Três mulheres são presas e um homem morto em caso de tortura em MT; vítima recebeu golpes nas mãos por ordem do tráfico

Três mulheres são presas e um homem morto em caso de tortura em MT; vítima recebeu golpes nas mãos por ordem do tráfico - Foto
Fonte da notícia: Extra Extra

Um caso de tortura contra uma mulher de 32 anos em Mato Grosso acabou com três suspeitas presas e um homem morto. O crime, segundo investigação da Polícia Civil, foi motivado por ordem de uma facção criminosa em São José dos Quatro Marcos, na semana passada.

Agentes foram notificados pelo hospital onde a vítima buscou atendimento médico para tratar de lesões nas mãos ocasionadas pelos golpes desferidos pelo grupo. Foragido há 10 anos, líder de facção criminosa é preso no RS com identidade de homem morto

Conselho Tutelar: Mãe e padrasto são presos suspeitos de estupro de vulnerável no Paraná A vítima buscou atendimento no hospital municipal de São José dos Quatro Marcos na madrugada na última quinta-feira (22) com lesões, principalmente nas mãos.

Diante desse quadro, a equipe médica acionou as polícias Civil e Militar. Na Delegacia de São José dos Quatro Marcos, a mulher relatou a tortura e disse que acreditava que seria morta.

Com as informações passadas pela mulher, as equipes deram início às investigações para prender os suspeitos de envolvimento no caso. Além de agentes da delegacia onde foi feito o atendimento, participaram equipes da Delegacia de Mirassol D’Oeste e da Polícia Militar, por meio de equipes da GAP, Força Tática e Agência Local de Inteligência.

A vítima relatou que no imóvel na cidade para onde foi levada horas antes, na noite de quarta-feira (21), estavam três mulheres — que foram identificadas tendo 18, 23 e 24 anos — e um homem, de 27 anos. Os policiais descobriram quem eles eram, mas as identidades não foram divulgadas para a imprensa.

O endereço onde as agressões ocorreram é a casa de uma das suspeitas, no bairro Jardim Popular. Segundo a vítima, ela foi chamada para lá para “explicar” boatos que estaria espalhando pela cidade.

A ordem para isso partiu, de acordo com a polícia, de uma liderança de uma facção criminosa. Ainda foi imposto que o "julgamento" fosse transmitido ao vivo por videochamada para que criminosos do tráfico pudessem acompanhar.

Durante a chamada, a vítima foi interrogada e pressionada a confessar que as acusações que fazia eram falsas. A liderança então determinou que ela recebesse 20 golpes de ripa de madeira nas mãos.

Essa prática é usada por facções criminosas e conhecida como "salve" tem a finalidade de punir quem descumpre as regras impostas. Uma das suspeitas aplicou os golpes.

Outra filmou a sessão para que o criminoso acompanhasse tudo. As demais pessoas vigiaram a vítima para impedir que ela saísse.

O exame de corpo de delito confirmou as lesões. Na tarde de quinta-feira, horas depois da denúncia, as equipes prenderam em flagrante as três suspeitas: uma no supermercado onde trabalhava, outra em casa e a terceira no imóvel onde as agressões aconteceram.

Os celulares delas foram apreendidos. Nos interrogatórios, as presas confirmaram como os fatos aconteceram, de acordo com a Polícia Civil.

Ao mesmo tempo, uma equipe da Polícia Militar foi até a casa do homem apontado como “disciplina” da facção. Segundo a corporação, ele desobedeceu à ordem de abordagem, entrou no imóvel e apontou uma arma de fogo contra os policiais.

Os agentes atiraram. O suspeito foi socorrido e levado para o hospital municipal, mas não resistiu.

Um revólver foi apreendido ao lado dele. A morte será apurada em procedimento próprio, e as perícias de local e de necropsia já foram requisitadas.

As três mulheres foram autuadas por tortura, crime equiparado a hediondo e punido com reclusão de 2 a 8 anos. A Polícia Civil representou à Justiça pela quebra do sigilo dos dados dos celulares apreendidos.

Na audiência de custódia, a prisão em flagrante foi convertida em preventiva para as três suspeitas e autorizou o acesso aos dados dos aparelhos. Na decisão, a Justiça considerou a gravidade do crime e o risco de que a vítima fosse intimidada.

Duas das presas estavam em liberdade provisória por caso recente de tráfico de drogas. As investigações continuam para identificar a liderança que ordenou a punição e outros envolvidos, além de apurar a participação de cada um na organização criminosa.

Publicação Original Extra extra.globo.com
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