Três torcidas organizadas e ascensão meteórica: conheça o Niteroiense F.C., time que busca novos títulos em 2026

 

Fonte:


Após dois anos conquistando acessos seguidos no Campeonato Carioca, saindo da Série C, conquistando a B2 e alcançando a série B1 estadual (equivalente à Terceira Divisão), o Niteroiense Futebol Clube viveu em 2025 o seu primeiro ano sem conquistas desde que voltou às atividades, em 2023. O clube — que é o único representante da cidade no futebol estadual — bateu na trave no ano passado, ficando a apenas dois pontos da classificação para o mata-mata, que premia os dois vencedores com o acesso para a Segunda Divisão estadual, a A2.

Problema ambiental: Niterói teve pelo menos 50 tartarugas mortas em praias em três meses

Laboratório doméstico: Polícia descobre plantação com 125 pés de maconha em Niterói

Apesar da frustração no ano passado, a expectativa do atual presidente, da comissão técnica e da torcida é que o time conquiste o tão sonhado acesso este ano.

Em entrevista ao GLOBO-Niterói, André Silva, presidente do Niteroiense F.C., explicou que o “quase” do ano passado serviu para identificar erros internos e ajustar o perfil do elenco. Em vez de um grupo recheado de atletas, a estratégia agora é enxugar o plantel para desenvolver um trabalho mais específico.

— No ano passado tínhamos muitos jogadores. Percebemos que isso nos atrapalhou, então tivemos que reduzir um pouco. Estamos acertando coisas que deixamos escapar para melhorar este ano — explica Silva. —Em 2025 vimos que os times que vieram só com jovens brigaram na parte de baixo, então nossa ideia é trabalhar com um grupo menor, mesclando nossos jogadores da base com atletas mais experientes.

O processo de aprendizagem também foi sentido na categoria sub-20 do time, que, por conta do regulamento da Federação de Futebol do Rio de Janeiro (Ferj), sempre disputa a mesma divisão estadual do time principal. O técnico da categoria, Estevão dos Santos, acredita que o fator experiência será o diferencial nesta temporada.

— Ano passado, assim como o time principal, ficamos fora da fase de mata-mata por um detalhe, apenas um ponto. Agora o grupo já maturou, os atletas já conhecem a dificuldade da B1, e chegaremos muito mais fortes este ano — projeta.

Atualmente, o Niteroiense manda seus jogos no Cefat, campo de futebol em Várzea das Moças, bairro afastado da região central da cidade, onde o time faz a maior parte dos seus treinamentos, no campo da Concha Acústica. Segundo o presidente do time, o desejo de trazer os jogos para o Centro de Niterói esbarra em burocracia.

— Mandar jogos aqui (na Concha) depende de autorização dos Bombeiros e de laudos que ainda estão para sair. Nossa vontade era jogar aqui. Treinamos aqui, conhecemos o piso e estamos acostumados, mas infelizmente dependemos dessa liberação — diz Silva.

Da esquerda para a direita: Estevão dos Santos, André Silva e o capitão do time sub-20, Ryan Luciano

Filipe Bias

O desejo de mandar as partidas oficiais no Complexo Esportivo da Concha Acústica também é compartilhado pela torcida. Hoje, o Niteroiense conta com três organizadas: a Popular Niteroiense, a Falange Azul e a Esquadrão.

O exemplo de Maricá

O presidente da Popular, Jorge Diogo, afirma que a distância para o campo atrapalha não só as caravanas como o engajamento do restante da população da cidade.

— Jogar no Cefat é como se o jogo não fosse em Niterói; é um campo que fica muito longe, praticamente em Maricá. Além de ser a nossa casa, a Concha Acústica atrairia trabalhadores do Centro, estudantes da UFF e até frequentadores do Plaza Shopping, porque a Concha fica perto de tudo, inclusive dos terminais rodoviários e das barcas — explica.

Mesmo sem poder jogar em casa, Jorge Diogo afirma que nunca faltou apoio ao time da cidade, já que a Popular compareceu a todos os jogos das séries C e B2 do carioca.

— Não é agora que a gente vai deixar de ir. O clube pode jogar em Cardoso Moreira, Xerém, na divisa com o Espírito Santo, São Paulo. Onde o Niteroiense estiver, estaremos lá para apoiar — afirma Diogo.

Para o líder da torcida, o projeto transcende as quatro linhas e precisa ser cada vez mais abraçado pelo poder público, pois, segundo ele, o crescimento do time pode impulsionar o comércio local e gerar retorno financeiro para a cidade.

O modelo defendido pelo presidente da torcida pode ser visto na cidade vizinha de Maricá, onde o Maricá F.C., time fundado em 2018, alcançou a elite estadual no ano passado, apenas sete anos após a sua oficialização, impulsionado por um forte investimento da prefeitura local em esportes.

Procurada para informar sobre possíveis aportes financeiros e projetos para o Niteroiense, a prefeitura de Niterói não respondeu até o fechamento desta edição. Ainda distante da realidade de Maricá, o Niteroiense segue firme no objetivo de disputar a Primeira Divisão do estado, tendo a certeza de que poderá contar sempre com a sua torcida.

Initial plugin text