Tesouro Reserva alcança bilhões em aplicações e supera os lucros da caderneta; saiba mais

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Fonte da notícia: O Liberal O Liberal

O Tesouro Reserva, nova modalidade de investimento lançada em maio pelo Tesouro Direto em parceria com o Banco do Brasil, alcançou a marca de R$ 5,7 bilhões aplicados no mês de julho. A ferramenta financeira permite aportes a partir de R$ 1 e garante liquidez imediata durante 24 horas por dia, todos os dias da semana. O título atrai o público ao oferecer rendimentos atrelados à taxa Selic sem apresentar oscilações negativas diárias.

Até o momento, o Banco do Brasil atua como a única instituição credenciada para ofertar o ativo, registrando 167,3 mil correntistas cadastrados. O investimento rende a partir do primeiro dia útil após a aplicação e estabelece um limite de até R$ 500 mil por pessoa. O produto desponta como um forte concorrente para a caderneta de poupança devido à flexibilidade de resgate aliada aos juros mais altos, buscando democratizar o acesso ao mercado de investimentos.

"Quando a gente fala de tesouro, especialmente o reserva e o Selic, eles são em essência a mesma coisa. São títulos de dívida onde o investidor está disponibilizando o recurso dele. Na prática, ele está emprestando esse recurso ao Tesouro Nacional e esse recurso vai ser rentabilizado a 100% do CDI, que é a aplicabilidade da nossa taxa Selic", explica Lucas Quaresma Cruz, assessor de investimentos e contador.

O profissional ressalta a diferença técnica mínima entre os índices econômicos adotados pela plataforma. "O CDI sempre vai ser 0,01 abaixo da Selic. Hoje a nossa Selic está em 14%, o CDI então vai ser 13,90%", detalha Lucas Quaresma Cruz.

Solução para resgates urgentes durante finais de semana

O grande atrativo da nova aplicação reside em sanar uma dificuldade estrutural das opções atreladas ao governo federal. "O Tesouro Reserva veio para resolver uma questão do Tesouro Selic que é principalmente relacionada à liquidez. O Tesouro Selic normalmente só é negociado entre dez horas da manhã e três horas da tarde", afirma o especialista.

As travas de horário afastavam quem buscava montar um fundo voltado exclusivamente para imprevistos.

"Quando a gente fala de uma aplicação de reserva de emergência, a gente sabe que as emergências não têm hora para ocorrer. Apesar de o Tesouro ser a melhor forma para rentabilizar esse recurso de maneira segura, alguns investidores ainda enfrentavam essa dificuldade de não conseguir acessar o recurso num sábado à noite", relata o assessor.

A funcionalidade acirra a disputa direta com o método de economia mais popular entre os brasileiros. "A poupança tem a vantagem de conseguir resgatar a qualquer momento, só que em outros pilares a poupança já vai perder vantagem, principalmente relacionado à rentabilidade. Enquanto o Tesouro Reserva e o Selic são um investimento em renda fixa remunerado pela taxa de juros, a poupança tem um caráter de incentivar o ramo imobiliário", pontua Lucas Quaresma Cruz.

O declínio da modalidade tradicional afeta o mercado nacional de imóveis.

"A rentabilidade que vai ser paga para o investidor de poupança é menor do que a taxa básica de juros, porque é uma forma de os bancos captarem recurso de forma barata para emprestar esse dinheiro direcionado a financiamentos imobiliários, como da Caixa Econômica. Tanto que nos últimos meses a gente acompanhou também uma baixa disponibilidade para esses financiamentos imobiliários exatamente porque o nível de aplicações na poupança reduziu, pelos investidores estarem fazendo essa migração para o Tesouro", analisa o contador.

Rentabilidade acompanha taxa básica de juros do país

A união das características positivas transforma o título em uma ferramenta de forte adesão. "Em resumo, o Tesouro vai ter uma rentabilidade mais adequada e o Tesouro Reserva resolveu um problema de liquidez que o Tesouro Selic tinha no passado. A poupança perde essa vantagem da liquidez, e na rentabilidade ela nunca se destacou. A única vantagem que ela tinha perante o Tesouro, o Tesouro Reserva já está resolvendo, que é o recurso ficar disponível 24 horas por dia", avalia o especialista.

Os lucros da caderneta são limitados pelo mercado. "A rentabilidade da poupança segue uma regra. Enquanto a nossa taxa Selic estiver acima de 8,5%, essa rentabilidade é 0,5% e mais a taxa referencial, um índice de correção econômica que é bem baixinho, então essa rentabilidade no máximo vai ser 0,6% ao mês", descreve Lucas Quaresma Cruz.

Lucas Quaresma Cruz, assessor de investimentos e contador (Arquivo pessoal)

O novo ativo governamental não sofre com o mesmo congelamento. "A do Tesouro acompanha 100% a taxa básica de juros. Enquanto a nossa taxa básica de juros, por exemplo hoje, está a 14%, esse Tesouro vai render 14% ao ano", compara o assessor de investimentos.

O limite mínimo de entrada é visto como uma porta para a educação financeira no Brasil.

"Sem dúvida alguma ajuda muito a disponibilizar e, principalmente, quebrar uma crença que a maioria das pessoas tem, de que você precisa de muito dinheiro para investir. O nosso país é historicamente um país que lida muito com a inflação. Quando um país lida com a inflação, ele precisa subir essa taxa de juros", esclarece o contador.

A dinâmica econômica brasileira favorece os ganhos na renda fixa. "Hoje, se você fizer essa aplicação livre de risco, vai estar tendo uma rentabilidade de 14% ao ano. Tem muitas empresas que se você investir na ação para receber os dividendos, não chega perto desse valor. É uma rentabilidade muito alta sem nenhum tipo de risco e quanto mais essa informação for espalhada, que com um real você já consegue acessar, isso tende a tirar esse mito de que precisa de muito dinheiro", afirma Lucas Quaresma Cruz.

Planejamento e proteção contra riscos financeiros

O patrimônio guardado nos títulos do governo conta com a maior garantia institucional do mercado. "Absolutamente todos os perfis de investidor podem investir num Tesouro Reserva. Quando a gente fala de risco de uma aplicação, a gente vai se perguntar qual é a aplicação livre de risco. Hoje essa aplicação livre de risco no nosso país é o Tesouro Reserva", assegura o especialista.

O histórico bancário do país é utilizado como parâmetro de segurança. "Até a poupança a gente já teve um exemplo no passado, no governo Collor, que ela já foi confiscada. O Tesouro nunca passou por nenhuma situação dessas", recorda o assessor.

As restrições de calendário presentes no contrato não afetam o dinheiro do investidor que precisar sacar antecipadamente. "Por regulação, o título sempre vai ter um prazo de vencimento de um ou dois anos, só que o investidor não é obrigado a segurar esse título até o vencimento. O investidor não vai enfrentar nenhum tipo de carência ou bloqueio para fazer esse resgate. Ele vai conseguir acessar esse valor a qualquer momento e continuar tendo a sua rentabilidade sem prejuízo nenhum", explica Lucas Quaresma Cruz.

A regra fundamental para não perder dinheiro é alinhar a conta bancária aos objetivos pessoais.

"Quando a gente fala de montar um portfólio, um dos pilares essenciais que vai evitar a maior parte dos problemas é avaliar a necessidade de liquidez e os projetos desse cliente. Se você começa os seus investimentos pensando no longo prazo, aquele dinheiro que você realmente não vai mexer, isso permite que você faça investimentos que muitas das vezes precisam de um certo tempo para maturar. O melhor momento de você comprar uma ação na bolsa é quando ela está barata, em baixa, e pode levar um determinado tempo até você conseguir atingir aquele objetivo de lucro", orienta o profissional.

O equilíbrio entre os diferentes tipos de aplicação protege o patrimônio contra o pagamento excessivo de tributos. "Se você fizer essa avaliação da maneira correta dos seus projetos de vida, isso vai permitir com que, na hora que você estiver selecionando, já consiga ter essa noção. Essa distinção resolve 80% dos problemas. Quando você faz um investimento priorizando só a rentabilidade e não leva em consideração quando vai precisar usar esse recurso, corre o risco de resgatar esse investimento antes de ele ter tempo para maturar e isso acaba gerando perdas, gera um imposto maior. A regra é avaliar os projetos de vida, onde vai usar esse recurso e principalmente quando vai usar", conclui o assessor.

Onde deixar sua reserva de emergência?

Tesouro Reserva

Aplicação mínima de R$ 1 Rendimento acompanha a Selic Disponível para saque 24h por dia Menor risco de crédito do mercado

Poupança

Sem aplicação mínima estipulada Rendimento limitado a 0,5% a.m. + TR Disponível para saque 24h por dia Risco atrelado à instituição financeira (coberto pelo FGC)

Tesouro Selic Comum

Aplicação mínima em torno de R$ 140 Rendimento acompanha a Selic Resgate limitado a dias úteis em horário comercial Menor risco de crédito do mercado

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