Cinema Iris sobreviveu a todas as transformações do Centro e se prepara para as novas mudanças na Rua da Carioca

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Do filme mudo ao pornô, o Cinema Iris está aberto desde 1909 na Rua da Carioca, no Centro, sem nunca ter fechado as portas, ao contrário da maioria dos cinemas de rua da cidade que não resistiram à chegada dos shoppings, para onde as salas se transferiram a partir da década de 1980, por conta da escalada da violência na cidade. Antes disso, a concorrência com a popularização da TV, e mais tarde a chegada do VHS, já havia provocado uma mudança na programação, que atacava de faroeste antes de chegar ao filme adulto, com direito a apresentações de strip-tease ao vivo nos intervalos.

Invasão no Centro: Prefeitura faz operação para desocupar Palacete Imperial, prédio histórico no Centro interditado há 18 anos Refit: contaminação de terreno na Av. Brasil cercado de favelas pode dificultar uso do espaço, no centro de um escândalo político Com o projeto em andamento pela prefeitura de transformar a Carioca em Rua da Cerveja, mas uma vez o espaço se prepara para uma possível nova mudança de público. Sem mulher tirando a roupa nos intervalos, os filmes para adultos (eufemismo para pornografia) continuam preenchendo os horários das 10h às 19h, com sessões contínuas, que atraem em sua maioria uma plateia LGBTQIA+. Mas, as visitas guiadas, por enquanto gratuitas, já constituem uma nova tentativa em outra direção. Para entrar no clima dos novos tempos, nem mesmo a possível parceria com uma cervejaria é descartada. —A ideia é mudar o perfil do cinema, com espaço para venda de cerveja, abertura para visitação com tour guiado, exibição de filmes de época e até mesmo realização de eventos — planeja Marcelo Argileu, bisneto do fundador João Cruz Júnior e atual gestor do espaço, argumentando que tudo seria mais fácil se contasse com apoio da prefeitura.

Caso Cláudio Rafael: polícia indicia 13 pessoas por morte de ciclista em Copacabana; cinco respondem por homicídio Prima de Marcelo e filha de Neyde Brilho Cruz, de 94 anos, que administrou o cinema do final dos anos 1990 até cerca de dez anos atrás, Teresa Cristina Repsold Paixão diz que o cinema sobrevive porque sua família é tinhosa, a ponto de recursar uma proposta de compra pela Igreja Universal do Reino de Deus, em 2009. Bem antes disso, em 1997, o embate foi com a Igreja Católica. Incomodada com a exibição de filmes e shows pornográficos, a Venerável Ordem Terceira de São Francisco da Penitência, dona do terreno onde foi erguido o cinema, quis desalojar o Iris. A ordem chegou a mover uma ação de despejo sob a alegação de que a atividade comercial havia sido desvirtuada, mas perdeu em todas as instâncias. Aproveitando se de uma dificuldade financeira da instituição religiosa, a família Cruz fez uma proposta e arrematou o espaço. Da praia à montanha: aos 60 anos, voluntário conclui 2.200km de trilha pelo Estado do Rio em quatro meses O cinema foi projetado pelo engenheiro Paulo de Frontin e teve dois outros nomes. Até 1911 se chamou Soberano, nome de um dos cavalos de João Cruz Júnior. Em 1912, durante um curto período que esteve arrendado ao Grupo Severiano Ribeiro foi rebatizado de Vitória, até em meados daquele ano ser rebatizado de Iris, nome pelo qual é conhecido até hoje. Em 2015, já de volta para a família Cruz, firmou uma parceria com a Universal Filmes para exibição em primeira mão no Brasil dos lançamentos do estúdio norte-americano.

Na época do cinema mudo, as exibições eram acompanhadas por orquestra ao vivo. Depois disso, com as operetas passou a atrair um público da alta sociedade carioca. De lá para cá, com a decadência das salas de rua, o Iris — que é tombado desde 1978 pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac) fez de tudo um pouco para sobreviver. Já abrigou de concertos do pianista Arthur Moreira Lima a bailes de carnaval, passando por shows de Gonzaguinha e Los Hermanos a festas moderninhas. Tesoureira do tráfico: Mulher ligada a Fernandinho Beira-Mar é presa por suspeita de ser contadora do traficante —O cinema já se readaptou a tantas transformações, que é natural que alguma coisa aconteça agora para adequar ao público alvo da Rua da Cerveja. Estamos preparando para receber qualquer tipo de evento, de shows a happy hour. Com certeza as mudanças projetadas para a Rua da Carioca vão trazer boas novas também para o Iris. A gente se empenhou para que sua história fosse preservada e chegasse até aqui — afirma Teresa Cristina.

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