Trend dos anos 80: imagens icônicas da época mostram como era o Rio e seus personagens na década viralizada nas redes

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Corte de cabelo mullet, caracterizado por ser menor na frente e nos lados e mais longo na nuca, e shorts curtos, com os quadríceps à mostra, entre homens. Franjas cacheadas e volumosas e calças jeans cintura alta entre as mulheres. Roupas de um colorido vibrante e jaquetas de couro. De repente, ou em um clique, a estética predominante nos anos 1980 tomou conta das redes sociais nos últimos dias, numa trend que usa fotos modificadas por inteligência artificial para mostrar como as pessoas seriam naquela época. Muita gente curiosa entrou na onda e está se divertindo com os resultados. O movimento acontece bem na semana do Rock in Rio, cuja primeira edição foi naquela década. Veja imagens icônicas da cidade no período em questão e agora.

Aos 60 anos: voluntário conclui 2.200km de trilha pelo Estado do Rio em quatro meses Espancamento em Copacabana: disputa por 'bicicleta enferrujada' provocou morte de homem, diz polícia 1 - Rock in Rio A primeira edição do Rock in Rio, em 1985, ficou marcada pelo histórico show da banda britânica Queen, então estrelada pelo icônico vocalista, pianista e compositor Freddie Mercury. Um dos pontos altos da performance foi o grande coral diante da música "Love of My Life", momento em que Freddie regeu o público de mais de cem mil pessoas. Outra marca era o terreno de chão batido, em Jacarepaguá, onde as chuvas transformaram o espaço num imenso lamaçal.

Galerias Relacionadas Nos últimos anos, o festival se tornou mais diverso, indo além do rock e heavy metal e abrindo espaço a outros gêneros musicais, como pop, funk e rap, e a novas experiências de entretenimento, com jogos, brinquedos (a exemplo da roda gigante) e gastronomia. Além disso, a Cidade do Rock foi transferida para o Parque Olímpico, com grama sintética e drenagem avançada. Uma das bandas que fazem parte da história atual do Rock in Rio é o Maroon 5, que contabiliza quatro apresentações (uma em 2011, duas em 2017 e uma em 2022. No próximo sábado, o grupo sobe ao palco novamente. Nesta edição, o K-Pop, gênero coreano, ganhou espaço na programação, com destaque para a banda Stray Kids.

2 - Sambódromo e carros alegóricos Se hoje o gigantismo das estruturas, que chegam a mais de dez metros de altura, a complexidade tecnológica e processos industriais caracterizam o universo dos carros alegóricos, nos anos 1980 os métodos puramente artesanais, como isopor esculpido à mão, e alegorias mais simples e bem menores eram o que chamava a atenção nos desfiles das escolas de samba. Em 1984, por exemplo, foi sentado num banco de madeira sobre um modesto carro alegórico que desfilou o célebre compositor da MPB Carlos Alberto Ferreira Braga, conhecido como Braguinha ou João de Barro, então homenageado no enredo da Mangueira.

Galerias Relacionadas 3 - Rainhas de Bateria e musas para além do carnaval O posto de rainha de bateria se consolidou na década de 1980, quando um dos focos estava na transição das meninas da comunidade para as primeiras celebridades icônicas. Uma das primeiras famosas a ocupar o posto no Rio foi Monique Evans, que estreou em 1984, na Mocidade Independente de Padre Miguel. As fantasias eram mais leves e focadas em biquínis decorados com pedrarias e penas naturais. Em comparação aos dias atuais, as vestimentas eram simples. Em sua estreia, Monique Evans usava uma sandália de salto alto comum.

Galerias Relacionadas Atualmente, as peças são compostas de pedras preciosas, muitas vezes feitas por grifes de alta costura, podem pesar mais de 20 quilos e se utilizam de tecnologia e efeitos especiais.

4 - Circo Voador Uma das principais diferenças entre o Circo Voador da década de 1980 e o atual reside na sua localização. Ele foi inaugurado em janeiro de 1982, no Arpoador, em Ipanema. Atualmente, a casa é está situada no coração da Lapa, na Rua dos Arcos.

Galerias Relacionadas 5 - Maracanã Nos anos 1980, o estádio do Maracanã chegou a receber públicos de cerca de 200 mil pessoas. Um dos grandes símbolos daquela época era a Geral, o setor térreo onde os torcedores assistiam aos jogos em pé. A área era considerada a "alma" do estádio. Após as reformas para a Copa do Mundo de 2014, a capacidade oficial foi reduzida para cerca de 80 mil. A Geral foi extinta, dando lugar a cadeiras e modernização dos acessos para atender aos padrões de segurança e conforto da FIFA.

Galerias Relacionadas 6 - Barra da Tijuca A Barra da Tijuca passou por uma transformação radical desde os anos 1980, deixando de ser um bairro em início de urbanização para se tornar um dos principais polos econômicos e de serviços de luxo do Rio de Janeiro. No início daquela década, a região ainda era caracterizada por uma "paisagem selvagem", com poucas avenidas e uma ocupação residencial dispersa. O acesso à região era muito mais difícil. Até a década de 1960, barcos eram a forma predominante de chegada e, nos anos 80, a infraestrutura rodoviária ainda era incipiente. O bairro cresceu vertiginosamente, tornando-se uma região densamente povoada com condomínios de alto padrão.

Galerias Relacionadas 7 - Centro A região do Centro tinha como um dos símbolos o Elevado da Perimetral, um viaduto de concreto construído no fim dos anos 1950 que funcionava como uma barreira física entre a cidade e a Baía de Guanabara. A área portuária era degradada, escondida sob o viaduto. Com a demolição, iniciada em 2013, a região portuária foi transformada pelo projeto Porto Maravilha, ganhando novos museus e espaços de lazer. Atualmente, há um projeto para transformar o Centro em um bairro residencial, com o programa Reviver Centro, por exemplo, que, iniciado em 2022, oferece incentivos fiscais para a construção de moradias e a transformação de prédios antigos e comerciais em residenciais.

Galerias Relacionadas 8 - Zona Sul Desde a década de 1980, orla da Zona Sul do Rio evolui de um espaço com infraestrutura mais simples para um ambiente altamente urbanizado. Naquela época, não havia, por exemplo, ciclovias formais na orla. A primeira do Rio de Janeiro foi inaugurada apenas em 1991, como parte dos preparativos para a conferência Rio-92.

A região vivia a ressaca da ditadura e um ímpeto de liberdade, com uma efervescência cultural marcada por novos movimentos musicais e a transição das boates para as discotecas, especialmente em Copacabana. Outro fenômeno que marcou época foi o ato de tomar sol sem a parte de cima do biquíni, conhecido como topless. O comportamento, que tinha como reduto a Praia de Ipanema, era ligado à busca por liberdade individual e à afirmação do desejo feminista de autonomia sobre o próprio corpo.

Galerias Relacionadas 9 - Verão da lata Em setembro de 1987, milhares de latas similares às de leite em pó apareceram boiando no litoral do Rio. Dentro da lata, a surpresa: maconha. O navio Solana Star, que transportava cerca de 22 toneladas de maconha em latas com cerca de 1,5 kg cada, foi interceptado pela Polícia Federal em alto-mar, na altura do Guarujá. Para evitar a prisão e a apreensão da carga, a tripulação as jogou no oceano. Acreditava-se que as latas afundariam, mas as correntes marítimas e uma tempestade fizeram com que elas fossem levadas para a costa, gerando uma verdadeira "caça ao tesouro" nas praias. Galerias Relacionadas 10 - Tivoli Park O Tivoli Park foi inaugurado em 1972, mas teve seu auge na metade dos anos 1980. Funcionava na Lagoa Rodrigo de Freitas, onde hoje fica o Parque dos Patins, e tinha atrações como a montanha russa espacial, carro de bate-bate e pista de patinação. Eram mais de 30 brinquedos e recebia mais de 2.300 pessoas num domingo qualquer. Fechou depois da denúncia de uma criança de 11 anos ter sido violentada no Castelo das Bruxas. Galerias Relacionadas 'Anos 80 nunca saem de moda' O diretor criativo Alexandre Schnabl, pós-graduado em semiótica e mestre em Comunicação e Cultura, define a estética dos anos 1980 como "maximalista". Ele avalia ainda que o estilo que caracteriza a época "nunca sai de moda", porque está sempre retornando.

— Foi uma época emblemática, divertida e muito criativa. É um momento em que o design se estabelece o principal vetor do consumo. É uma época em que a moda passa a estar na moda, porque os desfiles deixam de ser guetos da alta sociedade e se tornam tão populares quanto os shows de música e os filmes de cinema. Os estilistas se tornam pop stars. É também um período em que começa a surgir o embrião das supermodelos como exemplos de comportamentos e belezas a serem seguidos. É uma época muito gostosa. Por isso que os anos 80 nunca mais saíram de moda. Estamos há quase 30 anos com os anos 80 sendo revisitados e reciclados por uma geração após outra — explica Alexandre.

O especialista faz uma ressalva: a década de 1980 retratada pela Inteligência Artificial é apenas um recorte e dá conta da multiplicidade do período, que vai além dos estereótipos explorados pelo algoritmo. — Essas referências que a IA está usando para os homens e para as mulheres, as roupas com volume, as ombreiras, isso tudo, realmente, estava lá nos anos 80, mas são muitos anos 80. O algoritmo acaba pegando referências muito óbvias, sem riqueza de detalhes e percepções. Os anos 80 retratados nessa trend são muito específicos. Uma vertente que não está ali é o japonismo, a influência do Japão, que emerge como uma grande potência tecnológica e estética, predominância do preto e do cinza e pequenos toques de cor, por exemplo — pontua.

Ele descreve outras ramificações do estilo da época: — Se olharmos para o início daquela década, vemos o final da era disco, com uma estética meio flash dance, meio jazz. Há também o culto ao corpo, com as academias e o estilo maromba entrando em cena. Tivemos ainda uma prévia da globalização, com uma releitura dos anos 1940 misturada com a tecnologia do futuro, determinando em boa parte a estética de época. Tínhamos também o colorido que revisita a estético do acrílico e dos tecidos sintéticos da poliamida dos anos 60.

O que explica essa nostalgia? Professora do departamento de Teoria da Comunicação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Simone Evangelista diz que o saudosismo pode ter sido acionado pelo Rock in Rio, que teve sua primeira edição em 1985, mas que há outros fatores que explicam esse sentimento.

— A nostalgia está ligada a uma ideia de memória coletiva. Hoje, o que temos é um ambiente extremamente fragmentado. E, no caso do Brasil, extremamente polarizado politicamente. Então, vamos dividindo cada vez menos referências em sociedade, com muitos nichos de consumo. E a nostalgia vai na direção oposta, gerando afinidade e possibilitando o estabelecimento de diálogo. Hoje, num contexto em que é muito difícil estabelecer pontos em comum, a nostalgia tem esse apelo quase que irresistível de reorganizar nossa possibilidade de contato social — avalia a acadêmica.

Esse movimento nostálgico nas redes sociais já tem um tempo, pontua: — Principalmente depois da pandemia, começamos a ter um grande boom de conteúdos sobre os anos 90 e 2000 também. O que temos de diferente agora é possibilidade de, graças à inteligência artificial, produzir imagens muito realistas.

Colaborou Camila Araujo

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