Dado como ultrapassado pela música digital há mais de duas décadas, o CD voltou a crescer com força nos Estados Unidos. Foram 17,5 milhões de unidades comercializadas no primeiro semestre de 2026, alta de 45,7% sobre o mesmo período do ano anterior, segundo novo relatório da Recording Industry Association of America (RIAA). A receita com CDs avançou ainda mais, 58,6%, para US$ 171,1 milhões. Um ano antes, o formato havia movimentado US$ 107,9 milhões no primeiro semestre. O crescimento acompanha a recuperação de outras mídias físicas: as vendas de vinil subiram 20,9% em unidades, para 26,5 milhões, enquanto a receita total com formatos físicos aumentou 25,9%, para US$ 731,5 milhões. O streaming continua dominando amplamente a indústria, com US$ 4,9 bilhões em receitas no período. Ainda assim, a retomada dos discos físicos chamou atenção por ocorrer entre consumidores que muitas vezes nem dependem deles para ouvir música. O comportamento foi destacado pelo The Verge, que relaciona parte da alta à transformação do CD em objeto de coleção, especialmente entre públicos mais jovens. K-pop ajuda a puxar a retomada Um levantamento separado da Luminate também identificou crescimento nas vendas, embora use metodologia diferente da RIAA e chegue a números distintos. Pela base da empresa, foram vendidos 16,3 milhões de CDs no primeiro semestre, avanço de 16%. O K-pop teve peso relevante nesse resultado. Sem os lançamentos do gênero, o crescimento cairia para 6,7%, ainda em território positivo. Grupos sul-coreanos costumam lançar várias versões de um mesmo álbum, com capas, photobooks, cards e outros itens exclusivos, incentivando fãs a comprar mais de uma edição. Essa estratégia vem se espalhando para artistas de outros gêneros e aproxima o CD de produtos de merchandising e colecionáveis. A compra deixa de ser necessariamente uma alternativa ao streaming e passa a funcionar também como demonstração de vínculo com o artista. Muitos compradores nem têm onde tocar o disco Essa mudança aparece com clareza no perfil dos consumidores. Segundo dados da Luminate citados pelo The Verge, aproximadamente metade dos compradores de CDs das gerações Z e millennial não possui um aparelho de CD. Gen Z e millennials também representam juntos 63% dos fãs classificados pela Luminate como altamente engajados, grupo mais propenso a comprar ingressos, produtos físicos e diferentes versões de lançamentos. Mesmo retirando o efeito do K-pop, os CDs continuaram crescendo no primeiro semestre. Pela medição da Luminate, o avanço seria de 6,7%, sinal de que a recuperação não depende exclusivamente dos lançamentos sul-coreanos. Mais Lidas
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CD volta a crescer: vendas sobem 46% nos EUA, mesmo com metade dos jovens compradores sem aparelho
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