Trégua humanitária na cidade ucraniana de Oleshky chega ao segundo dia sem incidentes enquanto Kherson 'voltou à vida'

Trégua humanitária na cidade ucraniana de Oleshky chega ao segundo dia sem incidentes enquanto Kherson 'voltou à vida' - Foto
Fonte da notícia: O Globo O Globo

Os cerca de 2 mil habitantes que ainda restam na cidade ucraniana de Oleshky, ocupada pelas forças russas, respiravam aliviados nesta quarta-feira (28) devido a uma trégua em vigor há dois dias, cujo objetivo é permitir uma operação humanitária. Contra a parede: Trump está pressionando a Ucrânia a se render à Rússia, diz Zelensky

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Essa localidade ao sul, pertencente à região de Kherson, fica muito perto do rio Dnieper, que marca a linha de frente nesse setor, e se encontra sob o fogo cruzado de ataques de drones ucranianos e russos. Com esse cessar-fogo local, negociado com a colaboração dos Estados Unidos, busca-se prestar assistência a uma população que sofre há meses com a escassez de comida, medicamentos e água em uma zona onde é muito difícil se deslocar, tanto pelos ataques quanto pelo estado das estradas, repletas de minas.

Muitos dos moradores que continuam lá chegaram até a ser obrigados a caçar e comer pombos, segundo relataram à AFP antigos habitantes de Oleshky, que falaram com eles. Os comissários para os direitos humanos da Rússia e Ucrânia, Yana Lantratova e Dmitro Lubinets, respectivamente, confirmaram nesta quarta-feira, em declarações separadas, que a trégua continuava sendo respeitada.

— Em Oleshky transcorreram 30 horas de cessar-fogo sem o menor incidente — declarou Lubinets. A trégua, que entrou em vigor na manhã de terça-feira, havia sido anunciada na sexta-feira pela primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump.

A operação prevê a entrega de ajuda humanitária e a retirada dos civis que desejarem partir. Voltar a território sob controle ucraniano é praticamente impossível nesse setor, já que as pontes sobre o Dnieper estão destruídas ou fora de serviço.

As autoridades locais nomeadas pela Rússia levantaram a possibilidade de que os habitantes talvez tenham de passar pela península da Crimeia, anexada por Moscou. Segundo autoridades russas, a maioria dos que desejavam fugir já partiram.

Um funcionário ucraniano que falou com a AFP sob condição de anonimato também indicou que grande parte dos habitantes que ainda permanecem no local quer ficar. 24 horas sem ataques

O governador regional de Kherson, Oleksandr Prokudin, assegurou na manhã desta quarta-feira que "não foram registrados ataques nem impactos contra instalações civis ou infraestruturas críticas" durante 24 horas. Além disso, a trégua também teve um efeito "tangível" na capital regional, Kherson, apontou Lubinets.

Essa cidade tinha cerca de 280 mil habitantes antes da invasão russa, lançada no fim de fevereiro de 2022. "Kherson, que sofria bombardeios constantes, literalmente voltou à vida", escreveu Lubinets nas redes sociais.

"Há mais gente nas ruas e a vida urbana recuperou seu dinamismo. As pessoas saem sem medo, passeiam e aproveitam o sol de outono".

Em algumas fotografias que acompanhavam o comunicado de Lubinets, aparecem moradores de Kherson vendendo frutas sob redes antidrones e também funcionários municipais cortando a grama, em meio a prédios em ruínas. Ataque: Rússia bombardeia Kiev horas após encontro de Putin com enviado de Trump, e Zelensky ironiza: 'nenhuma mudança real'

Kherson, um importante reduto ucraniano na frente sul, é alvo diário de drones russos. A cidade se encontra na chamada "zona da morte", uma área de combate de cerca de 20 quilômetros onde drones de ambos os lados circulam intensamente.

Para o deputado e negociador ucraniano David Arakhamia, esse cessar-fogo localizado representa a "maior desescalada" desde o início da guerra. Ao longo de mais de quatro anos de conflito, vigoraram várias tréguas, todas breves, que permitiram reduzir os ataques aéreos e os bombardeios de longo alcance.

No entanto, em todas elas, ambos os lados se acusaram mutuamente de violar o cessar-fogo na linha de frente. Mediação da primeira-dama dos Estados Unidos

Na última sexta-feira, Melania Trump anunciou que havia atuado como “intermediária exclusiva” entre os dois lados. Segundo seu gabinete, a situação de Oleshky chegou a ela durante a Assembleia Geral da ONU, em setembro.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, creditou a Melania uma “contribuição significativa”, e Zelensky disse que Kiev negociava o acordo havia “algum tempo”. “Os moradores que quiserem sair receberão apoio coordenado e transporte até o destino de sua preferência.

Imagino que alguns vão querer ir para a Rússia, e outros, para a Ucrânia”, afirmou a primeira-dama em comunicado. Posteriormente, os Exércitos russo e ucraniano afirmaram que respeitariam um cessar-fogo a partir de 22h desta segunda (horário de Brasília).

A operação ocorre em um contexto de aproximação entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a Rússia, em detrimento da Ucrânia e de seus aliados europeus. Nesta segunda-feira, o Kremlin já havia se mostrado aberto a outras tréguas humanitárias desse tipo, ao reiterar que a Rússia valoriza "muito" os esforços dos negociadores americanos, em especial os da primeira-dama.

Fora da cidade, os combates continuaram. Na noite de segunda-feira, um ataque russo a Kiev atingiu uma universidade e uma ponte, matando uma mulher de 46 anos e ferindo mais de uma dezena de pessoas.

Na Rússia, um ataque de drone ucraniano matou uma pessoa e feriu seis em Bryansk.

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
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