Três de uma vez: sagui ameaçado de extinção dá à luz trigêmeos em MG Uma fêmea de sagui-da-serra (Callithrix flaviceps), espécie criticamente ameaçada de extinção, deu à luz trigêmeos no domingo (25), no Centro de Conservação dos Saguis-da-Serra (CCSS), da Universidade Federal de Viçosa (UFV), em Minas Gerais.
O nascimento é considerado raro, já que as fêmeas geralmente têm dois filhotes por gestação. O programa de conservação dos saguis-da-serra, iniciado em 2025 e mantido pela UFV, é o único no mundo a realizar o manejo e a reprodução da espécie.
O professor Fabiano Melo, conhecido como Bião, coordena a equipe e explica que a mãe dos trigêmeos pertence a um dos grupos acompanhados pelos pesquisadores. 📱 Acompanhe o Terra da Gente também no Instagram
O programa de reprodução assistida busca garantir a sobrevivência do sagui-da-serra, classificado como criticamente em perigo de extinção pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) e pela lista nacional de espécies ameaçadas. Entre as principais ameaças estão a fragmentação florestal, a perda de habitat e a hibridação genética.
"Essa fêmea já tem filhotes da gestação passada, estão jovens hoje. Aí essa fêmea engravidou e acabou apresentando três filhotes, trigêmeos e os três nasceram, estão vivos", explica Bião Melo.
O biólogo explica que a sobrevivência do terceiro filhote é muito difícil sem a ajuda dos integrantes mais velhos do grupo. Isso porque os saguis têm uma organização social em que o pai, os irmãos e as irmãs também participam dos cuidados com os recém-nascidos.
Por enquanto, os três filhotes estão bem. Fêmea de sagui-da-serra dá à luz trigêmeos em MG
Centro de Conservação dos Saguis-de-serra - CCS VEJA TAMBÉM:
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Agora de outubro para frente. Eles têm filhotes em outubro, novembro e dezembro, deve ter uma levazinha final em janeiro e fevereiro, mas o mais frequente é em outubro e novembro", explica Bião Melo.
O sagui-da-serra é exclusivo da Mata Atlântica e ocorre no leste de Minas Gerais, na região serrana do Espírito Santo e no extremo norte do estado do Rio de Janeiro. A distribuição da espécie abrange altitudes que vão de cerca de 200 metros, na região do Vale do Rio Doce, até áreas acima de 1.200 metros no Espírito Santo.
Além dos trigêmeos, outros quatro filhotes nasceram sob cuidados humanos no CCSS em outubro de 2026. Duas fêmeas de um mesmo grupo ficaram grávidas do mesmo macho, que já foi separado para favorecer a variabilidade genética nas próximas reproduções.
Centro de Conservação dos Saguis-de-serra é o único a fazer esse trabalho Centro de Conservação dos Saguis-de-serra - CCS
Quando o programa de conservação conseguir aumentar o plantel de saguis-da-serra, a proposta é distribuir animais para outras instituições que trabalham com a conservação do primata. "À medida que a gente aumentar o plantel, a gente vai distribuir a espécie para outros criadouros pra que a gente aumente essa população de segurança sob cuidados humanos, com uma genética forte, consolidada e toda vez que tenha que fazer um projeto de reintrodução, a gente tenha essa genética protegida.
A ideia é a gente pegar pares, casais de localidades distintas, parear no nosso criadouro e ao mesmo tempo quando a gente for fornecer esses pares para outras instituições que eles também tenham uma genética diferente para que eles também possam reproduzir com o máximo de variabilidade possível", conta Bião Melo.
Considerado um dos menores primatas neotropicais, o sagui-da-serra pesa cerca de 400 gramas na fase adulta e apresenta pelagem clara. Assim como outras espécies do gênero *Callithrix*, vive em grupos familiares que podem variar de três a 20 indivíduos.
Cuidados antes e depois do nascimento Os trigêmoes não foram os únicos a nascerem
Centro de Conservação dos Saguis-de-serra - CCS A médica-veterinária Fabiana Voorwald, professora adjunta de cirurgia veterinária da UFV, também integra a equipe do CCSS.
Segundo ela, os cuidados com os animais começam antes mesmo do nascimento, com o acompanhamento das fêmeas durante a gestação. "O acompanhamento começa muito antes do nascimento, com o pré-natal das fêmeas gestantes.
No CCSS, realizamos pesagens semanais para acompanhar a evolução do peso materno, além de exames ultrassonográficos e radiográficos em momentos apropriados da gestação, conforme a avaliação médico-veterinária. Esses exames nos ajudam a acompanhar o desenvolvimento dos filhotes e a identificar possíveis alterações, orientando os cuidados com a mãe e a preparação para o parto", explica Fabiana.
A equipe também ajusta a alimentação das fêmeas para atender às necessidades nutricionais de cada fase da gestação. As suplementações são individualizadas e buscam prevenir deficiências nutricionais que possam comprometer a saúde materna e o desenvolvimento dos filhotes, inclusive aquelas associadas a malformações.
Os cuidados continuam durante a lactação, para garantir a amamentação e preservar a condição corporal da mãe. "Essa condição também nos proporciona uma oportunidade singular de conhecer melhor uma espécie ainda pouco estudada.
Tanto as pesquisas científicas quanto as observações diárias durante o manejo no CCSS permitem reunir informações sobre comportamento, alimentação, saúde, gestação, cuidados parentais e desenvolvimento dos filhotes", complementa a veterinária. Recuperação dos animais
Outra parte fundamental do trabalho é recuperar e melhorar as condições de saúde dos saguis provenientes da natureza que vão integrar o plantel reprodutivo. Alguns animais chegam ao centro com doenças ou endoparasitoses que podem comprometer a sobrevivência.
Por isso, precisam de cuidados específicos antes de serem incorporados aos grupos. Um dos principais problemas é uma infecção causada por um verme que ataca o intestino dos saguis-da-serra.
"É o caso dos indivíduos com parasitismo por Prostenorchis, para os quais temos desenvolvido e aplicado abordagens terapêuticas inovadoras, diante das limitações dos tratamentos convencionais. Nosso objetivo é aumentar suas chances de sobrevivência, promover sua recuperação e permitir que possam contribuir para a população de segurança.
Por se tratar de animais de uma espécie tão ameaçada, a recuperação de cada indivíduo tem grande importância para o programa", revela Fabiana Voorwald. Espécie é criticamente ameaçada
Centro de Conservação dos Saguis-de-serra - CCS A equipe veterinária também participa das decisões de manejo, em diálogo com profissionais e estudantes de diferentes cursos da UFV, como biologia, zootecnia e engenharia florestal.
Os pesquisadores discutem a formação dos grupos, as interações sociais, a alimentação, as condições dos recintos e o enriquecimento ambiental. A saúde e o comportamento dos animais estão diretamente relacionados.
Situações de estresse podem comprometer o bem-estar, alterar o consumo alimentar e interferir na resposta imunológica e na reprodução. "Esses resultados dependem do trabalho contínuo de uma equipe multidisciplinar e da articulação entre as ações sob cuidados humanos e a proteção das populações e de seus habitats na natureza.
O CCSS também tem um papel importante na formação das centenas de estudantes que passam por suas atividades anualmente e contribuem para sua execução. Ao participar da rotina, esses alunos compreendem, na prática, os desafios da conservação, a importância de cada decisão de manejo e a necessidade de integrar diferentes áreas do conhecimento", conclui Fabiana Voorwald.
O sagui-da-serra também é contemplado por políticas públicas, como o Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Primatas da Mata Atlântica e das Preguiças-de-Coleira e o Programa de Manejo Populacional. Ambos são coordenados pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), em parceria com instituições como a Universidade Federal de Viçosa.
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G1