Trabalhadores da montadora Hyundai aprovam greve contra robôs humanoides

Trabalhadores da montadora Hyundai aprovam greve contra robôs humanoides

Fonte: Bandeira



Trabalhadores da Hyundai na Coreia do Sul aprovaram uma greve em protesto contra um plano da maior montadora do país de introduzir robôs humanoides na linha de produção, aponta reportagem do jornal Financial Times.

Dúvida: Robô humanoide deve ter pernas? Ou andar sobre rodas? 'Questão existencial' aflige o setor

Rosie, dos Jetsons, já é real? Robôs de limpeza movidos por IA começam a trabalhar em lares chineses

A seção da Hyundai no Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos da Coreia informou nesta quarta-feira que 87% dos cerca de 40 mil filiados votaram a favor da paralisação, abrindo caminho para um confronto com a terceira maior fabricante de automóveis do mundo em volume de vendas.

De acordo com o FT, o sindicato está exigindo maior participação nas decisões sobre a implementação de inteligência artificial e automação, após a Hyundai anunciar planos de usar o Atlas — um robô humanoide desenvolvido pela subsidiária Boston Dynamics — em fábricas nos Estados Unidos.

Em janeiro, após a divulgação do projeto pela Hyundai, o sindicato afirmou que, sem um acordo entre trabalhadores e empresa, "nenhum robô com nova tecnologia poderá entrar no ambiente de trabalho”.

Initial plugin text

A BMW já está apostando em robôs humanoides para montar carros na Europa pela primeira vez. A montadora alemã confirmou que dois robôs do modelo Aeon, desenvolvidos pela Hexagon Robotics, devem começar a atuar nas linhas de produção a partir de meados deste ano, após uma fase de testes na fábrica de Leipzig, na Alemanha.

Entenda: Por que é quase impossível construir um robô sem a China?

Pedindo para não ser identificado, um integrante do sindicato afirmou ao jornal britânico que a maior preocupação é com a segurança dos empregados por causa dos robôs. Além disso, acrescentou, reportagens e vídeos mostrando robôs cada vez mais hábeis deixam os trabalhadores apreensivos com o futuro.

O FT acrescenta que o sindicato também está exigindo um bônus de desempenho equivalente a 30% do lucro líquido da Hyundai — o que representaria cerca de 42 milhões de won (aproximadamente US$ 27.150) para cada um dos 73 mil funcionários da empresa — além de um aumento na idade de aposentadoria, de 60 para 65 anos, e reajustes no salário-base mensal.

Nos últimos anos, o sindicato da Hyundai tem aprovado com frequência greves em diferentes negociações, envolvendo salários, bônus e regras de aposentadoria. No entanto, com exceção de paralisações parciais em 2025, os impasses vinham sendo resolvidos antes de qualquer greve em larga escala. A última greve geral ocorreu em 2018.

Fé de IA? Coreia do Sul apresenta humanoide como primeiro ‘monge robô’ budista; veja vídeo

A rentabilidade da montadora vem sofrendo pressão com as tarifas impostas pelos EUA, os custos mais altos na cadeia de suprimentos e a desaceleração na demanda por veículos elétricos. No primeiro trimestre deste ano, o lucro líquido caiu 23,6%, para 2,6 trilhões de won (US$ 1,68 bilhão).

O FT lembra que o presidente executivo Euisun Chung tem planos ambiciosos para posicionar a Hyundai como concorrente da Tesla, de Elon Musk, em robótica humanoide e veículos autônomos. Em mensagem aos funcionários em janeiro, Chung afirmou que a empresa tem “grande chance” de se antecipar à concorrência devido ao volume de dados de produção e à sua capacidade industrial.

Na Consumer Electronics Show, em Las Vegas, a Hyundai anunciou a meta de produzir 30 mil robôs Atlas por ano e utilizá-los em sua fábrica de veículos elétricos na Geórgia até 2028, acrescenta a reportagem. Embora a empresa afirme que os robôs assumirão tarefas altamente repetitivas e perigosas, que seriam evitadas por trabalhadores humanos, o sindicato alertou em janeiro que a tecnologia pode provocar “choques no emprego”.