O Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ) deferiu por unanimidade, nesta terça-feira, o registro de candidatura de Antônio Rueda (União Brasil) a deputado federal pelo Rio. A Procuradoria Regional Eleitoral havia sustentado que o candidato se beneficiou de uma estrutura político-territorial ligada a organizações paramilitares na Baixada Fluminense. O julgamento havia sido suspenso no último dia 11 e, nesta terça, a íntegra da corte acompanhou o voto do relator, desembargador Paulo Cesar Salomão Filho. Para o magistrado, as diligências determinadas pelo tribunal não encontraram elementos que comprovassem que lideranças locais associadas às milícias tenham empregado sua capacidade de mobilização territorial e coerção em benefício da candidatura de Rueda. Descubra qual é a sua posição ideológica. Faça o teste Entre na comunidade Eleições 2026 e receba as notícias em primeira mão Entre os pontos analisados estavam as relações do candidato com Eduardo Araújo e Fábio Augusto de Oliveira Brasil, o Fabinho Varandão, que ocuparam secretarias na Prefeitura de Belford Roxo em 2025 e fizeram publicações de apoio à candidatura. Ambos chegaram a ter candidaturas indeferidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2024 por envolvimento com milícias armadas. Segundo o relator, as manifestações nas redes sociais dois dois não foram suficientes para estabelecer uma ligação entre Rueda e organizações paramilitares. Não havia, de acordo com o voto, indicação de que o candidato tivesse pedido, combinado, financiado ou respondido às publicações. As diligências também incluíram informações das zonas eleitorais de Belford Roxo. Segundo os dados apresentados no processo, não foram registrados casos de ameaça, violência, destruição de propaganda, controle territorial, coação de eleitores ou uso de homens armados em benefício das candidaturas de Rueda e Márcio Canella. Salomão Filho destacou ainda que Eduardo Araújo e Fabinho Varandão deixaram os cargos na prefeitura em setembro de 2025 e que Rueda nunca ocupou cargo ou função pública no município. MPE mudou de posição O deferimento ocorre quatro dia depois de o Ministério Público Eleitoral (MPE) mudar sua posição no processo. Em nova manifestação, encaminhada ao TRE-RJ na última sexta-feira, a Procuradoria Regional Eleitoral passou a defender o indeferimento da candidatura de Rueda.
Na primeira manifestação, o MPE havia opinado pela liberação do registro por considerar que as acusações apresentadas contra o candidato estavam baseadas em reportagens jornalísticas e certidões comuns, sem provas suficientes. Depois das diligências determinadas pelo tribunal, porém, a Procuradoria avaliou que as novas informações obtidas de órgãos públicos alteravam o cenário do processo. Para o MPE, Rueda teria se beneficiado da mobilização política de lideranças da Baixada relacionadas a organizações paramilitares. A Procuradoria citou principalmente a atuação de Eduardo Araújo e Fabinho Varandão na promoção da dobradinha eleitoral entre Rueda e Canella e afirmou que permitir o registro, nessas circunstâncias, poderia representar uma forma indireta de contornar a regra constitucional que impede a influência de organizações paramilitares no processo eleitoral. Relação com Canella A parceria com Márcio Canella é um dos principais eixos da campanha de Rueda no Rio. Presidente nacional do União Brasil, o advogado transferiu seu domicílio eleitoral para o estado em janeiro deste ano e disputa pela primeira vez um cargo eletivo. Os dois passaram a participar de agendas conjuntas em Belford Roxo, onde Rueda chegou a se apresentar como “o federal do Canella”.
O Globo