Boletim do Ministério da Pesca e Aquicultura mostra concentração da atividade no Sudeste, liderança de São Paulo e aumento do número de contratos para uso de áreas federais, que passaram de 1.422 para 1.551 entre 2024 e 2025. A aquicultura desenvolvida em águas da União alcançou 179,6 mil toneladas de organismos aquáticos em 2025, maior volume da série histórica iniciada em 2019.
A produção ficou 20,9% acima da registrada em 2024, enquanto o Valor Bruto da Produção (VBP) chegou a R$ 1,47 bilhão. Os números integram o Boletim da Aquicultura em Águas da União, divulgado pelo Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA).
A Agência Rádio Gov publicou os principais resultados do levantamento, que acompanha a produção realizada em áreas aquáticas federais cedidas para cultivo. A tilápia do Nilo concentrou aproximadamente 168 mil toneladas.
A comparação desse volume com as 179,6 mil toneladas totais indica participação próxima de 93,5% da produção registrada em águas federais, proporção aproximada porque os valores divulgados foram arredondados. A piscicultura continental, que reúne a criação de peixes em águas interiores, respondeu por 169,8 mil toneladas, equivalentes a 94,5% do total.
Dentro desse recorte, a tilápia representa praticamente toda a produção de peixes contabilizada. Os demais segmentos aparecem em escala menor.
A produção de moluscos chegou a 8,8 mil toneladas, enquanto a de algas ficou próxima de 997 toneladas; como os números foram divulgados com diferentes níveis de arredondamento, a soma das categorias pode apresentar pequenas diferenças em relação ao total. O volume recorde não corresponde a toda a piscicultura nem a toda a aquicultura realizada no Brasil.
O boletim acompanha especificamente empreendimentos instalados em áreas aquáticas pertencentes à União e cedidas para produção, como reservatórios de hidrelétricas, grandes rios e áreas marinhas destinadas ao cultivo. O Ministério da Pesca e Aquicultura informa que o Relatório Anual de Produção subsidia o Boletim da Aquicultura em Águas da União.
As informações estão vinculadas às cessões de uso dessas áreas e aos dados de produção apresentados pelos empreendimentos enquadrados nessa modalidade. Essa delimitação diferencia o levantamento da criação realizada em viveiros escavados, açudes, tanques ou represas particulares.
Por isso, as 179,6 mil toneladas dimensionam uma parte específica da atividade aquícola brasileira e não podem ser tratadas como toda a produção nacional de peixes. O número de contratos vigentes para utilização das áreas federais também aumentou.
Eram 1.422 em 2024 e passaram para 1.551 em 2025, acréscimo de 129 contratos, equivalente a aproximadamente 9,1%. A produção cresceu 20,9% no mesmo intervalo, variação superior à observada na quantidade de contratos.
Os dois números registram aumento tanto do volume produzido quanto das cessões vigentes, sem permitir concluir, isoladamente, que houve ganho de rentabilidade para os empreendimentos. A distribuição regional mostra concentração no Sudeste, que atingiu 94,8 mil toneladas em 2025, aproximadamente 52,8% das 179,6 mil toneladas registradas no país.
Nenhuma outra região alcançou volume semelhante dentro do recorte acompanhado pelo levantamento. O Nordeste aparece em seguida, com 34,6 mil toneladas.
O Sul registrou 27,3 mil toneladas, o Centro-Oeste chegou a 22,3 mil e a Região Norte contabilizou 712 toneladas. São Paulo liderou entre os estados, com 64,5 mil toneladas.
Minas Gerais registrou 30 mil e o Paraná, 18 mil toneladas; juntos, os três estados somaram cerca de 112,5 mil toneladas da produção contabilizada em águas da União. Pernambuco aparece depois, com 15,3 mil toneladas, seguido por Goiás, com 11,9 mil.
Mato Grosso do Sul alcançou 10,2 mil toneladas e Santa Catarina registrou 9,3 mil, completando o grupo de estados destacados entre os maiores produtores. São Paulo e Minas Gerais responderam por praticamente todo o resultado do Sudeste apresentado no levantamento.
Os 64,5 mil e 30 mil toneladas atribuídos aos dois estados somam 94,5 mil toneladas, ante 94,8 mil toneladas registradas para a região. O Valor Bruto da Produção de R$ 1,47 bilhão dimensiona financeiramente aquilo que foi produzido, mas não representa o lucro dos empreendimentos.
Custos com ração, mão de obra, energia, estruturas, transporte, licenciamento e outras despesas da atividade não são descontados desse indicador. O crescimento da produção também não permite concluir, por si só, que o pescado ficou mais barato ou mais caro para o consumidor, nem informa quanto cada produtor recebeu por quilograma.
Preços, margens de rentabilidade e consumo dependem de indicadores próprios. A mesma cautela vale para a comparação entre estados e regiões: os números mostram onde está concentrada a produção realizada em águas da União, não toda a atividade aquícola existente em cada localidade.
Empreendimentos instalados em estruturas privadas ficam fora desse universo. Além da produção e do valor movimentado, o levantamento registrou 4.239 postos de trabalho gerados pela atividade em 2025.
Esse dado completa o retrato apresentado para os empreendimentos que utilizam águas da União sem ampliar o alcance do boletim para outras modalidades de aquicultura.
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