A revista britânica The Economist publicou uma reportagem sobre a situação econômica brasileira e os desafios que o próximo presidente terá de enfrentar, independentemente do resultado da eleição entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), marcada para domingo (25).
Com o título “A estranha economia do Brasil precisa de uma reforma séria”, a publicação avalia que nenhum dos dois candidatos demonstra disposição suficiente para implementar as mudanças estruturais necessárias para enfrentar os problemas fiscais do país. A reportagem reconhece que o Brasil apresentou crescimento econômico acima das previsões, baixo desemprego e inflação próxima da meta do Banco Central.
No entanto, aponta a deterioração das contas públicas durante o governo Lula como um fator de preocupação para o mercado financeiro. Segundo a revista, a dívida pública deve chegar a 97% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, ante 84% em 2022.
Em relação a Flávio Bolsonaro, a publicação destaca propostas como a redução do número de ministérios, a digitalização do setor público e a venda de imóveis do governo federal, mas considera implausível que essas medidas, sozinhas, produzam a economia prometida. Para a The Economist, o principal desafio brasileiro é conter o crescimento dos gastos públicos e reduzir o custo do crédito, em um cenário de juros elevados, inflação persistente e baixa taxa de poupança.
A revista defende um ajuste fiscal capaz de reduzir as pressões inflacionárias e liberar recursos para investimentos produtivos. A publicação também ressalta que mudanças profundas enfrentariam resistência no Congresso Nacional, onde reformas constitucionais exigem o apoio de três quintos dos parlamentares em dois turnos de votação em cada Casa.
A conclusão é que, embora o mercado financeiro possa demonstrar preferência por um dos candidatos, a falta de disposição para enfrentar os problemas estruturais da economia pode frustrar as expectativas em qualquer cenário eleitoral.
CBN