixado o volume no fim da campanha. Mas as coisas não acontecem simplesmente porque Washington quer.

Um país do porte do Brasil tem como resistir. Essa é uma lição chave dessa eleição", destacou. O especialista da Universidade Estadual de Louisiana admitiu que os desafios do PT se mantêm, com um partido cada vez mais regional, mas advertiu que a guerra civil do pós-Lula se posterga por mais quatro anos.

"Há tempo de respirar, de planejar, e trabalhar sem a sombra ameaçadora de uma presidência de extrema-direita no poder", afirmou Pagliarini. Com a derrota, ele avalia que o clã Bolsonaro perde muito.

"A direita é maior do que a família Bolsonaro, e os candidatos nesse campo farão questão de enfatizar isso." Saiba Mais Esportes Corinthians parabeniza Lula pela reeleição como presidente do Brasil Política Abstenções, brancos e nulos caem do primeiro para o segundo turno Esportes Após expulsão, leitura labial detalha nova ofensa de Neymar a Nestor

Publicação Original Correio Braziliense correiobraziliense.com.br
Acessar no site oficial
Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X
Curadoria e Apuração Editorial QTU Conteúdo jornalístico publicado em conformidade com os nossos Princípios Editoriais e política de transparência.
Conhecer a Redação →