Três empresas brasileiras levarão soluções sustentáveis à COP31 na Turquia

Três empresas brasileiras levarão soluções sustentáveis à COP31 na Turquia - Foto
Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

247 – Três empreendimentos brasileiros que utilizam recursos naturais e resíduos para desenvolver soluções ambientais foram selecionados para apresentar seus projetos na 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP31), em Antalya, na Turquia. As iniciativas envolvem a produção de um bioaditivo capaz de reduzir o consumo de diesel, um sistema de reciclagem que remunera catadores e uma linha de cosméticos elaborados com ingredientes da Amazônia.

Segundo a Agência Sebrae de Notícias, as empresas escolhidas são a Bioassu, do Maranhão, a Plaspop, de Minas Gerais, e a Tekohá, do Pará. Os três negócios participaram do programa Empreender Clima, que oferece capacitação empresarial e assistência técnica para fortalecer iniciativas ligadas à economia verde e facilitar o acesso a investimentos.

A seleção ocorreu por meio do Edital de Assistência Técnica Empreender Clima 2026, que contemplou inicialmente 20 empreendimentos com serviços de diagnóstico, mentorias e orientação técnica, jurídica, contábil e comercial. Entre os participantes, três foram escolhidos para apresentar presencialmente suas soluções na conferência internacional.

Bioaditivo de babaçu reduz consumo de diesel Localizada em Coroatá, no Maranhão, a Bioassu desenvolveu o ABAX, um bioaditivo produzido a partir do babaçu que busca aumentar a eficiência do uso de diesel sem necessidade de alterações nos motores.

A tecnologia aproveita integralmente o coco adquirido de comunidades extrativistas, criando novas possibilidades de comercialização do fruto. Nos testes realizados em 2025, a empresa informou ter economizado 920 litros de diesel em um volume de 6.362 litros tratados, resultado apresentado como uma redução de 12,6% no consumo.

A Bioassu também estimou que os ensaios evitaram a emissão de aproximadamente 2,48 toneladas de dióxido de carbono equivalente, considerando os critérios utilizados nos cálculos. O projeto também apresenta resultados econômicos para as comunidades fornecedoras.

Desde 2021, aproximadamente 55 produtores participaram da comercialização de cocos, movimentando R$ 57,6 mil em compras realizadas pela empresa. A utilização do fruto inteiro oferece uma alternativa à atividade tradicional de extração manual das amêndoas.

Com a assistência técnica recebida no programa, a Bioassu estruturou um plano de expansão que prevê investimento de aproximadamente R$ 981,2 mil. A meta é elevar a produção mensal do bioaditivo de uma para quatro toneladas em até 12 meses.

Os recursos ainda estão sendo buscados, sem aprovação de financiamento até o momento. Reciclagem gera R$ 161 mil para catadores em Minas Gerais

A Plaspop, de Minas Gerais, criou um sistema que transforma a entrega de materiais recicláveis em benefícios para consumidores e oportunidades de renda para trabalhadores do setor. O projeto Estação Circular utiliza pontos de coleta nos quais os participantes depositam resíduos e recebem vantagens que podem ser convertidas em produtos.

Na primeira unidade, instalada em Betim, foram recolhidas 72,4 toneladas de materiais recicláveis entre setembro de 2024 e setembro de 2025. Durante esse período, a operação atendeu 1.631 usuários e gerou R$ 161 mil em receita operacional para catadores.

Os indicadores apresentados pela empresa também apontam benefícios de R$ 56 mil distribuídos aos participantes, impacto sobre 28 trabalhadores e uma estimativa de 117,2 toneladas de dióxido de carbono evitadas. A iniciativa já chegou a municípios como Belo Horizonte, Sarzedo, Curvelo, Esmeraldas, Mário Campos e Três Marias.

A empresa pretende ampliar sua rede em Minas Gerais e instalar novas unidades no Espírito Santo e no Rio de Janeiro. A apresentação na COP31 poderá contribuir para a busca de parceiros comerciais e institucionais interessados na expansão do modelo, que integra consumidores, empresas, poder público e organizações de catadores.

Cosméticos amazônicos valorizam produção regenerativa A terceira iniciativa selecionada é a Tekohá, de Belém, no Pará.

Fundada pela empreendedora Danielle Amaral, a marca desenvolve cosméticos a partir de ingredientes da biodiversidade amazônica e adota práticas voltadas à redução de impactos ambientais. O portfólio inclui maquiagens multifuncionais e produtos para cuidados com a pele, produzidos com matérias-primas naturais e embalagens biodegradáveis ou recicláveis.

A empresa também estabelece relações comerciais com fornecedores regionais e incentiva práticas agrícolas regenerativas. De acordo com os resultados divulgados pela Tekohá, suas atividades estão associadas a aproximadamente 35 hectares sob manejo regenerativo, além da capacitação de mais de 60 mulheres.

O trabalho alcança quatro comunidades e 48 famílias. A empresa informa ainda que remunera fornecedores com valores 15% superiores aos parâmetros de referência utilizados em suas relações comerciais, buscando ampliar os ganhos econômicos das comunidades envolvidas.

Reconhecida entre os 100 destaques do Prêmio Sebrae Startups 2025, a Tekohá também participou de programas nacionais e internacionais de aceleração empresarial. Para ampliar suas operações, a marca apresentou uma demanda de investimento de R$ 250 mil, com foco na preparação para exportações, na estruturação administrativa e em ações de marketing.

A participação na conferência poderá abrir oportunidades de negociação com parceiros estrangeiros interessados na bioeconomia amazônica. Programa prepara negócios para acessar financiamento climático

As três empresas integram uma iniciativa vinculada à plataforma Empreender Clima, lançada durante a COP30, realizada em Belém. O projeto é resultado de uma parceria entre o Sebrae, o Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte (MEMP) e a Organização de Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI).

A plataforma disponibiliza cinco cursos gratuitos pela internet, com conteúdos relacionados à gestão empresarial, empreendedorismo climático, marketing sustentável, expansão comercial e financiamento verde. Também oferece uma ferramenta de pré-enquadramento de projetos ao Fundo Clima Automático, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O mecanismo auxilia os empreendedores na organização de dados financeiros e técnicos necessários à apresentação de propostas de crédito, mas não assegura a aprovação dos recursos solicitados. O presidente do Sebrae, Décio Lima, destaca que o objetivo é ampliar a participação dos pequenos negócios na transformação econômica associada à sustentabilidade.

“O Sebrae trabalha para que os empreendedores brasileiros sejam protagonistas da transição para uma economia mais sustentável. Com o Empreender Clima, oferecemos conhecimento, capacitação e oportunidades para transformar soluções inovadoras em negócios competitivos, capazes de gerar renda, preservar o meio ambiente e conquistar novos mercados”, afirmou.

A presença dos empreendimentos na COP31 representa uma oportunidade de apresentar tecnologias brasileiras a investidores, instituições e organizações internacionais. Os projetos demonstram possibilidades de combinar redução de impactos ambientais, aproveitamento de recursos naturais e geração de renda em diferentes regiões do país.

Publicação Original Brasil 247 brasil247.com
Acessar no site oficial
Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X
Curadoria e Apuração Editorial QTU Conteúdo jornalístico publicado em conformidade com os nossos Princípios Editoriais e política de transparência.
Conhecer a Redação →