Uma mudança de visual que, até pouco tempo atrás, exigiria tesoura, coragem e algumas semanas de espera para o cabelo crescer de novo agora pode ser experimentada em poucos segundos. Uma nova trend de inteligência artificial vem circulando nas redes sociais ao transformar fotografias de famosas em vídeos nos quais elas aparecem com cortes completamente diferentes, sobretudo versões mais curtas, como o chanel. Adriane Galisteu, Brunna Gonçalves e Camila Loures estão entre as celebridades que entraram na brincadeira, compartilhando resultados que simulam uma transformação real. Passo a passo: como fazer a trend do cabelo chanel com IA que viralizou nas redes Cabelo curto com IA: trend viraliza entre famosos com vídeos em que aparecem com corte chanel O efeito ganha força pelo grau de realismo. Em alguns vídeos, o processo é apresentado como se a própria pessoa estivesse cortando os fios, o que faz com que a alteração pareça ter acontecido de fato. Por trás da cena, porém, não há mudança física: a ferramenta modifica digitalmente a imagem a partir de uma fotografia e cria uma sequência que reproduz o antes e o depois. Mais do que uma brincadeira com o próprio visual, a trend evidencia uma possibilidade que começa a fazer parte da relação das pessoas com a beleza: testar uma mudança antes de colocá-la em prática. A questão é até onde essa prévia virtual pode ser levada a sério quando a intenção é descobrir se determinado corte realmente funciona para alguém. Para a visagista e terapeuta capilar Mari Borges, a tecnologia pode ajudar a visualizar caminhos, mas não substitui a avaliação individual.
"A IA consegue mostrar uma possibilidade visual, mas ela não entende completamente a pessoa que está por trás daquela imagem. Um corte precisa considerar formato do rosto, textura e volume dos fios, proporções, rotina, estilo e até a disposição que aquela pessoa tem para cuidar do cabelo no dia a dia", explica. A diferença está justamente entre enxergar uma imagem que agrada e entender se aquele resultado é viável. Uma simulação digital pode suavizar texturas, alterar volumes e apresentar um acabamento que depende de fatores difíceis de reproduzir no cotidiano.
"Uma simulação pode ficar linda na tela e, ainda assim, não ser a melhor escolha para aquele cabelo ou para a rotina da pessoa. O corte precisa funcionar fora da fotografia, no movimento, na textura natural e na vida real", afirma Mari. Esse tipo de recurso também pode mudar a conversa entre cliente e profissional. Em vez de tentar descrever um comprimento ou levar uma referência encontrada em uma revista, por exemplo, a pessoa passa a chegar ao salão com uma imagem produzida especificamente para mostrar como gostaria de se ver. Nesse cenário, a referência digital pode ajudar a tornar o desejo mais claro, desde que não seja confundida com uma indicação pronta. "Eu vejo a tecnologia como uma aliada. O cliente pode chegar com uma simulação e dizer: 'é mais ou menos isso que eu gostaria'. A partir daí, o profissional consegue interpretar aquela referência e adaptar a proposta para aquilo que realmente é possível e favorece aquela pessoa", destaca. Há ainda uma diferença importante entre o cabelo criado pela ferramenta e aquele que existe fora da tela. Um chanel perfeitamente alinhado, por exemplo, pode depender de densidade, caimento e textura específicos, além de uma rotina de secagem e finalização que nem sempre aparece na imagem produzida pela IA. A ferramenta também pode alterar características dos fios sem que isso fique evidente para quem observa o resultado final. Por isso, quem pretende transformar a brincadeira em uma mudança real precisa olhar para além da fotografia. O comprimento desejado pode exigir manutenção frequente; determinado formato pode não acompanhar o movimento natural dos fios; e um resultado que funciona em uma imagem estática pode ter outra aparência no dia a dia.
"Antes de cortar, é importante olhar para o próprio cabelo e entender o que aquele corte vai exigir. A pergunta não deve ser somente 'eu fico bonita com esse cabelo?', mas também 'esse cabelo funciona para mim?'", orienta. A popularização dessas ferramentas acompanha uma mudança mais ampla na maneira de experimentar a própria aparência. Cortes, cores e comprimentos que antes só podiam ser imaginados a partir de referências agora podem ser simulados em diferentes versões antes de qualquer decisão. A tecnologia, nesse sentido, reduz a distância entre imaginar uma transformação e visualizá-la, mas também pode criar expectativas difíceis de reproduzir exatamente. Para Mari, esse cenário reforça, e não diminui, a importância da avaliação profissional. "Quanto mais fácil fica criar uma imagem perfeita, mais importante se torna saber interpretar essa imagem. O olhar profissional continua sendo fundamental para transformar uma referência digital em uma escolha possível, saudável e coerente com cada pessoa", ressalta.
O Globo