TRE-RJ barra Pastor Everaldo, 1º suplente do irmão Marcos Dias, e derruba chapa apoiada por Paes ao Senado

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) indeferiu por unanimidade o registro de candidatura do Pastor Everaldo (Podemos), que concorria a primeiro suplente do irmão, Marcos Dias Pereira (Podemos), candidato ao Senado pelo Rio. A Corte apontou indícios de ligação de Everaldo com uma organização criminosa que, segundo a denúncia analisada no processo, teria atuado dentro da administração pública estadual durante o governo de Wilson Witzel, a partir de 2019. A decisão ocorre no contexto da aliança entre o Podemos e o PSD do ex-prefeito Eduardo Paes, candidato ao governo do estado, que tem Marcos Dias, vereador do Rio e pastor da Assembleia de Deus de Madureira, como nome conservador na composição. Paes diz que aliados políticos serão vigiados se eleito e justifica elogios a Bacellar e relação com Cabral Estratégias distintas: PL de Ruas gasta mais do que o PSD de Paes na corrida pelo Legislativo Em julho, Paes participou de um evento do Podemos ao lado de Everaldo, cacique do partido no estado, que já foi candidato à Presidência da República pelo PSC em 2014. Na convenção do PSD, Paes criticou o grupo político que, segundo ele, comandou o estado nos últimos oito anos e chegou a classificá-lo como uma “organização criminosa”, em referência ao período iniciado com a eleição de Wilson Witzel, em 2018. Everaldo foi o principal articulador da chapa do então PSC que elegeu Witzel e Cláudio Castro naquele ano. A decisão de barrar Everaldo atingiu a chapa inteira da sigla que apoia Paes porque, pela regra eleitoral, a candidatura ao Senado é formada por titular e dois suplentes. A legenda, que tinha até 24 horas para definir nova composição, escolheu Elaine Diniz como primeira suplente e Rafael dos Santos Silva, o Rafinha JJ, como segundo suplente. 'Dois pesos, duas medidas' O indeferimento de Everaldo foi fundamentado, entre outros pontos, em ações penais relacionadas a investigações sobre corrupção e organização criminosa. O principal processo analisado pelo relator, desembargador Guilherme Calmon, tem origem na Operação Tris in Idem, que investigou, a partir de 2019, uma organização criminosa que, segundo a denúncia, estaria instalada na cúpula do Executivo estadual durante o governo Witzel. O processo também aparece nos julgamentos dos registros de Filipe de Almeida Pereira (Podemos), filho de Everaldo e candidato a deputado federal, e de Marcos Dias, irmão de Everaldo. Os três tiveram as candidaturas questionadas no contexto das investigações, mas o TRE-RJ chegou a resultados distintos: Everaldo e Filipe tiveram os registros indeferidos, enquanto Marcos teve a candidatura deferida por unanimidade. De acordo com a acusação citada no voto, o grupo teria como objetivos lotear secretarias estaduais, cobrar propina de empresários, direcionar contratos públicos, interferir no pagamento de restos a pagar e desviar recursos da área da Saúde. Everaldo é apontado na denúncia como um dos articuladores políticos e operacionais da estrutura, com atuação na indicação de nomes para cargos estratégicos e influência sobre áreas como a Saúde, a Cedae e o Detran. A denúncia também descreve um sistema de distribuição das vantagens obtidas pelo grupo. Segundo o documento, havia um “caixa único”, cuja divisão atribuída aos integrantes seria de 30% para Edmar Santos, então secretário estadual de Saúde do Rio, 20% para Wilson Witzel, 20% para Everaldo, 15% para Edson Torres e 15% para Victor Barroso. Esses percentuais fazem parte das acusações apresentadas no processo e não de uma condenação. A decisão do TRE-RJ é passível de recurso ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ao GLOBO, no entanto, Everaldo afirmou que não pretende recorrer. Segundo ele, a situação está “resolvida na chapa” e seu indeferimento “não fará diferença”.

— Lamento profundamente não entender como a Justiça do TRE do Rio usa dois pesos e duas medidas para o mesmo assunto — disse Everaldo. Além das questões relacionadas às acusações criminais, Calmon apontou um segundo fundamento para o indeferimento do registro de Everaldo: a ausência de certidão atualizada de um dos processos transferidos da Justiça do Rio para o STJ. Segundo a decisão, mesmo após ser intimado, o candidato não apresentou o documento exigido, o que também seria suficiente para impedir o registro. No caso de Filipe, o acórdão cita documentos da Operação Tris in Idem que o apontam como integrante ativo da estrutura investigada, além de registrar sua atuação como assessor especial de Witzel. O TRE afirma ainda que Filipe atuava em parceria com o pai, Everaldo, e o irmão Laércio na EDP Corretora de Seguros Ltda., em atuação relacionada à etapa de lavagem de dinheiro investigada. A Procuradoria Regional Eleitoral também apontou, no processo, indícios de atuação conjunta de Everaldo e Marcos Dias em um núcleo político-familiar ligado às investigações. Marcos aparece no material das investigações da Operação Placebo/Tris in Idem e foi alvo de busca e apreensão. Para o relator, porém, os elementos reunidos contra ele não eram suficientes para enquadrá-lo nos critérios usados pela Corte para aplicar a tese da “milícia de gravata” e barrar uma candidatura sem condenação.

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